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Achados meio perdidos Car Culture

Rowan Atkinson (ou Mr. Bean) está vendendo seu McLaren F1 por R$ 30 milhões

Por trás da figura ingênua e atrapalhada de Mr. Bean está um entusiasta de mão cheia — e dono de um dos 107 McLaren F1 que existem no mundo. Só não sabemos por quanto tempo: ele decidiu vender o carro que, apesar de ter sofrido um acidente bem feio em 2011, não desvalorizou um centavo — muito pelo contrário. Se interessou?

Rowan Atkinson comprou seu McLaren F1 púrpura em 1997, apenas um ano antes de o supercarro projetado por Gordon Murray deixar de ser fabricado de uma vez por todas. Muita gente considera o F1 o melhor carro já feito no mundo, e não é preciso pensar muito para entender o motivo: o objetivo de seu criador era fazer o mais rápido e avançado carro de rua do mundo, mas ele deveria ser prático o suficiente para ser utilizável no dia a dia.

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Sendo assim, o F1 tem três lugares — o motorista no meio e dois passageiros meio recuados, um de cada lado. Há lugar para a bagagem em compartimentos nas laterais, a suspensão é surpreendentemente confortável ao rodar na cidade em baixa velocidade e o ronco poderoso do V12 de 6,1 litros e 635 cv enclausurado em um cofre revestido com ouro só aparece quando se pisa fundo. O F1 é capaz de chegar aos 100 km/h em 3,2 segundos com máxima de 391 km/h, sendo o carro mais rápido do mundo em 1998.

É disso que Atkinson gosta de lembrar quando fala de seu F1. “Qualquer supercarro moderno de desempenho comparável é grande, pesado e quase não tem espaço para bagagem, isso quando tiver”, ele contou a Andrew Frankel, do Goodwood Road and Racing. “Em comparação, o F1 é pequeno e ainda leva três pessoas, leva o bastante para um fim de semana e ainda tem espaço para um V12 aspirado de 6,1 litros. E ele pesa o mesmo que um carro de família. Nada que tenha vindo antes ou depois dele foi projetado com tanta imaginação e clareza de pensamento”.

Então por que ele está vendendo? “Eu comprei este carro por toda a engenhosidade que foi empregada no seu projeto. Agora que ele se tornou um bem de valor, acho que é hora de deixar que outra pessoa o aprecie”.

De fato, o carro com 41 mil milhas no hodômetro (cerca de 65 mil km) já passou muita coisa nas mãos de Atkinson — incluindo dois acidentes. O primeiro aconteceu em outubro de 1999, quando o comediante britânico bateu na traseira de um Rover Metro e destruiu o para-lama dianteiro direito.

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Doze anos depois, o acidente mais famoso: em agosto de 2011, Atkinson perdeu o controle do F1 em uma rodovia no sudeste da Inglaterra, rodou várias vezes e bateu em uma árvore, acabando com praticamente toda a seção traseira do carro. Acredita-se que ele só sobreviveu graças à resistência da estrutura de fibra de carbono.

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Nas duas ocasiões o carro foi enviado de volta para a McLaren, em Woking, onde foi reparado e ficou como novo — nesta última, em uma empreitada que levou quase um ano e meio e custou à seguradora quase £ 1 milhão, ou R$ 3,86 milhões. Ficou como novo e, se você acha que perdeu valor, é aí que você se engana.

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Atkinson pagou pelo carro, à época, cerca de £ 650 mil ou R$ 2,5 milhões. Sendo um carro raríssimo, de único dono e com apenas 65 mil km rodados, hoje o carro está à venda pela concessionária britânica Taylor & Crawley, especializada em carros de luxo e superesportivos exóticos, pela bagatela de £ 8 milhões — doze vezes o preço original. Em conversão, são mais de R$ 30 milhões. Oito dígitos.

E David Clark, o dono da Taylor & Crawley, acredita que a loja não terá problemas para vender o carro. Na verdade, ele acha até que o F1 do Mr. Bean será vendido mais rápido do que de costume — afinal, sua história é bem conhecida e todos sabem que a McLaren seria capaz de torná-lo um carro ainda melhor do que quando era novo.

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“Se pudesse escolher entre um McLaren F1 com 1.000 milhas que sem conhecê-lo ou o de Rowan, com 41 mil milhas, eu ficaria com o de Rowan”, diz. “É um carro com um histórico interessante é é isto o que as pessoas querem”.

[ Fotos: James Lipman/Goodwood Road & Racing. Sugestão do leitor Thiago Zaiden]

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