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Achados meio perdidos

Este é provavelmente o Puma mais antigo do Brasil – e ele pode ser seu!

Há uma aura de mistério envolvendo carros brasileiros antigos. Diferentemente dos clássicos do resto do mundo, que muitas vezes têm uma história bem documentada, muito do que aconteceu na indústria automotiva brasileira só foi registrado pelos olhos e mentes de quem fez ou viu acontecer. Isto é um tanto frustante, claro, mas também contribui para a imagem um tanto mitológica de nossos automóveis mais lendários.

Pegue o caso do Puma, por exemplo. Como já contamos algumas vezes, o Puma nasceu nas pistas, e sua história começa em 1964. Naquele ano, Genaro “Rino” Malzoni apresentou um modelo de competição feito sobre plataforma DKW, com carroceria de metal, motor dois-tempos de três cilindros e tração dianteira. O carro teve uma carreira curta, porém bem sucedida no circuito do automobilismo nacional, com cinco vitórias em 1965, sendo que a primeira foi no GP das Américas em Interlagos, na categoria protótipos.

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Não demorou para que os responsáveis pelo projeto decidissem produzir uma série de esportivos baseados naquele primeiro protótipo de corrida, porém com carroceria de fibra de vidro. Era o chamado GT Malzoni, do qual foram produzidas cerca de 35 unidades da primeira leva, que deu origem ao Puma DKW em 1967.

No total, por volta de 125 exemplares do Puma DKW foram fabricados. De acordo com o especialista Felipe Nicollielo, do site Puma Classic, sabe-se do paradeiro de 57 deles, sendo que é extremamente difícil encontrar um exemplar à venda. A gente achou um — novamente, na Universo Marx, em São Paulo/SP. E não é qualquer exemplar: trata-se do mais antigo Puma de que se tem notícia até agora.

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Voltando à questão dos registros históricos, muito do que se sabe hoje sobre os primeiros anos do Puma é fruto de um trabalho de pesquisa que continua acontecendo. Sabe-se, por exemplo, que há certa inconsistência nos números de chassi dos Puma fabricados antes de 1968 — ou seja, antes do Puma VW. Isto porque só a partir dali é que a fabricante passou a fazer parte da Anfavea e a manter registros de todos os carros que eram produzidos.

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Dito isto, o Puma DKW 1967 em questão tem chassi nº G1041, o mais baixo de que se tem conhecimento. E é um carro muito bonito, todos os elementos presentes no interior e mecânica em dia. Seu histórico é relativamente conhecido entre os admiradores mais dedicados do fora-de-série nacional — depois de ser restaurado por Antonio Lyra, em Recife/PE, em 2013 o Puma DKW G1041 viajou para São Paulo para integrar a coleção de Sergio Campos, e sempre foi muito bem cuidado ao longo dos anos.

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De acordo com a Universo Marx, o carro está andando muito bem e não há detalhes mecânicos a acertar. No entanto, a pintura receberia muito bem um cuidado especial, bem como o interior, que traz alguns detalhes visíveis — como o volante, que merece uma recuperação caprichosa. De qualquer forma, a originalidade do carro é grande e, neste caso, não há porque duvidar da legitimidade da placa preta.

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Por mais que não se trate de um exemplar impecável, é inquestionável a importância histórica deste carro. Afinal, até que surja outro exemplar com número de chassi mais baixo, este é o Puma mais antigo do Brasil — quem sabe até tenha sido o primeiro exemplar fabricado depois do GT Malzoni.

Por esta razão, até dá para compreender o valor pedido: R$ 150 mil. Honestamente, o mercado de antigos anda tão repleto de especulação que até dá para considerar um bom negócio, dada a quantidade de carros mais comuns, produzidos em série, que chegam perigosamente perto deste valor.

 

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Se se interessou, pode entrar em contato com a Universo Marx pelos telefones (11) 2638-4550(11) 9 9249-3210, além do email [email protected].

[ Universo Marx ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

 

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