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Achados meio perdidos

Este Chevrolet Cosworth Vega é o único exemplar que existe no Brasil – e ele pode ser seu

Quando se pensa em carros americanos clássicos no Brasil, vêm à mente verdadeiros clássicos como o Ford Mustang, o Chevrolet Camaro ou o Dodge Challenger — isto só para ficar na tríade dos pony cars dos anos 60 e 70. No entanto, há diversos outros carros bem interessantes nos EUA, já com idade de sobra para vir ao Brasil.

O Chevrolet Vega, por exemplo, é um deles: o compacto (para os padrões americanos, claro) criado em 1970 para combater os carros importados do Japão — Datsun 510, Honda Accord, e especialmente o Toyota Corolla, que ainda estava em sua segunda geração e começava a tomar o mercado americano de assalto. Mas a gente está falando da versão mais bacana do Chevrolet Vega, com visual esportivo e mecânica Cosworth, que teve apenas 3.508 exemplares fabricados em 1975 e 1976. E este aqui é o único no Brasil!

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Feito sobre a plataforma H da General Motors, compartilhada com outros modelos do grupo, como o Pontiac Sunbird e o Buick Skyhawk, o Vega era um carro de motor dianteiro e tração traseira, vendido como hatchback, cupê e perua. Em suas versões mais civis, era um compacto moderno e competente, elogiado por seu conforto e desempenho quando comparado a rivais como o AMC Gremlin, o Ford Mustang II, o próprio Toyota Corolla e, por incrível que pareça, até mesmo o VW Fusca.

Mais de dois milhões de exemplares do Vega foram fabricados entre 1971 e 1977, o que pode ser considerado um sucesso razoável em plena crise do petróleo americana. No entanto, o desempenho dos motores de 2,3 litros e potência entre 75 e 110 cv (dependendo da configuração dos carburadores) era apenas suficiente, e não empolgava tanto.

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Para dar ao vega um apelo mais entusiasta, o então vice-presidente da GM e gerente da Chevrolet, John DeLorean (sim, o próprio), decidiu criar uma versão esportiva do Vega. E ele queria fazer direito.

Foi aí que surgiu o Cosworth no nome do carro. DeLorean convenceu a Chevrolet procurar a famosa Cosworth, que na época estava focada na Fórmula 1, para desenvolver um motor. Era um bom negócio: a Cosworth ganharia um novo motor de quatro cilindros para os carros de competição, e a Chevrolet teria um motor bem mais forte para o Vega esportivo. Nada mais justo que chamá-lo de Cosworth Vega, portanto.

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Aproveitando o motor de 2,3 litros com bloco de alumínio do Vega, a Cosworth realizou várias modificações: reduziu o deslocamento para dois litros, instalou um cabeçote com comando duplo e trocou os carburadores por um sistema de injeção eletrônica monoponto. Considerando a versão mais potente, o aumento de potência era expressivo: 185 cv. O motor foi empregado em protótipos de competição da Lola, como o T-290 — que obteve relativo sucesso no Grupo 5 de provas de longa duração.

A Chevrolet encomendou 5.000 unidades do motor à Cosworth, para instalar em 5.000 unidades do Cosworth Vega. A versão era realmente especial: tinha câmbio manual BorgWarner de cinco marchas, faixas horizontais que percorriam todo o perímetro do carro e emblemas Cosworth espalhados pela carroceria. Além disso, o Cosworth Vega foi o primeiro carro americano a vir de série com rodas de alumínio — de 14 polegadas, fabricadas pela GKN e importadas da Inglaterra.

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Por dentro, o Cosworth Vega tinha volante exclusivo, acabamento em madeira no painel e couro de primeira nos bancos, além e uma plaqueta dourada indicando o número da unidade. O conta-giros marcava até 8.000 rpm.

