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História

Rápido, brutal e impossível de vender: a história do Chevrolet Camaro ZL1

Como havíamos dito anteriormente, houve um Camaro ainda mais fodástico que os modelos feitos por Don Yenko. Seu nome era Camaro COPO 9560, mas você pode chamá-lo de Camaro ZL1, que é como ele ficou conhecido na história dos muscle cars.

É seguro dizer que o Camaro ZL1 é o muscle car mais lendário da Chevrolet. E há uma boa razão para isso: a fábrica fez apenas 69 exemplares e eles foram os carros mais velozes que a marca fez durante muito tempo graças ao motor que deu nome à versão.

O ZL1 era um motor V8 de 427 polegadas cúbicas (7 litros) criado para equipar o Corvette nas corridas da Can-Am. Ele era baseado no big block L88, mas tinha bloco e cabeçotes feitos de alumínio, por isso produzia mais potência que o motor original — oficialmente era 441 cv, mas dizem que os motores produziam mais de 500 cv — e pesava quase o mesmo que um 327 (5,4 litros) small block. Até mesmo a capa seca e a carcaça do câmbio de quatro marchas eram feitas de alumínio.

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Sendo um motor projetado para as pistas, e possivelmente bem caro, a Chevrolet jamais pensou em colocá-lo em um carro de rua. Quem pensou isso foi um cara chamado Fred Gibb, proprietário de uma concessionária Chevrolet que levava seu nome.

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Nessa época a Chevrolet mantinha o Central Office Production Order, mais conhecido como COPO, que era uma divisão encarregada de produzir carros feitos sob encomenda. Originalmente essa divisão foi criada para produzir veículos comerciais como táxis ou furgões de carga com alguma necessidade específica, mas acabou entrando para a história devido aos muscle cars encomendados por concessionários gearheads. Fred Gibb era um desses caras.

Sua concessionária era famosa pelas preparações de modelos Chevrolet, e um de seus clientes era o piloto de arrancadas Dick Harrell. Harrell já havia comprado vários carros COPO na Gibb, e conhecia o motor ZL1. Certo dia ele convenceu Gibb que um Camaro com o motor ZL1 seria imbatível nas ruas e, principalmente, nas pistas. Com o “project car” na cabeça, Fred Gibb entrou em contato com o chefe da COPO, Vince Piggins, no final de 1968. Piggins era o cara que dava o sinal verde para todos os projetos da divisão. Se havia alguém que poderia transformar o Camaro ZL1 em realidade, esse cara era Vince Piggins.

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O contato direto com o chefão deu certo. Piggins aprovou o Camaro ZL1 contanto que Gibb fizesse um pedido mínimo de 50 unidades. É claro que ele não perderia a chance de criar um carro campeão, e logo topou as condições. Assim surgiu o pacote COPO 9560 que deu origem a um dos melhores Camaro que a Chevrolet já produziu.

Os primeiros ZL1 a sair da fornada especial foram dois exemplares na cor Dusk Blue, já registrados como modelo 1969. Um sonho concretizado. Ou não. Ao chegar na concessionária os carros não ligavam devido ao clima frio do começo do ano nos EUA — afinal, aquele era um motor de corridas.

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Mas esse não era um problema real diante do que Gibb teria ao descobrir o preço de venda dos carros. Para pagar a produção e garantir algum lucro, o ZL1 teria que custar mais de US$ 7.200. Parece pouco hoje, mas em 1969 isso equivalia a três Camaro de entrada, que eram vendidos a partir de US$ 2.460. Vender esses carros não seria nada fácil. E ainda faltavam outros 48.

Os 50 ZL1 foram entregues à Gibb Chevrolet, mas apenas 13 foram vendidos — o restante foi devolvido à fábrica ou trocado com outras lojas. Dois deles foram transformados em carro de arrancada para Dick Harrell, mas o último desses 13 só foi vendido em 1972, três anos depois da fabricação e algumas concessionárias que trocaram o ZL com Fred Gibb acabaram substituindo o motor ZL1 original por outros mais baratos para desencalhar os carros.

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No fim, foram construídos 69 Camaro ZL1. Mesmo sendo praticamente carros de corrida, eles tinham garantia de cinco anos ou 50.000 milhas (80.500 km). A Chevrolet chegou a considerar a produção do ZL1 em série normal, mas percebeu que isso seria uma manobra de risco e desistiu da ideia. Dessa vez os contadores estavam certos.

Obviamente, a produção baixíssima e o desempenho de carro de corrida fizeram do Camaro ZL1 um dos muscle cars mais raros e desejados da história, e antes mesmo do boom dos carros antigos especulava-se que o ZL1 seria o primeiro Camaro a passar da marca do milhão de dólares. Por enquanto essa previsão ainda não se concretizou, mas isso não deve demorar para acontecer. Em outubro do ano passado, o Camaro ZL1 #23 foi vendido por US$ 500.000 em um leilão realizado em Chicago e, em novembro um outro ZL1 chegou a US$ 530.000.

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Com uma reputação destas, não admira que a Chevrolet tenha optado por reviver a sigla para o novo Camaro. Desta vez, ele não usa um motor de corrida, nem é um pedido especial de algum concessionário gearhead, mas ele se tornou o Camaro “civilizado” mais potente e veloz já fabricado pela marca.

Com seu V8 LSA de 6,2 litros supercharged de 588 cv e 76,7 mkgf, câmbio manual de seis marchas e suspensão com amotecedores magnetorreológicos, o ZL1 moderno surpreendeu muita gente ao completar Nürburgring Nordschleife em 7:41.27, derrubando de vez o mito de que muscle cars não sabem fazer curvas.

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