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Achados meio perdidos

Esta Ferrari 288 GTO com 11 mil km é uma cápsula do tempo do fim do Grupo B – e está à venda!

Predicados épicos não lhe faltam. Mas ela sempre viveu à sombra da história de sua sucessora imediata F40, à qual ela forneceu a base de seu motor V8 biturbo. A 288 GTO foi o primeiro carro de produção em série a ultrapassar a barreira mágica dos 300 km/h – 306 km/h, para ser mais preciso –, a primeira Ferrari de rua com motor turbinado e a primeira a empregar fibra de carbono e kevlar em sua estrutura.

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Mais do que isso, ela traz em seu corpo e alma a legitimidade da sigla GTO de sua avó 250 GTO – Gran Turismo Omologato –, pois foi projetada e construída para competir no mortífero Grupo B do WRC, o que nunca chegou a acontecer, pois a categoria foi extinta. Foram produzidas apenas 272 unidades – 72 a mais que as 200 requeridas para a homologação –, o que a deixa quase cinco vezes mais rara que a F40.

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Por isso, é extremamente difícil uma 288 GTO aparecer à venda. É um veículo que, embora seja particularmente importante para a história da Ferrari e dos supercarros como os conhecemos hoje, não pertence ao universo ultraespeculativo das Ferrari das décadas de 1950 e 1960. Incapaz de atingir valores na casa das dezenas de milhões de dólares e não sendo tão cobiçada quanto a F40, acaba sendo um automóvel especializado preso num limbo, que fica caro demais para o comprador médio de carros esporte clássicos, mas não tão interessante ou classuda para os colecionadores de Pebble Beach e Villa d’Este.

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Fora o seu estilo oitentista – que, na boa, achamos maravilhoso em sua carroceria –, seu motor é um V8 com dois turbos IHI, 2,85 litros e 400 cv; um conjunto mecânico espetacular, mas que carrega o estigma de não atender ao estereótipo V12 aspirado. Considerando o seu ronco, é uma bela injustiça. Mas a exemplo da Dino 246 GTS, o tempo cuida de reparar estas mazelas: cada vez mais a 288 GTO figura como o tesouro esquecido.

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E então surge esta unidade que você vê neste post. Número de chassi 55237, a 137ª das 272. Uma cápsula do tempo, com 11 mil quilômetros. A primeira 288 GTO exportada oficialmente ao Japão, pela Cornes & Company, praticamente de único dono entre 1984 e 2010 – Yoshiho Matsuda, cuja coleção de Ferrari já foi considerada a mais sofisticada do mundo, com direito a um trio de 250 GTO –, toda documentada, com todas as ferramentas originais.

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Equipada com três opcionais: ar condicionado, vidros elétricos e bancos de kevlar com faixas vermelhas de tecido sobre o couro negro, ao estilo Daytona, que não apresentam um vinco ou uma rachadura sequer. Nos últimos seis anos, este exemplar passou a viver nos Estados Unidos, rodando cerca de 1.000 km desde então.

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Esta gema histórica será leiloada pela RM Sotheby’s no Concours d’Elegance de Amelia Island. Espera-se que ela atinja uma soma de entre US$ 2,3 e 2,6 mi – embora seja uma soma astronômica para nós, mortais, é quase troco de bala se comparados aos clássicos de Maranello das décadas de 1950 e 1960. A gente se contenta com pôsteres e miniaturas. E namoramos detalhes simultaneamente discretos e obscenos, como os espelhos retrovisores elevados, ao estilo dos Fórmula 1 da Ferrari da época, e o transeixo pornograficamente exposto em sua traseira. Olhe por baixo desta saia sem pudor.

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