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Tudo isto fazia com que Cosworth Vega fosse bem mais caro que o modelo comum — na verdade quase o dobro, o que levou a Chevrolet a anunciá-lo nos veículos impresso com a frase Cosworth – one Vega for the price of two (“Cosworth – um Vega pelo preço de dois”) de tanto que confiava no trabalho feito pela Cosworth. E não era exagero: um Cossie Vega custava US$ 6.054 (cerca de US$ 26,7 mil, ou R$ 98 mil, em 2015), enquanto o modelo básico saía por US$ 3.090 (por volta de US$ 13,6 mil, ou R$ 50,4 mil, em dinheiro de hoje).

Apesar disso, o Cosworth Vega não fez tanto sucesso quanto a Chevrolet previa. Isto porque, apesar do motor brilhante — além de entregar 185 cv, ele era capaz de girar a 9.400 rpm com segurança) —, as leis para emissão de poluentes estavam cada vez mais restritas e a crise do petróleo não perdoava. Assim, ao ser posto em produção, o motor 2.0 teve a potência reduzida para 110 cv.

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No entanto, ainda que boa parte do apelo tenha sido perdida, o Cosworth Vega continuava sendo um bom carro. A carroceria inspirada no Chevrolet Camaro de segunda geração recebeu bem a decoração esportiva e a companhia fabricou 3.508 exemplares em 1975 e 1976 antes de encerrar a produção prematuramente. Eles foram vendidos por uma rede de concessionárias especializada, a “Authorized Cosworth Dealers”.

O carro que ilustra esta matéria pertence ao colecionador Claudio Pereira, e está com ele desde 2008. Trata-se do exemplar de número 3.122, e é um dos últimos dos 1.446 carros produzidos em 1976. Conhecedor do modelo, o dono acredita que este seja o único exemplar existente no Brasil.

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Este Cosworth Vega teve apenas três donos em seus 39 anos de vida. O primeiro deles só comprou o carro em 1988 — antes disso, ele passou 12 anos em diferentes concessionárias — e ficou com ele até 2002, cuidando religiosamente da manutenção. O carro era guardado em uma garagem climatizada e só saía para ocasionais passeios e exposições,  rodando apenas 7.449 milhas (11.988 km).  A única modificação realizada foi a remoção do catalisador por um concessionário autorizado, com garantia.

Seu segundo proprietário, por sua vez, ficou com o carro até 2008 — e fez questão de manter o mesmo nível de cuidados com ele, e até ganhou alguns prêmios. Em seis anos, ele levou o hodômetro a 12.995 milhas (20.913 km), antes de vendê-lo ao atual proprietário.

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Claudio importou o carro diretamente dos EUA, e o recebeu no dia 19/09/2008. Ele conta que não foi preciso muito para que o carro ficasse pronto para rodar: uma nova bateria, novos amortecedores e buchas da suspensão, velas novas e a troca do cabo da trava do capô.

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Dito isto, o carro é 100% original, da pintura aos revestimentos (desconsiderando, claro, fluidos componentes que precisam ser substituídos regularmente). Desde que comprou o carro, Claudio o utiliza com frequência, “por prazer e divertimento”. Atualmente, o carro tem 14.500 milhas, ou aproximadamente 23,5 mil km, no hodômetro.

De acordo com o proprietário, a documentação do carro está totalmente em dia. Se a preocupação são peças, ele diz que há imensa disponibilidade de componentes originais que podem ser importados diretamente dos Estados Unidos. Claudio também dispõe de um histórico absurdamente completo do carro, além de diversas fotos — incluindo do carro nos EUA.

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O que temos aqui é um carro um tanto obscuro, mas muito especial (tanto que o Cosworth Vega 0001 está até hoje no Museu Chevrolet) e representado por um exemplar muito bem cuidado. A pedida é de R$ 95 mil — valor difícil de julgar se tratando de um carro que muito provavelmente é o único no Brasil, e raro até nos EUA. Que tal?

[ Mercado Livre / Dica do leitor Denis Kamioka ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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