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Car Culture

A fabulosa coleção de carros de George Harrison


Discussões sobre qual é “o melhor Beatle” nunca vão deixar de acontecer – até porque é difícil mensurar a importância da contribuição de cada um dos quatro membros ao “todo” do que eram os Beatles. Agora, no que diz respeito aos carros, George Harrison provavelmente tinha a coleção mais interessante e diversificada. Até porque o autor de “While My Guitar Gently Weeps” era o mais gearhead da banda.

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Nascido em 25 de fevereiro de 1943, Harrison sempre foi fã de automobilismo. Ele assistiu sua primeira corrida aos 12 anos de idade – o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 1955, no circuito de Aintree – e a paixão pelos carros o acompanhou até os últimos dias de sua vida.

Na verdade, o gosto de George Harrison por carros era provavelmente o mais refinado entre os Beatles – uma bela seleção de ícones da indústria automobilística britânica, acompanhados por alguns outros automóveis emblemáticos de fabricantes espalhadas pelo mundo.

Harrison entrou para os Beatles em 1959, quando a banda ainda se chamava The Quarrymen. Ele se juntou a Paul McCartney e John Lennon como guitarrista principal. Do Fab Four ele foi o terceiro a entrar para a banda, que só passou a se chamar The Beatles em janeiro de 1962. Meses depois, Ringo Starr tornou-se o novo baterista, substituindo Pete Best. Àquela altura os Beatles já eram uma banda bem conhecida, e não levaria muito tempo até que seu primeiro álbum de estúdio, Please Please Me, lançado em 1963, desse origem aos primeiros singles a chegar ao topo das paradas.

Uma turnê se seguiu em 1964, bem como o álbum A Hard Day’s Night – e os Beatles ficaram gigantes. Harrison aproveitou para comprar seu primeiro carro extravagante no ano seguinte: um Aston Martin DB5 branco que logo recebeu a companhia de um Jaguar E-Type.

O Aston Martin foi leiloado em 2011, quando um colecionador de itens dos Beatles (cuja identidade não foi revelada) o arrematou por £ 350.000 – o equivalente a mais de R$ 2,5 milhões.

Pouco depois do Aston e do Jag, ainda em 1965, veio o terceiro ícone britânico – um Austin Mini Cooper S. Na verdade, o empresário dos Beatles, Brian Epstein, foi quem conseguiu um acordo com o vendedor de carros Terry Doran (que supostamente é o “man of the motor trade” mencionado na letra de “She’s Leaving Home”) para comprar quatro exemplares do Mini, um para cada membro da banda, a preço de custo. O carro de Harrison logo recebeu lanternas de Fusca na traseira (montadas na horizontal) e um par de faróis auxiliares curiosamente instalados no capô.

Este é o mesmo carro que, em 1967 – na fase “hippie” dos Beatles – recebeu uma pintura psicodélica inspirada nos Tantras Sutras, escrituras sagradas que fazem parte do hinduísmo. Lennon tinha um Rolls-Royce com a mesma pegada.

Este carro tem uma história curiosa: depois de aparecer no filme Magical Mystery Tour, lançado em 1967, o Mini foi dado de presente a Eric Clapton – que, como os fãs de rock clássico sabem, escreveu a música “Layla” com inspiração em Pattie Boyd, na época esposa de Harrison. Em 1977, George e Pattie se divorciaram, e ela casou-se com Clapton dois anos depois, em 1979.

Tudo fica ainda mais curioso se lembrarmos que o Derek and the Dominos, a banda de Eric Clapton, foi formada durante as gravações de All Things Must Pass, de 1970, que foi o terceiro álbum solo de George Harrison (e o primeiro após o fim dos Beatles). Ao menos Clapton devolveu o Mini a Harrison, porque o ex-Beatle arrependeu-se – com razão! – de ter lhe dado o carro de presente.

Mas voltando aos carros: ainda em 1965, comprou sua primeira Ferrari – uma 275 GTB verde. Da marca italiana ele ainda teve uma 365 GTC azul, adquirida em 1969, e um Dino amarela que comprou de segunda mão.

 

Em 1967, Harrison tentou comprar um Rolls-Royce Phantom V, mas como a fila de espera era muito longa ele decidiu encomendar um Mercedes-Benz 600 – Paul McCartney, quando viu o carro pela primeira vez, ficou tão impressionado que decidiu ter um também. Mas aquele foi só o primeiro Mercedes de Harrison: em 1970, ele comprou um cupê 250CE e um 300 SEL 6.3; e em 1971 ele decidiu comprar a limousine 600 Pullman branca de John Lennon, que mudou-se para os EUA em setembro daquele ano para morar com Yoko Ono.

 

Ao longo dos anos 1970 Harrison decidiu focar-se em sua carreira solo – dedicando-se à música, ele não teve tempo de comprar muitos carros. Mas ele frequentava corridas de Fórmula 1 sempre que podia. Ele ficou amigo de vários pilotos, e eles sempre perguntavam se um dia ele iria escrever uma música sobre as corridas. Aceitando o desafio, Harrison compôs “Faster”, canção lançada em seu oitavo álbum de estúdio, George Harrison, de fevereiro 1979. A música era umahomenagem aos ídolos Jackie Stewart e Ronnie Peterson, e os lucros do single foram revertidos para pesquisas contra o câncer – em 1978, o piloto sueco Gunnar Nilsson havia morrido por conta da doença.

Repare no chauffeur de Harrison no clipe: sim, Sir Jackie Stewart em pessoa!

Na década de 1980, abalado pelo assassinato de John Lennon e preocupado com a possibilidade de ser a próxima vítima, Harrison reduziu suas aparições públicas e fechou-se em sua casa – e também evitou ao máximo fazer novas adições a sua garagem. Ainda assim, ele adquiriu quatro Porsche naquela década: dois 911 Turbo (um 1975 dourado e um 1978 roxo), um 924 Carrera GT e um 928 Turbo S.

Outro carro comprado por Harrison na década de 1980 foi um Mercedes-Benz 500 SEL AMG. O carro era equipado com um V8 de cinco litros e 276 cv, e ficou com Harrison por 16 anos antes de ser passado para Ray Cooper, percussionista e amigo do ex-Beatle, no ano 2000. Depois de trocar de mãos algumas vezes e passar por uma restauração em 2013, o Mercedes-Benz foi leiloado em 2018 e arrematado por £ 43.000 –uma quantia surpreendentemente baixa para um carro com seu histórico.

As últimas grandes aquisições automobilísticas de George Harrison foram dois projetos de Gordon Murray. O primeiro foi o Light Car Company Rocket, esportivo de apenas 380 kg com motor Yamaha do quam a empresa de Murray produziu apenas 55 unidades – e Harrison, que conheceu Murray através da Fórmula 1, recebeu um dos primeiros exemplares em 1992.

Dois anos depois, em 1994, Harrison foi um dos compradores do lendário McLaren F1 – o esportivo mais radical que ele teve. Entregue ao guitarrista em 1995, o carro escondia sob a pintura roxa diversos símbolos da religião hindu, e também letras de músicas escritas por George Harrison.

O McLaren F1 foi o último carro que George Harrison comprou publicamente. No fim da década de 1990, ele foi diagnosticado com um câncer na garganta e tratado com radioterapia. Após uma aparente recuperação, o câncer retornou – e, apesar do tratamento continuado, Harrison não resistiu: ele morreu em 29 de novembro de 2001, aos 58 anos de idade.

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