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História

A história quase desconhecida dos seis Porsche 959 fabricados em 1992


Ferrari e Porsche têm pouco em comum fora o fato de fabricarem os esportivos mais avançados e desejados do planeta. Suas origens são diferentes, suas filosofias são diferentes e isso fica evidente em seus supercarros dos anos 1980, o Porsche 959 e a Ferrari F40. Enquanto o primeiro desenhou os Porsche do futuro, o outro se inspirou nas Ferrari do passado. Em comum, está o fato de que ambos tinham produção limitada prevista para dois anos, mas acabaram excedendo estes planos.

A F40 originalmente deveria ter 400 unidades produzidas entre 1987 e 1989, mas acabou se estendendo até 1992, chegando às 1.311 unidades. O 959 teve sua produção de 323 unidades iniciada em 1986 e encerrada em 1988, mas sua chegada aos anos 1990 é bem menos conhecida: em 1992 a Porsche construiu seis (ou talvez oito) exemplares do 959, todas para um único cliente. Todas com peças restantes nos estoques da marca.

A origem e a construção destes exemplares 1992 do Porsche 959 era incerta até dois anos atrás, depois que Bruce Canepa contou detalhes desta história à revista americana Road & Track. Canepa é o fundador da empresa que leva seu nome, uma das maiores especialistas em restauração, preparação e manutenção de Porsche do planeta — desde os modestos 914 aos complexos 918 Spyder e o próprio 959. E isso inclui os carros de corrida da marca, como os 917, 935, 956 e 962.

Segundo Canepa, os 959 1992 foram todos comprados por um único cliente, um Chinês de Macau que arrematou os carros para si e para um amigo de Hong Kong. Não se sabe com precisão quantos exemplares foram construídos — nem mesmo a Porsche sabe dizer quantos carros ela própria fabricou naquele ano. Mas seus registros e a memória de Canepa dizem que o número mais provável é seis.

Isso aconteceu porque a Porsche usou componentes excedentes do 959 para produzir as unidades remanescentes. A fabricante sabe que construiu 294 exemplares da versão Komfort do 959 e outros 29 exemplares da versão Sport, e também sabe que o último Komfort usava o chassi número 288. Isso pode significar que os monoblocos 289, 290, 291, 292, 293 e 294 não foram utilizados na série original do 959 (os 29 exemplares da versão Sport usaram uma contagem à parte) embora também seja possível que os 959 Komfort não tenham usado a numeração sequencial. Para dificultar ainda mais a possibilidade de identificação, todos eles são idênticos aos modelos 1988.

Além disso, o comprador chinês dos 959 de 1992 foi cliente da Canepa e, mais tarde, acabou vendendo alguns destes carros a Bruce em momentos diferentes. Cruzando a possibilidade dos números sequenciais de chassi com a passagem de seis exemplares pela Canepa é que se chegou à hipótese de haverem seis exemplares. Conhecendo os carros em detalhes, Canepa sabe que eles são exatamente idênticos aos modelos 1988, uma vez que foram feitos com peças excedentes. É por isso que a história permaneceu tanto tempo desconhecida: além dos proprietários e dos funcionários da Porsche na época, ninguém sabia que estes carros haviam sido produzidos.

Essa história começou em 1984, quando o 959 foi aprovado. Na época a Porsche era lucrativa e tinha recursos suficientes para produzir e desenvolver novos carros. Mas dois anos mais tarde, quando a produção foi iniciada, a situação já não era mais a mesma. A Porsche vendeu inicialmente 250 unidades com sinal de US$ 22.730 — algo em torno de US$ 55.000 em dinheiro de hoje. Só que a base de cálculo do preço do carro foi equivocada, e subestimou o custo de produção do 959. Resultado: a Porsche vendeu os carros por US$ 300.000, mas gastava US$ 720.000 para construí-los.

Um dos exemplares 1992

Com isso a Porsche gastou US$ 204 milhões e recuperou apenas US$ 93 milhões com as vendas. Para estancar a sangria, a Porsche decidiu encerrar a produção do 959 prematuramente. Por isso que ele acabou jamais homologado para os EUA, e até hoje só pode rodar no país por uma brecha na lei de importação: sem isso a fabricante pôde cancelar os contratos dos clientes americanos. Foi assim que a Porsche acabou com as peças remanescentes para construir os modelos 1992.

Mas afinal… por que a Porsche decidiu construir seis (ou oito) 959 tanto tempo depois do fim da produção? Especialmente sendo caros como eram?

Outro exemplar de 1992

A resposta está justamente na situação financeira da Porsche. Nos anos 1990, além do prejuízo com os 959, a Porsche também amargava uma queda vertiginosa nas vendas globais ano após ano, uma crise que quase a levou à falência, não fosse a criação do Boxster, que salvou a empresa e a reergueu para o lançamento do Cayenne, que a tornou sustentável a ponto de se tornar a fabricante mais lucrativa do planeta.

Com menos de 20.000 unidades vendidas em todo o mundo e um saldo negativo cada vez maior, a Porsche viu naquela pilha de peças do 959 uma oportunidade de minimizar o estrago financeiro.

Interior idêntico ao 1988

Atualmente os seis (ou oito…) 959 feitos em 1992 estão todos em coleções privadas, mas os proprietários se recusam a falar sobre eles. Mesmo o comprador original, o chinês de Macau, não se pronuncia sobre os carros, mas os mantém nos EUA. Segundo Canepa é provável que ele sequer tenha dirigido estes carros. Mesmo assim, Canepa diz que estes exemplares de 1992 não são mais valorizados que modelos em estado semelhante produzidos entre 1986 e 1988 porque são exatamente iguais aos originais e impossíveis de se identificar sem o histórico de proprietários.

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