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Achados meio perdidos

Este Chevrolet Omega CD 4.1 rodou só 56.000 km com seu único dono – que tal ser o próximo?

A chegada do Chevrolet Omega, em 1992, marcou uma das maiores revoluções já vistas na indústria automotiva brasileira. Até então, o topo de linha da Chevrolet era o Opala. Claro, o sedã que ficou mais conhecido pelos nomes das versões, Diplomata e Comodoro, já havia vivido seus dias de glória nos anos 70 graças ao cupê SS — especialmente na versão equipada com o seis-em-linha 250-S, lançado em 1976.

Com taxa de compressão elevada, tuchos mecânicos em vez de hidráulicos e maior levante de válvulas, o motor entregava 171 cv brutos (153 cv líquidos) e levava o Opala SS até os 100 km/h em dez segundos, com máxima de 200 km/h — mais que o suficiente para destacar-se pelo desempenho e tornar-se objeto de desejo até hoje.

Aliás, já conhece a verdadeira história do último Opala? Leia aqui!

Só que os tempos eram outros na década de 1990: a abertura das importações abriu espaço para rivais que podiam até custar mais, mas faziam o elegante Diplomata parecer ainda mais antigo. Claro, ele ainda cultivava (e cultiva) uma legião de admiradores, mas já era hora de seu merecido descanso. Assim, em 1992, a Chevrolet impressionou a todos com o Omega.

A verdade é que o carro já não era exatamente novo quando chegou ao Brasil: o Opel Omega estreou na Europa em 1986 e, quando começou a ser fabricado aqui, já havia até passado por uma reestilização. No entanto, nada disso impediu que o Omega justificasse com muito louvor a alcunha auto-concedida de “Absoluto”.

O Omega vinha em duas versões: GLS e CD. A primeira tinha motor 2.0 de 116 cv — o mesmo do Monza — e a segunda, de topo, vinha com um belo seis-em-linha de três litros com comando no cabeçote, 165 cv a 5.800 rpm, com torque de 23,4 mkgf de torque a 4.200 rpm. Podia ter câmbio manual de cinco marchas e, exclusivo do Omega CD, automático de quatro marchas.

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O conjunto era capaz de levar o Omega com motor de três litros até os 100 km/h em 9,5 segundos, com máxima de 210 km/h. E isto era só o começo: naturalmente, o Omega já era um dos carros mais modernos a sairem de uma fábrica no Brasil: construção monobloco com célula de segurança, suspensão traseira independente por braços semi-arrastados e vidros rentes à carroceria (reduzindo o arrasto aerodinâmico), entre outras inovações.

O motor com injeção multiponto e comando no cabeçote (que era de ferro fundido) elevou o padrão de desempenho dos sedãs grandes no Brasil. Seu desempenho, aliado à dinâmica para lá de acertada do Omega, conquistaram muita gente que só trocaria seu Diplomata por outro Diplomata.

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No entanto, houve aqueles que não aceitaram muito bem o motor de menor deslocamento. Apesar da óbvia evolução que o seis-em-linha alemão representava, muitos brasileiros eram apegados ao “4100” do Opala, ao torque em baixa quase instantâneo e à simplicidade mecânica do motor mais antigo.

Por isso, a partir de 1995, a Chevrolet decidiu trazer de volta o motor do Opala — é óbvio, com diversas modificações para adequá-lo ao moderno Omega. Com a ajuda dos britânicos da Lotus (que pertencia à GM na época), o 4.1 do Opala recebeu peças móveis mais leves, cabeçote com dutos de admissão individuais e injeção sequencial.

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O resultado foram 168 cv a 4.500 rpm e 29,1 mkgf a 3.500 rpm — potência e torque maiores e em rotações mais baixas, como os fãs do Opala gostavam. Também foi realizada uma reestilização leve na versão CD, com novas rodas, apliques de madeira no painel e um discreto spoiler na tampa do porta-malas. Foi o que bastou para que o Omega conquistasse de vez os admiradores do Opala. Hoje, dá para dizer que a paixão por ambos os carros é a mesma, para boa parte dos fãs da GMB.

Dito isto, o Omega que trazemos hoje para a seção Achados meio Perdidos é um representante desta leva: um Omega CD 1996 que só teve um dono em toda sua vida, tendo rodado apenas 56.000 km.

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O carro está em São José dos Campos/SP na loja Julio Raridades, especializada em carros brasileiros dos anos 1980 e 1990. De acordo com o anunciante, o carro sempre foi mantido em forma, com todas as revisões realizadas em concessionária e registradas no histórico de manutenção, que acompanha o carro, bem como todos os documentos que teve nestes vinte anos.

Trata-se de uma versão equipada até as tampas, com teto solar, câmbio automático de quatro marchas, madeira no console central e o cobiçado painel digital — que, só para constar, torna bem mais complicada a alteração da quilometragem. De qualquer forma, a pintura supostamente sem retoques, o estado de conservação tanto do lado de fora quanto no interior — simplesmente não conseguimos encontrar detalhes — e o fato de ainda estar calçando os pneus originais (que a gente trocaria, por segurança) deixam pouca dúvida de que a baixa quilometragem é real.

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A pedida é de R$ 37 mil. Aqui, uma observação: o modelo com motor de três litros é mais valorizado pelo mercado e pelos entendidos. Por outro lado, o modelo 4.1 é mais querido por seu desempenho e mais fácil de encontrar. Se você procura um Omega de seis cilindros e está disposto a pagar pela certeza de ter um carro bem cuidado e conservado, talvez valha a pena considerar.

Você pode entrar em contato com o anunciante pelo telefone (12) 99770-4724 ou pelo email [email protected].

[ Julio Raridades ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada, e muito menos paga, e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.