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Achados meio perdidos

Este Fiat 147 preparado pode ser seu primeiro carro de corrida

Na maioria das vezes, nosso quadro “Achados Meio Perdidos” traz caros raros ou curiosos que, dependendo das coragem e do bolso, podem ser alternativas para uso diário ou diversão para o fim de semana. O achado de hoje, porém, não é nenhuma destas coisas: encontramos à venda um Fiat 147 de competição, feito para correr na Copa Classic do Rio Grande do Sul.

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A história da competição remonta a 1999, quando o colecionador Ricardo Trein tomou a iniciativa de organizar uma corrida para clássicos, que batizou de “Fórmula Classic RS”.

Daquele ano até 2007 eram realizadas corridas esporádicas, que juntavam carros preparados e originais. A partir dali as provas se tornaram mais frequentes até que, em 2008, a Federação Gaúcha de Automobilismo reconheceu a categoria como um campeonato oficial, com regulamento próprio. A primeira temporada oficial foi realizada em 2009, e teve cinco etapas. Ao longo dos anos, aconteceram provas nos autódromos de Tarumã e Santa Cruz do Sul e no Velopark.

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A partir de 2011, o regulamento passou a permitir o uso de motores e componentes modernos, como sistemas de injeção eletrônica, desde que respeitadas características como número de cilindros e deslocamento. Antes só eram permitidos componentes de época, o que prejudicava a durabilidade dos carros e ocasionava quebras constantes, reduzindo o número de carros no grid. A mudança no regulamento estimulou a inscrição de mais equipes, e o número de carros saltou de 12 para 30.

O Fiat 147 preto destas fotos é um deles. O carro está na competição desde 2009 — ano em que venceu em sua categoria, mas o anunciante conta que o dono era outro. O número também: conhecido hoje no meio das corridas gaúchas como o 147 #12, o carro antes usava o #90.

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Mas isso são apenas detalhes. O que interessa aqui é o carro em si, e ele é bem interessante. Em sua primeira fase, usava um motor Fiasa 1.3 com um kit stroker — que elevou a cilindrada para “quase 1,5 litro”, segundo o próprio anunciante — mais dois carburadores Weber 40 e cabeçote retrabalhado. Com as modificações a potência subiu para cerca de 125 cv, que passaram a ser moderados por um câmbio de cinco marchas vindo do Fiat Palio. Com esta configuração, o carro venceu novamente o campeonato em 2012, na categoria B, para carros com motor de 1.001 até 1.600 cm³.

Para o ano seguinte, foi instalado o motor atual: um motor Sevel de 1,6 litro com corpos de borboleta individuais e cerca de 150 cv quando alimentado com etanol. O motor foi equipado com coletor Gobbo e cabeçote retrabalhado para maior fluxo. Além de mais potente e mais confiável, o motor rende mais torque — cerca de 18 mkgf ante aos 16 mkgf do anterior. Por sua cilindrada maior, permitiu que o carro migrasse para a categoria FL1, para carros preparados com motor de até 2.000 cm³. O câmbio foi trocado por um a transmissão de Uno Turbo.

Além do motor, o carro teve a suspensão retrabalhada com molas mais firmes e amortecedores ajustáveis na dianteira e na traseira. As rodas são as originais do 147, mas com diâmetro aumentado para 14 polegadas e tala para 7 polegadas. O interior foi aliviado, o banco traseiro deu lugar a uma gaiola de proteção e os vidros foram trocados por Lexan. Para reduzir o peso, capô e tampa do porta-malas são de fibra de vidro, bem como o spoiler dianteiro. O painel recebeu novos instrumentos, fabricados pela Auto Meter.

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O visual é outro grande atrativo deste 147, com pintura preta com detalhes dourados (referência à John Player Special) e afaixa “Abarth” na lateral. Com os adesivos de patrocinadores e molduras (emprestadas do Mille Way) nos para-lamas, o 147 tem um visual nostálgico, que lembra muito os carros de competição das décadas de 70 e 80.

Segundo o anunciante, o carro está pronto para correr — “basta apenas abastecer, ligar e sair andando”. O valor pedido é de R$ 32 mil, com frete incluso para Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo — é preciso consultar o valor do frete para outros estados. Também estão incluídos na conta o serviço de apoio no primeiro evento em que o carro participar com seu novo dono e uma sessão de treinamento para acerto do carro.

Se é um preço justo, vocês é quem nos dirão!

[ Fonte: Autodynamics via Metal Garage / Fotos: Grégori Dai Prá, copaclassic.com.br, Fernando Nunes Peres/Automobilismo em Foco]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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