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Seria o Marea Turbo o esportivo mais injustiçado do Brasil?

Durante vários meses procurei um exemplar do Marea Turbo para gravar a matéria. Não foi fácil — deparei com falta de manutenção, modificações de gosto duvidoso e adaptações, no mínimo, estranhas.

Pesquisando um pouco na internet pude notar que a imagem do modelo não é das melhores. Incêndios, explosões, quebras freqüentes e manutenção cara. Mas será mesmo que a culpa é do carro? A engenharia italiana chegou a esse nível?

Sabemos que os italianos são apaixonados quando o assunto é carro. Nas próximas semanas os leitores vão ter a oportunidade de conhecer modelos da Alfa Romeo, uma das minhas paixões, e também Ferraris clássicas. Mas vamos dar tempo ao tempo.

MWT 03

Voltando ao Marea, encontrei finalmente um exemplar em ótimo estado. O hodômetro marcava pouco mais de 100 mil quilômetros originais e detalhes de acabamento estavam intactos — o carro perfeito para nossa matéria.

 

O Marea Turbo chegou às lojas em 1999. O estilo moderno e sóbrio era realçado pelas rodas de 15 polegadas com desenho exclusivo e se destacava pelas saídas de ar no capô, mas o comportamento recatado só ia até girar a chave de ignição. Um verdadeiro sleeper.

O motor 2.0 de cinco cilindros e 20 válvulas tinha uma concepção moderna, com a turbina Garrett, bielas e pistões reforçados em relação à versão aspirada. Além disso, válvulas de escape refrigeradas a sódio, radiador de óleo e intercooler. Com esse conjunto entregava 182 cv a 6.000 rpm.  MWT 04

O que me surpreendeu mesmo foi a aceleração. O motor é o mesmo usado no Fiat Coupé Turbo (mas com 220 cv) e está completamente bem disposto acima dos 2.700 giros. A partir dessa rotação o carro fica agressivo e o som da turbina enche os ouvidos. Isso, vale salientar, no modelo completamente original.

Os números de aceleração são estimulantes: 0 a 100 km/h em 7,9 segundos e velocidade máxima de 220 km/h. As relações de câmbio mais longas estimulam uma tocada pra esticar as marchas. E aquela sensação do parágrafo anterior se multiplica.

Mas com todas essas qualidades qual o problema com ele? Simples. Na primeira leva a Fiat colocou as trocas de óleo a cada 20.000 km no manual do proprietário, fato que foi corrigido mais tarde, e condenou uma série de motores à morte. Borra de óleo, super aquecimento e diversos problemas surgiram a partir dessa informação.

MWT 02

Porém ainda encontramos alguns exemplares como esse da matéria. A versão Weekend é minha preferida, já que adoro as stations e peruas esportivas — o turbo casa bem com a proposta. A versão Turbo pode ser um dos carros mais divertidos pra se guiar. E é um típico italiano de sangue-quente.  

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