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Achados meio perdidos

Este Ford Fiesta tem um Duratec 2.0 16v de 174 cv debaixo do capô – e pode ser seu novo hot hatch

Ter um hot hatch é uma das formas mais baratas (ou menos caras) e práticas de curtir ao volante de um carro esportivo. E nem precisamos chegar aos mais extremos, como o Honda Civic Type R e seus 310 cv: sendo carros relativamente leves e ágeis, os hatches não precisam de uma cavalaria absurda para garantir diversão.

No entanto, as opções de hot hatches no Brasil não são tão numerosas — ainda que tenhamos alguns carros que sejam ícones, comos GTI, GSi e XR3 que foram sonhos de consumo de tanta gente nos anos 90. Assim, há quem prefira recorrer ao do it yourself para ter um carro mais veloz. Este Ford Fiesta 1997, por exemplo, recebeu um motor Duratec 2.0 16v e diversas outras modificações para andar melhor na rua e fazer bonito nas pistas. Agora, ele está à venda.

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Ainda que não seja um carro esportivo, o Ford Fiesta de terceira geração (apelidado como “tristonho” por causa do formato dos faróis) possui boas qualidades dinâmicas graças à sua plataforma bem acertada — compartilhada com o Ka de primeira geração, outro que é adorado pela sua capacidade de fazer curvas. Sendo assim, nada como um pouco mais de potência para garantir uma experiência ainda mais interessante com ele, não é?

Em 1997, o Fiesta podia ter um motor 1.0 de 51 cv, 1.3 de 58 cv ou 1.4 16v de 88 cv. Ainda que este último até andasse bem (só quem já guiou um Fiestinha CLX 1.4 16v sabe do que estamos falando), não era exatamente o que Stephan, o dono deste carro queria.

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Isto porque ele já tinha um Ford Fiesta 1997, branco, de quatro portas, com motor Duratec 2.0 16v, apelidado de “Avalanche”. Em 2012, porém, depois de um acidente que resultou na perda total do veículo, Stephan decidiu que aproveitaria que a mecânica do carro estava intacta para montar outro Fiesta Duratec 2.0. E assim foi feito.

Desta vez, o carro teria duas portas. Além de estética, era uma questão de peso: o Fiesta duas-portas pesava apenas 890 kg, enquanto o modelo de quatro portas ficava bem mais perto de uma tonelada. Como o carro era azul, ficou decidido que ele seria chamado de “Tsunami”, dando sequência ao tema.

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Mas o que importa é o carro, não é mesmo? Pois vamos lá: o motor é um Duratec 2.0 16v, com bloco e cabeçote de alumínio e duplo comando de válvulas. Desenvolvido pela Mazda, que foi parceira da Ford entre 1979 e 2010, o Duratec é usado em diversos modelos da Ford — incluindo o Focus brasileiro a partir de 2005. Originalmente, a potência é de generosos 147 cv a 6.000 rpm, com 19 mkgf de torque a 4.250 rpm.

Debaixo do capô do Fiesta, a potência é de 174 cv. As modificações incluem a instalação de um sistema de injeção Fueltech FT300, coletor de escape 4×1 de aço-carbono. A transmissão manual de cinco marchas é a MTX75, empregada no Ford Focus a partir de 2010.

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O sistema de suspensão usa amortecedores do tipo coilover da Fênix, com maior carga. As rodas de 15 polegadas vieram do Peugeot 206CC (a furação de Ford e Peugeot é a mesma, 4×108), calçadas com pneus Maxxis MA-Z1 195/45. Abrigados sob elas ficam os freios a disco do Ford Focus.

Esteticamente, o carro recebeu uma personalização leve na hora de recuperar a  funilaria: a cor azul metálica vem do catálogo da Kia, a tampa do porta-malas foi alisada e os buracos das fechaduras, eliminados. O carro também têm um spoiler do tipo lip no para-choque dianteiro e faróis com máscara negra.

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Por dentro, a inspiração é racing — revestimentos das portas são simples chapas de metal, com tiras de tecido no lugar das alças. Não há banco traseiro (uma barra de metal foi instalada em seu lugar para aumentar a rigidez) e os dianteiros são do tipo concha, da San Marino. Os instrumentos são todos aftermarket e não há itens de conforto ou conveniência — o console central, por exemplo, é tomado por fibra de carbono e o controle da injeção eletrônica.

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Apesar de tudo, no entanto, o carro é totalmente regularizado para as ruas. Stephan garante sua maior prioridade era fazer um carro confiável, que pudesse ser usado no dia dia sem dores de cabeça, ir rodando até o autódromo, acelerar na pista e voltar para casa sem perder o pique. Desde que foi montado, o carro rodou 11.000 km e participou de apenas um track day, onde deu apenas dez voltas. Diversos itens são novos, com menos de 300 km rodados — pastilhas de freio, atuador da embreagem, terminais de direção, buchas e coxins, por exemplo.

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É claro que, sendo um carro de uso regular, o Fiesta não é perfeito. Há alguns detalhes a acertar — em sua maioria, estéticos: alguns arranhões na traseira (algo que não surpreende quem sabe como é ter um carro na cidade); uma das luzes de ré está um tanto escurecida pelo tempo; e as rodas apresentam alguns arranhões.

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O carro está no Brasília, DF, e é oferecido por R$ 21.000. Ainda que não esteja impecável, trata-se de um projeto bastante interessante — especialmente para quem sonha com um engine swap como este mas ainda não está preparado para meter a mão na graxa (ler o nosso guia é um bom começo). Que tal? Caso se interesse, pode entrar em contato com Stephan pelo celular (61) 9233-4433.

[OLX/Sugestão de Leonardo Perez]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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