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Achados meio perdidos

Já imaginou um Dodge Dart brasileiro com motor 440? Este aqui está à venda

Todos os Dodge V8 brasileiros foram baseados em um único projeto: o do Dart americano — e todos eles, do Dart ao Charger R/T, receberam mesmo o motor 318 (5,2 litros) com potência que variava entre 199 e 215 cv (brutos). Mas imagine se a Chrysler do Brasil tivesse adotado motores maiores — que tal um 440, com 7,2 litros? Pois é exatamente o motor que este Dodge Dart tem. E, claro, ele está à venda!

O Dart começou a ser produzido no Brasil no fim de 1969 e, com seu porte e preço , ficava entre o Chevrolet Opala e o Ford Galaxie — ainda que, nos EUA, fosse considerado um carro compacto. De início oferecido em versão única, de quatro portas, o Dart não demorou a ganhar derivados — do Dart SE, cupê de entrada com apelo esportivo, passando pelo Dodge Charger R/T e chegando até modelos de luxo como o LeBaron e o Gran Sedan, todos com identidades e apelos diferentes, porém derivados do mesmo projeto e compartilhando a mesma mecânica.

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Por 12 anos e ao lado dos também míticos Opala SS e Maverick GT V8 302, os Dodge V8 foram os carros mais desejados do País, com uma numerosa base de entusiastas que se mantém fiel, conservando, restaurando e, claro, preparando estes carros até hoje.

O carro das fotos é um exemplo desta dedicação — trata-se de um Dart 1971 que, à primeira vista, parece só mais um Dodge nacional bem conservado. Mas aí você nota o scoop no capô e as faixas com o número “440” na traseira. Então você vê a foto do capô aberto e tem uma surpresa:

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Sim, amigos, isto é um motor V8 440 — um big block de 7,2 litros, parte da família de alta performance da Chrysler, os famosos RB (“r” de raised – eles tinham mais curso do que a família anterior, a B: 3,75″ contra 3,38″). Ele nasceu em 1966, mesmo ano em que o lendário 426 Hemi foi introduzido. Mais leve e com mais pegada em baixas rotações, ele podia deixar o monstruoso irmão para trás em certas condições do pega.

O V8 440 foi usado em uma enorme variedade de carros da Chrysler, da Dodge e da Plymouth, incluindo modelos icônicos como o Super Bee e o Plymouth Superbird, e até atravessou o Atlântico para equipar o clássico britânico Jensen Interceptor de 1971 a 1976. Pelo seu torque descomunal (por volta de 65 mkgf a 4.000 rpm), ele também foi empregado nos sedãs de luxo da Chrysler, como o Imperial.

O motor 440 é um dos swaps mais populares entre os fãs da Mopar no mundo todo, e isto inclui o Brasil, claro. Sendo assim, o Dodge Dart anunciado no Mercado Livre vai deixar muita gente aqui com água na boca, temos certeza.

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Segundo o anúncio, o projeto todo levou dois anos para ser executado, com conjunto motriz comprado nos Estados Unidos. O grande diferencial deste carro é que o bloco utilizado é novo de estoque antigo (o famoso N.O.S. – neste caso, New Old Stock, nada de óxido nitroso…), uma verdadeira raridade mesmo nos EUA.

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O 440 foi todo preparado: recebeu comando bravo, cabeçotes e coletor de admissão de alumínio, carburador Edelbrock de 750 cfm, radiador Champion Big One de quatro colmeias, coletores de escapes dimensionados da Schumacher e abafadores Flowmaster Série 50, com direito a tubos de inox. O proprietário diz que o motor é “muito forte”, mas o anúncio não revela a potência – possivelmente ainda não foi aferido. No anúncio, ele fez questão de dizer que o swap foi feito sem adaptações ou “emjambrações”.

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O câmbio original também foi substituído: a caixa agora é uma automática Torqueflite 727 de três velocidades (famosa por sua robustez e durabilidade), atuando em conjunto com um diferencial Dana 44 para levar a força para as rodas traseiras — que agora também usam freios a disco.

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Além disso, alguns detalhes foram modificados no interior — como a alavanca do câmbio da Hurst e o volante, que agora é um Walrod original do Charger R/T 1971 (mesmo ano do carro). Por fora, recebeu customização com toque de época: rodas Cragar S/S com pneus BF Goodrich Radial T/A, uma faixa traseira inspirada no Dart GTS 1969 e um scoop no capô similar ao do épico Hemi Dart.

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E quanto o dono quer por ele? Direto e reto: R$ 140 mil. Antes de fazer qualquer comentário sobre o preço (leia-se, se é justo ou não), é preciso pensar que é difícil colocar preço em um carro como este. Por outro lado, os Dodge V8 brasileiros totalmente originais e bem conservado já estão custando perto de R$ 100 mil — às vezes, mais.

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Dito isso, e sabendo que o investimento para um projeto caprichado como este — da aquisição dos componentes aos acertos finais, passando pela mão de obra e pelo tempo gasto estudando a melhor forma de realizar possíveis adaptações — é alto, podemos dizer que este valor parece razoável e que, certamente, seria preciso mais de R$ 140 mil para executar um projeto como este do zero.

O que você acha?

[ via Mercado Livre ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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