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Achados meio perdidos Car Culture

Este Porsche 911 venceu nos ralis, correu em Le Mans, pode ser usado nas ruas e está à venda

Não é exatamente raro encontrar carros de corrida históricos à venda — as empresas de leilão certamente têm uma rede de contatos secreta (e provavelmente mágica) e conseguem encontrar mais preciosidades a cada ano que passa, ou pelo menos é o que parece para quem vê de fora.

Agora, se estivermos falando de um Porsche 911 de rali que correu (e venceu!) pela equipe de fábrica e depois foi modificado para correr nas 24 Horas de Le Mans, e depois foi restaurado e convertido para as ruas, a coisa fica muito mais interessante.

Não somos nós que estamos falando — são os caras da Evo, que tiveram a oportunidade de pilotar este carro e acabaram fazendo uma bela propaganda: o carro será leiloado na próxima quarta-feira (4) pela RM Auctions durante o Festival Automobile International, em Paris. Mas o que este carro tem de especial?

Vamos começar por sua história: com este carro, a Porsche venceu o Rali Acrópolis, na Grécia, em 1969. Ao volante estava o finlandês Pauli Toivonen, pai de Henri Toivonen, em dupla com o navegador Martti Kolari. O carro é um dos seis 911S que foram preparados pela Porsche para competir em 1969, e foi o último construído.

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De acordo com a descrição da RM Auctions, o carro foi fabricado no dia 18 de março de 1969 e entregue à equipe de rali da Porsche quase pronto, com a carroceria laranja “Blutorange”, interior em curvim preto, suspensão e rodas. Só não tinha motor ou transmissão — estes ficaram por conta da divisão de competição.

E que motor esse carro ganhou: um flat-6 de dois litros preparado para render cerca de 170 cv. Entre as modificações, dutos polidos, taxa de compressão mais alta, comandos mais agressivos e a troca dos carburadores por um sistema de injeção mecânica Bosch, além de um sistema de escape feito sob medida, volante aliviado e cárter seco. A transmissão usava a mesma caixa do 911 de rua, com cinco marchas e relações curtas, mas ganhou embreagem reforçada e um diferencial traseiro de deslizamento limitado.

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A suspensão foi reforçada e recebeu uma barra estabilizadora de 14 mm na dianteira e uma de 16 mm na traseira, além de discos de freios maiores na frente, com pinças modificadas, enquanto a traseira permaneceu com os freios originais. O interior recebeu novos bancos Scheel e perdeu boa parte do isolamento acústico e dos equipamentos de conforto para aliviar peso, e o 911 ficou com cerca de 1.000 kg.

Depois do Rali Acrópolis o carro foi aposentado e vendido para um piloto francês chamado Jean Claude Lagniez, que correu com ele no Tour de Corse naquele ano, mas problemas mecânicos o impediram de terminar a prova.

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No ano seguinte, outro francês comprou o carro — Marcel Balsa, que o mandou para Le Mans em 1970 sob o comando de Pierre Mauroy e René Mazzia, que o modificaram com um motor de 2,2 litros e correram nas 24 Horas de Le Mans daquele ano e em 1971, já como donos do carro. Em 1970 o carro conseguiu terminar a prova, mas não completou a distância mínima de 70% e por isso foi desclassificado. No ano seguinte, por outro lado, o 911 foi o 14º colocado na classificação geral. Nada mal para um Porsche de rali, não?

O ano de 1972 marcou a última tentativa do carro em Le Mans, desta vez com um motor de 2,5 litros e cerca de 270 cv — que teve problemas mecânicos faltando sete horas para o fim da corrida.

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O 911 passou por mais alguns donos franceses antes de encontrar seu proprietário atual, que o comprou em 1988 e o restaurou completamente — incluindo um novo motor de 2,5 litros com corpos de borboleta individuais, injeção Bosch e 275 cv, todo preparado pela própria Porsche. Seu ronco, como nota Richard Meaden, da Evo, é simplesmente matador.

O carro também é sublime ao volante — compacto e bem acertado como todo 911 clássico, daqueles que vestem o piloto e obedecem a todos os seus comandos com precisão e agilidade. Meaden chega a descrevê-lo como “o carro dos seus sonhos” — e dá para ver que ele está falando sério.

Na verdade ele é nosso carro dos sonhos também, especialmente porque é legalizado para as ruas. Quem quiser ter o prazer de acelerá-lo porém, vai ter que se preparar para pagar algo entre € 1,1 milhão e € 1,3 milhão, ou cerca de R$ 3,3-3,9 milhões — quase um Porsche 918 Spyder no Brasil. Afinal, esté um Porsche 911 de rali que competiu com a equipe de fábrica — um dos únicos em existência e um belo pedaço de história.

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