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Achados meio perdidos

Este Passat TS 1977 teve apenas dois donos, está impecável e agora pode ser seu

O Passat foi o primeiro Volkswagen de tração dianteira e motor arrefecido a líquido no Brasil. Quando ele chegou por aqui em 1974, a reação foi a mesma que os europeus tiveram no ano anterior, quando ele foi introduzido no Velho Mundo: “um Volkswagen com motor no lugar errado e radiador? Isso não vai prestar…”

Todos sabemos que eles estavam errados. No ano seguinte, a Volks lançou a primeira geração do Golf, com a mesma configuração, e no Brasil o Gol só decolou mesmo quando adotou o motor do Passat, em 1984 — quatro anos depois do lançamento.

Não era para menos. Apesar do carisma do Fusca, que coleciona fãs verdadeiramente apaixonados até hoje, a verdade é que seu projeto já estava extremamente ultrapassado na década de 1970. O Passat tinha mais espaço interno, visual mais moderno (assinado pelo mestre Giorgetto Giugiaro), era mais potente sem beber muito mais combustível e ainda mandava bem na dinâmica. Não demorou para que a Volkswagen sacasse que seu projeto era uma boa base para uma versão esportiva.

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É claro que há o fator nostalgia envolvido: o Passat TS (sigla para Touring Sport), lançado em 1976, tinha um motor de 1,6 litro com carburador Solex de corpo duplo, 80 cv e 12 mkgf de torque — um aumento de apenas 15 cv e 1,7 mkgf ante ao motor 1.5 das outras versões, o que não é muito para um esportivo. Na época, contudo, foi o suficiente para exaltar as boas qualidades dinâmicas do modelo. O desempenho em linha reta — 0-100 km/h em 14 segundos e máxima de 160 km/h, pode não parecer grande coisa hoje em dia, mas era suficiente para que o Passat TS alcançasse carros mais potentes, como o Opala e o Maverick com motor de quatro cilindros, e fosse o mais veloz em sua categoria.

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E a decoração esportiva agradava em cheio, com quatro faróis circulares na dianteira e faixas nas laterais. As rodas de 13 polegadas tinham pneus radiais mais largos, de medidas 175/70, enquanto o interior trazia volante de três raios (sinônimo de esportividade na época) conta-giros no cluster principal e mostradores extras no console central.

No geral, o carro tinha um conjunto bastante equilibrado que o tornou um sucesso imediato. Umas das reclamações a seu respeito era a falta de precisão dos engates do câmbio manual de quatro marchas — problema que foi resolvido no ano seguinte, 1977. E é exatamente este o ano de fabricação do nosso Achado meio Perdido de hoje.

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Trata-se de um Passat TS 1977 na cor verde musgo, bastante rara de se encontrar. E o carro, além de muito bem cuidado, tem uma história bem interessante.

Lembra da concessionária Comercial Gaúcha, em Estrela, no Rio Grande do Sul? Sim, aquela que ficou abandonada por quase duas décadas, sobre a qual falamos aqui no FlatOut há um tempão. Pois bem: este Passat foi comprado lá! Seu primeiro dono ficou com ele por anos antes de vendê-lo a um parente próximo. O terceiro e atual proprietário comprou o Passat em 2006, e o usou regularmente desde então.

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Por ter ficado bastante tempo guardado, o carro precisou de um retoque na pintura — apenas externamente, visto que a estrutura estava totalmente íntegra — e, no interior, foi realizada apenas uma boa limpeza. O motor original foi completamente retificado e, no lugar do carburador Solex, recebeu um sistema de injeção monoponto original VW, e aproveitou para instalar o sistema de ar-condicionado de um Passat LSE, versão de topo na época. As rodas agora são de 14 polegadas, doadas por uma Variant II, calçada com pneus 185/60.

As modificações são simples, porém eficientes — o carro ficou mais confiável e os pneus tornaram sua dinâmica mais afiada. O motor rodou 25 mil km depois da retífica, e tudo no carro funciona perfeitamente, como novo.

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O senão, para alguns, pode ser o preço. Procurando com calma, até dá encontrar um bom Passat da década de 1970 por menos de R$ 20 mil, enquanto este aqui custa R$ 29 mil. Dito isto, considerando que frequentemente encontramos totalmente originais, e até mesmo modificados sem tanto bom gosto, arranhando os R$ 40 mil, nosso Achado de hoje pode ser uma opção interessante para quem sempre sonhou com um Passat TS e não quer ter dor de cabeça depois da compra.

Se você se interessou, pode entrar em contato com Mário Cesar Buzian, responsável pela venda, pelo email [email protected], ou ligar para (51) 9258-7332.

[ Traga o Guincho ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial, tampouco de uma reportagem aprofundada. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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