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Achados meio perdidos

Que tal um bólido do Trofeo Linea com motor 1.4 turbo de 265 cv?

Entre 2010 e 2012, a Fiat organizava a o Trofeo Linea (depois rebatizado de Copa Fiat), que usava versões preparadas do sedã, equipadas com motores 1.4 T-Jet de 265 cv. Com o fim da categoria, os carros foram vendidos a equipes independentes, e nós encontramos aquele que talvez seja o exemplar mais novo de todos — ele disputou apenas uma prova. E, claro, ele está à venda!

O Trofeo Linea fazia parte do Racing Festival, competição apadrinhada por Felipe Massa que tinha o objetivo de incentivar o automobilismo nacional e fazer uma ponte entre os campeonatos de kart e as categorias de base do automobilismo profissional. Além do Trofeo Linea, de turismo, havia uma categoria de protótipos, os monopostos da Fórmula Futuro e a Supersport 600, para motocicletas.

Com o fim do apoio da Fiat em 2012, o Racing Festival também acabou, mas os carros continuaram na ativa nas mãos de equipes independentes, disputando competições regionais por todo o País. Vez ou outra um dos carros usados no Trofeo Linea aparece à venda, mas a gente acha que dificilmente você vai encontrar um tão novo e original quanto este, que pertence à equipe Autoracers, do Rio Grande do Sul.

Cleber Schuler e irmão Celso fundaram no fim de 2013 a equipe Autoracers, usando alguns dos antigos carros do Trofeo Linea. Sem fins lucrativos, a equipe disputa o Campeonato de Endurance Brasil no Rio Grande do Sul desde o início do ano passado, além de disponibilizar carros para quem quiser ter a experiência de pilotagem com um carro profissional e preparar e vender carros para outras equipes.

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O Linea branco das fotos é um destes carros, comprados pouco depois da fundação da equipe. Trata-se de um dos exemplares que, na época da Copa Linea, eram vendidos às equipes por R$ 155 mil, preparados e prontos para correr.

Os carros do Trofeo Linea eram baseados no modelo de produção, mantendo boa parte da estrutura, porém algumas modificações fundamentais eram realizadas. Além de perder todos os itens de conforto, acabamento do interior e outros componentes para alívio de peso — chegando a 1.080 kg, ou cerca de 200 kg a menos que o carro de rua —, os carros receberam uma dianteira nova, feita de fibra com uma estrutura tubular que envolve o motor 1.4 T-Jet preparado para render 265 cv.

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O aumento de potência vem graças a um novo sistema de injeção Magneti Marelli e um aumento de pressão no turbocompressor , que é bem maior do que o dos carros de rua. O motor de competição também tem um novo intercooler e injetores de maior vazão, além de ter seu módulo de controle recalibrado.

O câmbio também é outro — e um dos grandes diferenciais do carro. A transmissão Sadev, importada da França, é uma caixa sequencial de seis marchas com sistema Powershift que, em altas rotações, permite que se troque as marchas sem fazer uso da embreagem. Montado em posição transversal, o câmbio continua transmitindo a força para as rodas dianteiras (que eram de 16 polegadas até 2011, passando a partir daí para 18 poelgadas) calçadas com slicks Pirelli. Os discos de freio de 330 mm são da Fremax com pinças Brembo, enquanto os amortecedores são da Koni com molas Eibach.

 

O carro das fotos é um dos poucos com todas as características originais da categoria. Depois de disputar uma única prova em 2012, o carro ficou guardado até ser adquirido pela equipe de Cleber, que jamais correu com ele. Para isso, ele usa outro carro, no qual realizou modificações nas relações de marcha do câmbio, freios, tanque de combustível e até fabricou novas portas em fibra, que pesam sete quilos — são verdadeiras plumas em relação às originais de metal usadas na Copa Fiat que, mesmo sem forrações, ainda pesavam mais de 20 kg. O carro modificado por Cleber e sua equipe pesa 1.050 kg, ou 30 a menos do que antes.

Por estar parado há um tempo considerável, o Linea branco naturalmente precisará de alguns cuidados após a compra — trocar fluidos e filtros, limpar os injetores, trocar a bomba de combustível (o carro é movido a etanol) e checar as condições dos pneus pode ser um bom começo. No mais, Cleber garante que trata-se de um carro muito novo e totalmente íntegro e, de fato, aparenta pelas fotos.

De acordo com Cleber, o carro transmite muita confiança na pilotagem pois, ainda que seja um carro de competição, a tração dianteira acaba mantendo uma certa tendência ao subesterço, o que pode evitar uma surpresa bem desagradável caso o piloto vá com sede demais ao pote.

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E quanto ele pede pelo carro? R$ 70 mil. Não é pouco dinheiro, mas para um carro de corrida deste nível em um estado de conservação tão bom, nos parece um caso de excelente custo-benefício — especialmente para quem pretende entrar no circuito de Endurance sulista. Nada impede, porém, que ele se torne um belo brinquedo para track days.

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Na verdade, este Linea pode ser encarado como uma tela em branco — e a Autoracers também está vendendo outro carro já com algumas modificações, semelhantes às do carro que ele usa para competir. Este outro carro (o da foto acima) custa R$ 100 mil e tem especifições semelhantes às do que ele usa para competir — o carro abaixo que, com um tempo de 1:10,1, é o Linea mais rápido do autódromo de Tarumã. Ah, este não está à venda!

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Se se você se interessou, pode entrar em contato com Cleber pelo celular (51) 9991 0063, pelo email [email protected] Também é possível encontrar mais informações na fanpage da Autoracers no Facebook.


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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