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Achados meio perdidos

Este BMW M5 1994 feito à mão está à venda no Brasil

Que tal ter um esportivo artesanal nas mãos? Não estou falando de um fora de série brasileiro, mas sim de um modelo alemão. Sedã bravo, um que povoa os sonhos de 11 entre 10 petrolheads. Se eu disser que estou falando do M5, muita gente vai me chamar de louco, mas o E34 era, sim, feito artesanalmente. Segunda geração do sedã de alto desempenho da BMW, ele era produzido por um funcionário da divisão M ou por um grupo de engenheiros na unidade de Garching, na Baviera. O trabalho levava em média duas semanas. E é de Garching que veio o Achado meio Perdido de hoje.

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O M5 de segunda geração foi projetado com base no Série 5 de terceira geração, o E34, que era produzido em Dingolfing. Apesar de o M535i, da geração E12, ser considerado o precursor do M5, o primeiro a receber a designação propriamente dita foi o E28. A produção do M5 E34 teve início em setembro de 1988 e foi encerrada em 1995, com a chegada do E39.

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Inicialmente produzido com o motor S38B36, um seis-cilindros de 3,6 litros de 315 cv e 36,7 mkgf, ele ganhou melhorias em 1991, com a chegada do motor S38B38, com 3,8 litros de cilindrada e potência de 340 cv. Os dois motores são considerados os últimos com alguma ligação histórica com motores de competição na BMW. Todos os que vieram depois passaram a ser apenas motores de produção em série, por mais fantásticos que tenham sido ou ainda sejam. O M5 E34 também foi o último M feito à mão, com a produção artesanal que mencionei acima.

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O modelo à venda, feito em 1993, mas modelo 1994, é dessa safra. Voltado para o mercado alemão, ele vem com o motor mais forte (nos EUA, o M5 continuou com o S38B36, devido a emissões). Seu dono atual, Vicente, do Rio de Janeiro, comprou o carro em dezembro de 2013 em Brasília, para onde ele foi de avião e voltou dirigindo o carro. O M5 havia sido de um amigo de Vicente, que o avisou sobre a venda. O carro, apesar de ter 50.000 km a mais do que quando este amigo havia vendido, estava ainda impecável. Vicente é o quarto dono do sedã.

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Em Belo Horizonte, o carro apresentou um problema elétrico e teve de fazer o resto do caminho em um reboque. Por sorte, o problema era apenas um fio terra solto, que fazia o M5 morrer. Vicente trocou todas as buchas e braços de suspensão, assim como todos os fluidos, velas, filtros e correias. Os amortecedores da tampa do porta-malas e do capô foram substituídos, assim como emblemas, cabo do acelerador, o reservatório de expansão (que fica feio com o tempo, segundo Vicente) e diversos outros itens. Meticuloso, o dono tem tudo registrado em uma planilha.

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As rodas BBS RC090 também não vieram com o carro. As que estavam nele era réplicas de aro 19” das presentes na M5 V10. O S38B38 tem um sistema de ressonância por vácuo na admissão que não funcionava. Com isso, o M5 ficava sem torque em baixas rotações e só acordava após 3.500 rpm. Vicente desmontou o plenum e trocou todas as mangueiras de vácuo por originais da BMW. Tudo o mais estava em ordem. Após a substituição das juntas em cada um dos seis coletores, as coisas voltaram ao normal.

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Com todos os opcionais disponíveis na época exceto a transmissão manual de seis marchas, que se tornou item de série no último ano do modelo, o M5 é completo. Traz bancos dianteiros aquecidos com três memórias para o do motorista, retrovisor M, esguicho de farol, cortina no vidro traseiro e até o telefone no console.

Equipado com o kit Nürburgring, o M5 de Vicente tem EDC (Electronic Damping Control), usado na suspensão dianteira, e SLS (Self Leveling Suspension), na traseira. Mas o EDC deixou de funcionar. O defeito, comum neste M5, costuma ser sanado com a eliminação do sistema e a instalação de amortecedores fixos ou coilovers. Como ele não foi resolvido por falta de tempo, segundo Vicente, o carro vai embora com desconto. O vendedor pede R$ 63.000 pelo carro.

Com 137.000 km e 22 anos de labuta, o valor talvez assuste, mas talvez este seja o preço de encontrar um M5 E34 bem cuidado. Não é todo dia que um esportivo com pedigree e montado à mão aparece por aí. Interessado? Então dá uma palavrinha com o Vicente no número (21) 97446-8080.

[ OLX ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

 

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