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Achados meio perdidos Car Culture WTF?

R$ 632 mil: é o preço do Bugatti Veyron mais barato do mundo (e um pouco batido). Você pagaria?

Por incrível que pareça, não estamos falando de uma réplica ou de uma cópia chinesa — mas do real deal, com motor de dezesseis cilindros e oito litros com quatro turbos e 1.001 cv. Mas qual é a deste preço quase dez vezes menor do que o de tabela?

Bem, se você não percebeu, este Veyron não está exatamente impecável — ou nem mesmo inteiro: ele sofreu um acidente em uma estrada da Áustria no fim do mês de abril. Aparentemente, o motorista perdeu o controle do carro no asfalto molhado de uma Autobahn (elas não são exclusividade alemã, embora tenham limites de 130 km/h), atravessou o guard rail e caiu em uma ribanceira, parando a cerca de 40 metros da pista.

Acidentes com Veyron são raros e, com menos de 500 unidades do hipercarro pelo mundo, não é exatamente difícil acompanhar o que acontece com um Veyron batido. Na verdade, um Veyron não pode nem ralar o para-choque na calçada que o mundo todo fica sabendo — sério!

Ouch

Por sorte, o preço estratosférico do Veyron não compra apenas desempenho (0 a 100 km/h em 2,5 segundos e máxima de 408 km/h, caso você não se lembre), mas também um habitáculo extremamente seguro e tecnológico: o motorista saiu andando do acidente, e o carro automaticamente enviou as coordenadas do local à polícia e ao serviço de emergência. O dono deve ter ido escolher outro superesportivo milionário no dia seguinte, mas o Veyron não teve tanta sorte.

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Quatro meses depois de se acidentar, o Bugatti Veyron austríaco apareceu em um site de leilões suíço há alguns dias. Quem o colocou à venda foi a seguradora Axa, que avaliou o custo dos reparos em €700 mil — ou pouco mais de R$ 2,1 milhões, em conversão direta. Os danos visíveis: para-choque e para-lamas dianteiros, saias laterais e assoalho. Não parece muita coisa, mas alguns componentes sozinhos podem custar mais que um carro popular — caramba, só um pneu custa o equivalente a R$ 23 mil —, e o valor estimado dos reparos fez com que a seguradora declarasse “perda total”.

Diferentemente do caso de 2009, quando o dono de um Veyron aparentemente se atirou na água com o carro de propósito para ficar com o dinheiro do seguro (e colocou a culpa em um pelicano!), este aqui parece legítimo.

O acidente de 2009. “Tenho quase certeza que é um Lambo, cara”

A seguradora estipulou o lance mínimo em 100 francos suíços (quase R$ 250) e na noite de ontem, com quase 50 lances, o valor já havia subido para 250 mil francos suíços. O carro foi arrematado por 254 mil francos suíços, o que dá exatamente R$ 632.509,64 — quase dez vezes menos que o preço médio de um Veyron, de R$ 6 milhões (um Veyron “comum”, e não uma das mais de 20 edições especiais, que são ainda mais caras — veja todas elas aqui!)

De qualquer forma, o que o novo comprador — cujo usuário no site de leilões é Schmizoli1, fará com sua valiosa aquisição? Colocá-lo de volta na rua?

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É uma possibilidade: embora a seguradora tenha declarado perda total, normalmente com estes carros raros e caríssimos não existe “perda total”: uma das possibilidades é torrar uma boa grana e levá-los de volta ao fabricante, que os reconstrói e os deixa como novos — quer dizer, a menos que o carro tenha pegado fogo ou sofrido danos estruturais graves. Mesmo que o reparo supere o valor atual de mercado, a tendência é que ele valorize ao longo dos anos, o que fazer desta compra uma boa aposta de risco. Talvez o custo de uma restauração neste Veyron seja bem menor que o de um carro novo, e nosso amigo Schmizoli1 tenha feito a barganha do século.

Ou ele pode ser simplesmente um entusiasta que tem dinheiro demais, não sabe o que fazer com ele, e acabou decidindo comprar o Veyron para fazer o projeto de track day mais caro da história…

 

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