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Achados meio perdidos

O fastback da Lotus: conheça o raro Eclat 522, nosso Achado Meio Perdido

Elan, Elite, Exige, Evora. Esprit! Você provavelmente já sabe qual é o famoso fabricante destes carros, que não têm em comum apenas o nome começado por E. Eles também são extremamente leves e conhecidos por proporcionar uma experiência única de dirigir. Todos são frutos da Lotus, criada pelo não menos conhecido Colin Chapman. Mas há um Lotus do qual pouquíssima gente já ouviu falar — e menos gente ainda já dirigiu: o Eclat.

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Derivado da Elite, uma shooting brake desenhada por Oliver Winterbottom e com chassi de Colin Chapman, o Eclat é o fastback da Lotus. Ao lado da irmã, ele é o último carro de produção em que o gênio das pistas colocou suas mãos, sempre com a filosofia de leveza e dinâmica afiada.

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O Eclat tem 4,46 m de comprimento, 2,44 m de entre-eixos, 1,82 m de largura e apenas 1,19 m de altura, com um peso em ordem de marcha de 1.055 kg. Comparativamente, ele é do tamanho de um BMW X1 de primeira geração, mas tem o mesmo peso de um Renault Sandero Expression 1.6. Magias de Mr. Chapman.

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A “primeira geração” do carro, que foi do lançamento a 1980, era chamada de Type 76. Usava o motor 907, de 2 litros, cuja história, sozinha, já valeria um textão, mas seremos econômicos. Dizem que, quando a Vauxhall mostrou seu novo motor Slant-4, em 1966, no Earls Cours Motor Show, ele tinha quase as mesmas especificações do motor de alumínio que a Lotus desenvolvia. Colin Chapman, então, teria comprado da Vauxhall alguns blocos de ferro para agilizar o surgimento dos Lotus 900, 2.0 e 2.2.

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A diferença, para os Slant-4, era o material com que eram produzidos (de alumínio, nos Lotus) e o cabeçote, com duplo comando para as quatro válvulas por cilindro, nos Lotus. O cabeçote também era de alumínio. Eles eram tão iguais que a Vauxhall adotou os cabeçotes Lotus em seus modelos de competição até o final dos anos 1970 com pouquíssimas modificações.

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Capaz de produzir 163 cv a 6.500 rpm, com dupla carburação Dellorto o motor 907 empurrava o Eclat de 0 a 100 km/h em 6,9 s e o levava à máxima de 208 km/h. Os freios eram a disco, na dianteira, e inboard, a tambor, na traseira. Em outras palavras, os freios eram aplicados nos semi-eixos, para diminuir a massa não-suspensa do carro.

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As opções de câmbio eram manuais de quatro ou cinco marchas e automático de três. “A segunda geração” do carro, chamada de Type 84, foi de 1980 a 1982, usava um motor Lotus 912, de 2,2 litros, da mesma família do 907.

De 1975 a 1982, 1.590 Eclat foram produzidos, dos quais apenas restam 604 no Reino Unido. Metade deles está inscrita no SORN, ou Statutory Off Road Notification, para veículos que não rodam mais. O que torna o Eclat “brasileiro”, da primeira fornada, fabricado em 1979, ainda mais raro.

Segundo o vendedor, Leo Gonzalez Aleixo, quem encontrou o carro foi seu tio, que vive na Alemanha. Ele a exportou para o Brasil, ao lado de um Porsche 928, mas viu que o sobrinho pegou xodó no Lotus e deu o carro de presente a ele.

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Já com placa preta, o Eclat tem cerca de 110 mil km e Leo é seu terceiro dono. A parte mecânica do carro está em perfeito estado, segundo o vendedor, com motor e câmbio revisados, câmbio justo, de cinco marchas, suspensão firme e com volante na direita. Alguns Detran começaram a não aceitar o emplacamento de modelos de mão inglesa, mesmo de coleção, mas o Eclat já escapou dessa palhaçada e pode rodar tranquilo por aí do jeito que está.

A carroceria está em perfeito estado, apresentando apenas pequenos arranhões. Coisa de uso e de idade. Não há pendências de documentação, mas o ar-condicionado do carro e o vidro do lado do passageiro, elétrico, também parou de funcionar. É preciso revisar a fiação, segundo Leo.

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A não ser pelo revestimento de couro dos bancos, tudo no Eclat é original: frisos, emblemas, som, rodas, estepe, macaco e chave de roda. Até os manuais e alguns folhetos de época acompanham o veículo.

Os bancos, contra a vontade do vendedor, foram revestidos de couro, mas não de modo irreversível. A capa foi posta sobre o revestimento original, que é de veludo verde, meio rajado de preto. O tio achava que o rajado era sinal do tempo, mas não era. Basta arrancar a capa de couro para que o Eclat volte à velha forma.

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[ WebMotors ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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