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Achados meio perdidos

Audi RS2 Avant: uma superperua de 315 cv e 262 km/h à venda no Brasil

Veja só que bela coincidência: mal terminamos de falar sobre peruas legais para se comprar e o que aparece? Uma bela Audi RS2 Avant 1995.

A essa altura da história, é bem provável que você já saiba tudo sobre a Audi RS2 Avant, mas não custa reforçar que ela foi a pioneira das peruas esportivas e se tornou o sonho de consumo de dez entre dez garotos que viram os logotipos da Porsche espalhados pelo carro.

Não é exagero dizer que o RS2 é uma perua Porsche. O braço de Stuttgart do grupo Volkswagen foi o responsável pelo acerto de suspensão, freios e motor — praticamente tudo o que importa quando o que você quer é acelerar forte — ainda que seja com um carro de família como uma perua. A Audi entrou com a outra parte: a bela carroceria do 80 Avant e o motor 2.2 turbo de cinco cilindros derivado daquele usado no Quattro nascido nos ralis.

A receita da Porsche para o motor incluiu um turbo maior, intercooler, válvulas injetoras de alta vazão, um novo sistema de admissão (que colocava a marca Porsche visível no cofre do motor), escape redimensionado e ECU da Bosch. O resultado? 315 cv a 6.500. Parece pouco hoje em dia — um Hyundai Azera tem quase isso — mas em 1995, quando esse carro das fotos foi construído, isso era 65 cv a menos que a Ferrari F355. E em uma perua de levar crianças para a escola e um monte de malas e presentes para a praia no fim do ano.

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Mas o que tornava a Audi RS2 incrível mesmo não era apenas sua potência — afinal, como dizia a propaganda de pneus dessa época, “potência não é nada sem controle”. O que tornava o desempenho do Audi RS2 realmente impressionante era sua transmissão manual de seis marchas combinada com o sistema de tração integral com diferencial Torsen. Esse conjunto levava o RS2 a 100 km/h em 4,8 segundos e, por ter tração integral, o salto à frente na arrancada era brutal. Os britânicos da Autocar ao testar o Audi descobriram que ele leva menos de 1,5 segundo para ir de zero a 50 km/h — tempo mais rápido que o do McLaren F1. A velocidade máxima era 262 km/h, bem próxima à dos Porsche 911 da época e suficiente para torná-la a perua mais veloz do mundo.

Para desafiar a física em curvas e frenagens, a Porsche ainda instalou freios Brembo e suspensão mais firme e 40 mm mais baixa que a de um Audi 80 Avant comum. O visual era diferenciado das demais versões por um bodykit que incluía um conjunto óptico traseiro que ocupava toda a largura do carro, como nos Porsche 993 da época.

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Este RS2 que encontramos à venda foi fabricado no segundo ano (e último) de produção, 1995. Desde então, ele rodou apenas 75.000 km nas mãos de dois proprietários. Segundo o vendedor foram apenas 60 unidades vendidas no Brasil, e pouquíssimas eram vermelhas — de fato, as mais comuns são prata e preto.

A julgar pelas fotos, o carro está realmente impecável como afirma o vendedor. O lado de dentro, embora não traga muito mais que uma foto, mantém os bancos de couro originais, ar-condicionado digital, o acabamento em fibra de carbono e a disqueteira de seis CDs, sem manchas nem rasgos, de acordo com o anunciante. O motor também foi mantido original pelo proprietário e, segundo nos informou o vendedor, rodou somente com óleo Motul e gasolina Pódium.

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O que não é mais original — e isso é um ponto positivo neste caso — são os amortecedores e os freios. O proprietário trocou os freios dianteiros originais pelos do Porsche 993 Turbo, que usa discos 340 mm com pinças de quatro pistões — uma alteração comum pelos fãs do RS2 na Europa. Já os amortecedores são todos feitos pela Koni, e têm cinco tipos de ajustes. As rodas Porsche Cup de 17 polegadas também são originais, mas em vez dos pneus Dunlop SP 8000 da série original, elas agora calçam pneus Pirelli Zero, mais modernos, que foram importados e ainda estão em estado de novos.

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Agora, o que todos estão querendo saber: o preço. Por este Audi RS2 Avant 1995 com 75.000 km, o vendedor pede R$ 89.000. É um preço ligeiramente acima do que sugere a tabela de usados para este carro, mas nesse caso, o RS2 está prestes a completar 20 anos e já começa a ser considerado um novo clássico com alto potencial colecionável. Nem sempre se encontra um desses à venda, e muito menos com uma quilometragem razoavelmente baixa como esta. O que vocês acham?

[ FabioBernardes.com / Sugestão do post: Tiago Decimo ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.