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Car Culture

B55 V8: quando os estagiários da Mercedes construíram um Classe B de 390 cv

Imagine se você e seus colegas da faculdade de engenharia tivessem à disposição um hatchback médio e todo o depósito de peças da Mercedes-AMG à sua disposição. Soa interessante, não? Foi isso o que aconteceu há alguns anos com os jovens talentos do programa de trainees da Daimler-Benz.

Depois de dois anos trabalhando na fábrica de Rastatt da Mercedes, os trainees ganharam a seguinte missão: fazer algo especial com um B200 CDI — considerado um hatch médio pela Mercedes, ou uma minivan, na prática. Originalmente o B200 CDI é equipado com um motor 2.0 de 140 cv, instalado em posição transversal e conectado às rodas dianteiras, mas a juventude germânica decidiu fazer algo bem mais divertido e interessante: eles colocaram o V8 de 5,4 litros do E500 da época. Quer números? Aí vai: 388 cv e 53,4 mkgf para um carro que pesa, originalmente, 1.440 kg.

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Um fato interessante sobre este projeto é que o Classe B não exigiu nenhum tipo de adaptação na carroceria ou chassi para  receber o V8 longitudinal. À primeira vista parece papo da assessoria para valorizar o projeto, mas, na verdade, isso é perfeitamente plausível e relativamente fácil se você tiver todos os recursos que os garotos tiveram.

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É que o Classe B de primeira geração (W245) tem o mesmo tipo de “chassi sanduíche” que o Classe A brasileiro (W168). Nesses modelos, sob o assoalho plano estão a bateria, o escape e o tanque de combustível. Você só precisa reorganizar essas coisas para abrir espaço para o cardã e o novo eixo traseiro. Eles adotaram um tanque de combustível menor e removeram a caixa do estepe — que não tem função estrutural nesse modelo — para dar espaço para o diferencial e a nova suspensão.

Sim, nova suspensão. Como o Classe B usa um bizarro eixo traseiro parabólico, ele foi trocado pelo subchassi traseiro de uma perua da Classe E W210 (1996-2002).

Lá na frente, o espaço sobra com o motor transversal, por isso a instalação do V8 também não exigiu recortes no painel dianteiro do cofre, mas os tubos de admissão precisaram ser refeitos — no Classe E eles ficam rentes ao lado externo das bancadas de cilindros, e não há espaço para mantê-los nessa posição no Classe B.

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O câmbio CVT original foi trocado pelo 7-Gtronic, de sete marchas, também doado pelo E500. Os freios vieram do C32 AMG (2001-2004), com discos de 345 mm na frente e 300 mm na traseira, enquanto as rodas são de 18 polegadas com tala 8 na frente e 9 na traseira.

Por incrível que pareça, apesar dos quatro cilindros a mais, o peso sobre o eixo dianteiro aumentou somente 15 kg em relação ao 2.0 CDI. Os caras da Autocar testaram o carro na pista de testes da Mercedes e disseram que o carro é mais que um mero “show-car”, mostrando equilíbrio e aderência suficientes para atacar as curvas com gosto. A direção usa uma bomba hidráulica menor que a ideal, mas aponta com precisão.

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O resultado foi um carro 180 kg mais pesado que o original, mas também 248 cv mais potente. Com isso, ele é capaz de ir de zero a 100 km/h em cinco segundos. Infelizmente a Mercedes nunca cogitou fazer um Classe B AMG — a nova geração tem como versão mais potente a B250, com um motor 2.0 turbo de 211 cv. Por outro lado, seu irmão menor, o Classe A, ganhou a versão A45, e também o GLA45, além do sedã CLA 45 – todos com um 2.0 turbo de 380 cv após o upgrade de potência deste ano.

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