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História

Quem é o piloto de Fórmula 1 mais velho ainda vivo?

A morte de Sir Stirling Moss nos entristece, mas também nos lembra que, por vezes, um piloto de corridas tem a sorte de viver uma vida longa e frutífera – algo notável em um esporte perigoso como o automobilismo. Quantos não foram os que nos deixaram cedo demais? Quantos não tiveram sua existência abreviada antes de terem a chance de explorar todo seu potencial? São tantas as histórias de pilotos que perderam a vida nas pistas que temos a impressão de a longevidade é exceção nesta carreira.

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Stirling Moss, de fato, era um dos ex-pilotos de Fórmula 1 mais velhos do mundo (com todo o respeito, hein!), e um dos poucos a bater a barreira dos 90 anos – ou, como disse o Juliano Barata, 90 voltas muito bem vividas. Mesmo que ele tenha deixado as pistas antes da hora, e que nunca tenha se sagrado campeão mundial porque sua vontade de fazer a coisa certa era mais forte que o desejo de levantar o troféu.

Isto nos levou a pensar…

Quem é o piloto de Fórmula 1 mais velho ainda vivo?

Seu nome é Kenneth McAlpine e ele é – só podia ser, na verdade – britânico. Nascido em 21 de setembro de 1920, ele completará 100 anos de idade neste ano. Sua carreira como piloto foi curta, e suas participações na Fórmula 1 como piloto foram poucas: sete corridas nas temporadas de 1952, 1953 e 1955, todas pela Connaught Engineering Team.

Seus resultados foram apenas medianos ao volante, e ele não pontuou. Depois de 1955, porém, McAlpine tornou-se um dos donos da equipe – sua família era importante na região e ele tinha os meios. Em 1958, a Connaught foi dissolvida e o que restou da equipe foi vendido a um certo Bernie Ecclestone — que, por acaso, é um dos pilotos de F1 mais velhos ainda vivo. Kenneth McAlpine, então, decidiu deixar o mundo do automobilismo para dedicar-se à sua vinícola.

 

E o segundo mais velho?

Tecnicamente, o segundo piloto de Fórmula 1 mais idoso também é britânico: Leslie Marr, que nasceu em 14 de agosto de 1922 e hoje tem 97 anos de idade. Mas ele não era profissional: Marr só disputou dois GPs do Reino Unido em 1954 e 1955 (coincidentemente, em ambos com carros da Connaught) por hobby. Sua ocupação principal era a de pintor (de quadros, não de paredes), e ele não se interessou mais por corridas depois daquilo.

Assim, o segundo piloto profissional de Fórmula 1 mais idoso ainda vivo é brasileiro – ou “quase” brasileiro. Seu nome é Hermano João Da Silva Ramos, e ele nasceu no dia 7 de dezembro de 1925. Ou seja: na data de hoje, o Sr. Hermano tem 94 anos de idade. E também é o piloto de F1 mais idoso a pontuar no campeonato.

Foto: ACO via Motorsport.com

Hermano da Silva nasceu em Paris, na França, filho de mãe francesa e pai brasileiro – o que bastou para que ele tivesse dupla nacionalidade naquela época. Tanto que, de acordo com o site 8W, os jornalistas franceses o consideravam francês e os jornalistas brasileiros o consideravam brasileiro. Em outros países, ele era chamado de “franco-brasileiro”.

De todo modo, Hermano da Silva teve sua primeira experiência ao volante de um carro de competição no Brasil – mais precisamente, um MG TC com o qual participou do Grande Prêmio de Interlagos em 1947. A prova foi vencida pelo italiano Achille Varzi, que foi seguido de outros dois brasileiros: Chico Landi e Gino Bianco. Aliás, depois deles, Hermano da Silva foi o terceiro brasileiro a ingressar na Fórmula 1 – Landi disputou seu primeiro GP em 1951; Bianco estreou em 1952; e “Nano” da Silva correu na F1 pela primeira vez em 1955.

Antes disto, porém, Hermano da Silva adquiriu experiência em várias provas importantes. Primeiro, foram corridas de protótipos-esporte na França em 1953 e 1954, ao volante de um Aston Martin DB2/4. Através de seus contatos nos clubes de automobilismo franceses – e, claro, graças a seu bom desempenho ao volante – Hermano conseguiu um lugar nas 24 Horas de Le Mans de 1954, corrida na qual dividiu seu posto no Aston Martin com o francês Jean-Paul Colas, mas a dupla acabou abandonando a prova depois de 14 horas por problemas no câmbio.

Foto: ACO

No ano seguinte, ainda com o Aston, Hermano correu na Mille Miglia – corrida que chamou de “terrível e extremamente perigosa”, lamentando-se por todos os espectadores que morreram em acidentes nos quais o carro voava sobre a multidão. Mas foi com a compra de um Gordini 43, com motor seis-cilindros de 2,5 litros, que ele deu seu primeiro passo em direção à Fórmula 1. Com aquele carro ele disputou algumas corridas nas colônias francesas do norte da África e também venceu a Speed Cup no circuito de Montlhéry, chamando a atenção de Amedée Gordini, o fundador da equipe/preparadora.

