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Achados meio perdidos

Este Fiat Brava HGT 2.4 é um dos três únicos produzidos – e está a venda

A indústria automotiva brasileira é bastante rica e cheia de histórias — protótipos secretos, unidades importadas para testes e versões que tão pouca gente conhece que há dúvidas se elas realmente existiram. O Fiat Brava equipado com o motor de cinco cilindros em linha e 2,4 litros usado no Marea, o famoso Fivetech, por exemplo. Nem todo mundo sabe, mas a Fiat fabricou três exemplares para testes — e um deles é nosso Achado Meio Perdido de hoje.

De acordo com fóruns de clubes, como o Clube do Marea, em 2000 a Fiat estudava o lançamento de uma versão mais esportiva de seu então recém-lançado hatch médio, o Brava. O substituto do Tipo tinha um motor de 1,6 litro e 99 cv (mais tarde, 106 cv) foi lançado no Brasil em 1999. Ele era basicamente a versão hatch de cinco portas do Fiat Marea, que começou a ser vendido no ano anterior em versões sedã e perua, equipado sempre com a versão de dois litros do Fivetech, de 20 válvulas, com comando variável nas válvulas de admissão e 142 cv.

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No mesmo ano de lançamento do Brava, aparecia o Marea SX, versão mais simples, equipada com um motor de 1,75 litro (a Fiat o chamava de 1.8) e 132 cv. Não demorou para que a Fiat resolvesse colocar o motor 1.8 do Marea na carroceria menor e mais leve do Brava, dando origem assim à versão HGT, de pretensões esportivas – o 0-100 km/h era cumprido em nove segundos e a velocidade máxima era de 200 km/h. Praticamente um hot hatch.

O ano de 1999 também marcou a chegada do Marea Turbo e seu motor 2.0 turbinado de 182 cv — um dos mais velozes esportivos nacionais da época (0-100 km/h em menos de oito segundos com máxima de 223 km/h) e um dos mais adorados, também. Assim, em 2000, surgiu a ideia de uma versão ainda mais apimentada do Brava, aproveitando que um motor de 2,4 litros, já usado na Europa, chegaria ao Marea em 2001.

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A Fiat pegou três exemplares do Brava HGT — um branco e dois na cor cinza “Steel” — deu a eles o interior e todos os equipamentos do Fiat Marea Turbo, e instalou neles o motor de 2,4 litros, que era basicamente uma versão de diâmetro e curso ampliados do motor 2.0 (de 82 x 75,6 para 83 x 90,4 mm), o motor 2.4 tinha 160 cv a 6.000 rpm e 21 mkgf de torque a 3.500 rpm.

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A adaptação no cofre do Brava não foi das mais complicadas, visto que a seção frontal dos carros é idêntica. Também foram produzidos novos sistemas de escape sob medida para o Brava 2.4. Conta-se que os emblemas que diziam “1.8 16v” foram mantidos, para despistar incautos. Apesar disso, os mais entendidos reconhecerão as entradas de ar no capô, idênticas às do Marea Turbo.

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Dos três carros, o branco ficou com a Fiat, dizem que até hoje. Os outros dois foram vendidos a jornalistas automotivos — um deles a Roberto Nasser, de Brasília, e o outro ao mineiro Boris Feldman. Este último é o Achado Meio Perdido de hoje, de acordo com o anúncio no OLX.

Entramos em contato com o proprietário, que contou que, depois de ser vendido por Boris, o carro trocou de mãos algumas vezes antes de ir parar em sua garagem. Ele também conta que, depois de fabricado, seu Brava 2.4 recebeu algumas modificações — um teto solar elétrico da Webasto (instalado na oficina High Torque), além de molas mais baixas, rodas de 17 polegadas do Fiat Stilo Dualogic (as originais são as do Marea Turbo, de 15 polegadas) e faróis de xenônio (instalados e devidamente legalizados por um dos proprietários anteriores). O carro também foi equipado com sensor de ré e câmera traseira.

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O carro tem 112 mil km rodados e, de acordo com o proprietário, está com mecânica, suspensão e elétrica em dia. Contudo, a carroceria precisa de alguns reparos na pintura — há alguns ralados nos para-choques, por exemplo, que são resultado de descuidos dos donos anteriores. O lado de dentro, aparentemente, está totalmente original, incluindo os bancos de couro e o sistema de som de fábrica.

 

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O estepe ainda conserva a roda original do Marea Turbo

Trata-se de um carro bastante raro e, por esta razão, seu preço é bem mais alto de um Fiat Brava comum ou de um Marea 2.4: são R$ 40 mil, um valor definitivamente alto para um carro fabricado há 15 anos, mas que pode atrair colecionadores e aficionados dispostos a pagar mais pelo desempenho extra e, principalmente, pela exclusividade. O que você acha?

[ OLX ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

 

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