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Achados meio perdidos

Porsche 993 GT2: um dos 911 mais viscerais já feitos está à venda por R$ 3,5 milhões

Nos próximos dias a Porsche irá apresentar a versão mais radical da atual geração do 911 (991), o GT3 RS. Ele terá um 4.0 aspirado de 500 cv capaz de girar quase 9.000 vezes por minuto e tração apenas nas rodas traseiras. Impressionante não? Por outro lado, ele terá uma série de tecnologias que o ajudarão a encarar as curvas, como esterçamento das rodas traseiras, controle de tração e estabilidade, vetorização de torque e câmbio automático de embreagem dupla.

Agora, imagine esse nível de brutalidade em um 911 de vinte anos atrás, com dois turbos KKK para ajudar o flat-6 “a ar” de 3,6 litros a despejar 430 cv e um caminhão de torque (ou melhor dizendo, um torque de caminhão) nas rodas traseiras. Sem controles eletrônicos, apenas a modulação da embreagem e acelerador para controlar a selvageria. Esse é o Porsche 911 GT2 993.

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O modelo foi criado logo após o fim do Mundial de Carros Esporte, em 1992 — o campeonato era uma espécie de avô do WEC, com uma série de corridas de endurance disputadas por esporte-protótipos como o Sauber C9, o Porsche 956 e o Jaguar XJR8 — e a subsequente criação da BPR Global GT Endurance Series, que trouxe de volta a categoria GT para o topo do automobilismo de longa duração.

A homologação dos carros exigia que eles fossem baseados em modelos de produção seriada, então a Porsche desenvolveu o GT2 baseado em seu 993 Turbo e criou uma série limitada de modelos de rua com as mesmas especificações do carro de corridas. A transformação incluiu a substituição das portas e capô originais de aço por peças de alumínio, interior espartano e substituição do sistema de tração integral pela boa e velha (e leve) tração traseira.

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Por fora ele tinha um visual muito parecido com o do 993 Turbo, porém com para-lamas alargados com arcos de fibra de vidro, para-choques dianteiro com spliter, tomada de ar e aletas para direcionar o fluxo aerodinâmico, e uma asa traseira ajustável com dutos para alimentar os turbos — algo essencial quando você quer aumentar a pressão do turbo até o 11. As rodas com jeitão de acessório aftermarket são originais, e são formadas por três peças de liga leve forjada.

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Esse aumento de pressão nos dois turbos fizeram o motor 3.6 produzir 430 cv — um lugar comum hoje, mas impressionante em 1996, especialmente de um motor arrefecido a ar. Uma exigência do aumento de potência foi um radiador de óleo adicional. A redução de peso resultou em apenas 1.295 kg para os 430 cv, o que ajudou a aceleração de zero a 100 km/h a ser completada em quatro segundos. A velocidade máxima era 301 km/h.

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Foram produzidas apenas 57 unidades, e sete delas tinham volante no lado direito. Some isso ao fato de ele ser a evolução máxima do 911 “aircooled” e considerado pelos colecionadores um dos esportivos mais importantes dos anos 1990 ao lado da Ferrari F50 e do McLaren F1, e você tem a receita para um preço milionário.

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O modelo das fotos será leiloado pela Gooding & Company no mês que vem, no Concours d’Elegance em Amelia Island. Estima-se que o valor de compra fique entre US$ 950.000 e US$ 1.250.000 — ou R$ 2.700.000 e R$ 3.550.000.

Fotos: Gooding&Company

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