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Achados meio perdidos

Que tal levar para casa este Peugeot 106 Quiksilver com motor 1.6 16v e 150 cv?

Que um carro pequeno e leve (mesmo que tenha tração dianteira) não precisa de um motorzão absurdamente potente para ser divertido já não é segredo para ninguém: nós mesmos, aqui do FlatOut, gostamos de advogar por esta causa de tempos em tempos. Mas a gente não dispensa um pouco de pimenta, claro!

É bem o caso do achado meio perdido de hoje: originalmente, o Peugeot 106 vendido no Brasil a partir de 1994 tinha um motor 1.0 de apenas 50 cv, mas ainda conseguia ser divertido graças ao acerto de suspensão e à leveza da carroceria — o carro pesava apenas 815 kg. Só que, bem… 50 cv é realmente pouco. Dando um jeito nisto, este exemplar aqui recebeu um motor 1.6 16v preparado para render respeitáveis 150 cv. E ainda está bonitão!

Trata-se de um Peugeot 106 Quiksilver (série especial vendida apenas no ano 2000) que, atualmente, pertence a Rafael Nagliati, de Santo André/SP. Ele comprou o carro há alguns meses, das mãos do antigo proprietário, Fernando Marinho, de Brasília/DF.

O Peugeot 106 Quiksilver, apesar de ter a mesma mecânica das outras versões, tem um visual bem mais interessante graças ao body kit do 106 GTi europeu, além do acabamento interno diferenciado. Sendo assim, nada mais justo que dar a ele um motor mais potente: o 1.6 16v veio de um Citroën C3. Foi uma boa escolha: o projeto dos dois motores é bastante semelhante, pois ambos pertencem à família TU.

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O motor do 106 GTi é um pouco mais potente do que o encontrado no C3: 118 cv contra 110 cv. O motor do Citroën, contudo, era bastante novo, com apenas 20.000 km rodados, e ainda recebeu uma preparação bem interessante na oficina brasiliense 61 Motorsport.

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A semelhança entre os dois motores permitiu a instalação dos comandos de válvulas do Peugeot 106 GTi, de graduação mais agressiva. Além disso, carro recebeu um módulo de injeção programável Megasquirt, modelo MS2V3, bobina de ignição Bosch, bomba de combustível do Chevrolet Astra, dosador do Tempra Turbo, velas Denso Iridium, radiador e reservatório de expansão do motor AP 1.6, admissão com cold air intake e filtro de ar InFlow. A cereja do bolo foi um coletor de escape dimensionado 4×1 de aço-carbono, feito sob medida. Ah, e o pequeno emblema da Citroën na tampa de válvulas foi substituído por um da Peugeot Sport — detalhes fazem a diferença.

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No fim das contas, o carro ficou bem mais potente que o 106 GTi original, com 150 cv. Sendo assim, garantir que a dinâmica do carro ficasse adequada à nova potência, a suspensão recebeu um kit de molas e amortecedores G-Max, de acerto mais rígido. Os freios também foram atualizados, usando o conjunto completo do Citroën Xsara VTS, com discos nas quatro rodas. Completam o pacote as rodas de 15 polegadas do Xsara, calçadas com pneus Maxxis de medidas 195/50 — que, ao lado dos emblemas “GTI” nas portas, são as únicas modificações estéticas do lado de fora.

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O interior permanece quase 100% original, com exceção de um rádio com entrada USB, pedaleiras Sparco e um manômetro Innovate para conferir a quantas anda a mistura ar/combustível.

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Aparentemente, o projeto foi muito bem executado e, a não ser que se preste bastante atenção, é fácil confundi-lo com um 106 Quiksilver qualquer com outro jogo de rodas — para nós, isto significa que ele é um belo sleeper. O preço? R$ 22 mil — mais que o dobro que se costuma pedir por um exemplar do Peugeot 106 em bom estado mas, considerando a preparação mecânica e o estado de conservação, certamente os fãs de hot hatches franceses vão curtir a ideia. Ah, e uma observação importante: todas as modificações estão devidamente cadastradas e legalizadas na documentação.

 

Se você se interessou, pode entrar em contato com Rafael pelo email [email protected]

[ Dica do leitor Bruno Parodi / Fotos por Rafa Souza ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial, tampouco de uma reportagem aprofundada. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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