Gordini contratou Hermano para disputar as 24 Horas de Le Mans mais uma vez – e novamente ele abandonou a corrida depois de 14 horas, agora por um furo no radiador. Contudo, dias depois Amedée o convidou para correr na Fórmula 1. Sua primeira corrida como membro da Gordini F1 foi o GP da Holanda, em Zandvoort, com o Gordini Type 16. Ele terminou na 14ª posição. Os GPs da Grã-Bretanha (em Aintree) e da Itália (em Monza) não terminaram tão bem – Hermano abandonou as duas corridas por problemas na pressão do óleo e no sistema de combustível, respectivamente.

Foto: F1Collection.com

Em 1956, ainda com o mesmo carro e a mesma equipe, Hermano da Silva Ramos obteve seu melhor resultado na Fórmula 1 – o quinto lugar no Grande Prêmio de Mônaco, ficando atrás de Stirling Moss, Peter Collins, Juan Manuel Fangio e Eugenio Castellotti; e garantindo seus únicos dois pontos na maior categoria do automobilismo. Nas corridas seguintes – as etapas da França, da Grã-Bretanha e da Itália, Hermano correu com um novo motor de oito cilindros em linha, mas não conseguiu melhorar seus resultados: ele foi o oitavo na França e não terminou as outras duas provas por problemas mecânicos.

A carreira de Hermano da Silva Ramos nas pistas, porém, não durou muito mais. Em 1957 ele participou de dois Grand Prix extra-campeonato – o GP de Pau, na França, que terminou em sexto; e o GP de Nápoles, que foi mais uma prova abandonada por culpa do carro. Em Le Mans, A morte de um de seus grandes amigos, Alfonso de Portago, em um acidente na Mille Miglia em maio daquele ano, foi crucial para sua decisão de deixar as pistas – não por sua vontade, mas de sua esposa, que estava grávida do primeiro filho do casal. Em 1958 ele disputou algumas com sua recém-adquirida Ferrari 250 GT Berlinetta, vendendo o carro no começo do ano seguinte. Em 1959 ele também correu as 24 Horas de Le Mans pela quarta e última vez, dividindo uma Ferrari 250 Testa Rossa com o inglês Cliff Allison… e deixando a corrida depois de 12 horas por culpa da embreagem.

Não demorou muito tempo, porém, para que as preocupações de sua esposa acabassem fazendo com que Hermano deixasse as pistas de lado – ela teve uma crise nervosa e recusava-se a comer, e chegou a perder oito quilos. Foram os médicos, segundo Hermano, que lhe fizeram tomar a decisão de pendurar o volante. “Era me divorciar ou abandonar a carreira de piloto”, comentou Hermano anos mais tarde. “Fui com a segunda opção – e fiquei dois anos sem conseguir dormir depois disto!” Se não tivesse se aposentado, porém, talvez Hermano da Silva Ramos não tivesse chegado tão longe.

Há quem considere que o piloto mais idoso que já pontuou na Fórmula 1 é Paul Goldsmith, que corria na Fórmula Indy nos anos 1950 e 1960. Na época, a Indy 500 era parte do calendário da Fórmula 1 – e Goldsmith correu em 1958, 1959 e 1960, marcando seis pontos no total.

A questão é que Goldsmith nunca foi piloto de Fórmula 1, e sim da Indy. Mesmo ele tendo nascido em outubro de 1925, pouco mais de um mês antes de Hermano da Silva Ramos, acreditamos que o franco-brasileiro tem mais mérito neste quesito.

 

Outros recordes de longevidade

Atualmente o piloto mais idoso que já venceu uma corrida de Fórmula 1 é o britânico Tony Brooks, nascido em 25 de fevereiro de 1932, ele tem 88 anos de idade. Sua primeira vitória foi o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 1957, no circuito de Aintree, dividindo seu carro com ninguém menos que Sir Stirling Moss – foi a terceira e última corrida na história da F1 a contar com dois vencedores em um mesmo carro.

Brooks ainda venceu outras cinco provas nos dois anos seguintes: o GP da Bélgica (Spa) o GP da Alemanha (Nürburgring Norschleife) e o GP da Itália (Monza) em 1958; e os GPs da França (Reims) e da Alemanha (AVUS) em 1959.

Logo atrás vêm Jackie Stewart, que tem 80 anos de idade (nascido em 11 de junho de 1939), Mario Andretti (80 anos, nascido em 28 de fevereiro de 1940); Carlos Reutteman (78 anos, nascido em 12 de abril de 1942), Jean-Pierre Jabouille (77 anos, nascido em 1º de outubro de 1942) e Jacques Laffite (76 anos, nascido em 21 de novembro de 1943).

Jackie Stewart e Mario Andretti também são os campeões mais idosos ainda vivos. Stewart, aliás, é o último piloto vivo a conquistar um título na década de 1960 – ele foi campeão em 1969, 1971 e 1973. Andretti conquistou seu único título em 1978.

Na terceira posição vem Alan Jones, de 73 anos (nascido em 2 de novembro de 1946), que conquistou seu título pela Williams em 1980. Emerson Fittipaldi não empata com ele por pouco mais de um mês: o primeiro campeão de Fórmula 1 nascido no Brasil nasceu em 12 de dezembro de 1946, e também tem 73 anos.

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