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Achados meio perdidos

Souza Ramos Turbo: sim, este é um legítimo Ford Ka SR T à venda!

Nos anos 1970 e 1980 era muito comum que concessionárias brasileiras pegassem os modelos das marcas representadas por elas, fizessem modificações estéticas e mecânicas e os transformassem em verdadeiros objetos de desejo — você deve lembrar de nomes como Dacon, Engerauto, Sulam e Souza Ramos e de suas criações. O que você talvez não imagine é que a prática persistiu por décadas, ainda que com menor frequência, dando origem a alguns carros desconhecidos, mas muito interessantes. Carros como o Ford Ka SR T.

“SR T, FlatOut? Como assim?” Calma, cara, não estamos falando de um Ford Ka preparado pela divisão de alto desempenho da Chrysler — repare que tem um espaço ali entre o “SR” e o “T”. O significado da sigla é Souza Ramos Turbo. Sim, é exatamente o que parece.

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A gente até vai te perdoar se você nunca tiver ouvido falar do Ford Ka SR T — ele foi lançado em 2000, quando a bolha da Internet ainda não havia estourado, e toda a informação automotiva que os entusiastas queriam consumir vinham de jornais e revistas. Nem precisamos dizer que ele é muito, muito raro — a maioria dos que sabem de sua existência jamais viram um de perto.

Trata-se, na verdade, de um kit que era vendido na concessionária paulistana para o Ford Ka equipado com motor Zetec RoCam 1.0 (também apresentado em 2000) que incluía modificações estéticas e a adoção de um turbocompressor.

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Até então, o hatch de quatro lugares apresentado no Brasil em 1997 só tinha o motor Endura de 1,0 ou 1,3 litro, com 51 ou 60 cv respectivamente — bem mais antiquado, com comando no bloco acionado por corrente.

O motor RoCam tinha comando no cabeçote, injeção multiponto e entregava 65 cv a 6.000 rpm e 8,9 mkgf de torque a 3.250 rpm, garantindo desempenho bem mais adequado ao Ka — ainda mais considerando suas qualidades dinâmicas naturais, graças ao entre-eixos curto, aos balanços praticamente inexistentes, ao acerto da suspensão e ao baixo peso. Se o Ka já era divertido quando original, imagine com o fôlego extra de um caracol mágico!

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Com um turbocompressor operando a 0,6 bar de pressão, o motor RoCam passava a desenvolver 78 cv a 5.000 e 12,4 mkgf de torque a 3.500 rpm — uma bela melhora no rendimento. Claro, hoje em dia temos motores de um litro naturalmente aspirados com mais de 80 cv, mas isto foi há dezesseis anos.

Além disso, o desempenho melhorou de forma significativa: De acordo com testes realizados pela revista Autoesporte na época do lançamento, enquanto o Ka com motor original ia de 0 a 100 km/h em 15,7 segundos, o Ka SR T fazia o mesmo em 9,6 segundos. A velocidade máxima ia de 150 km/h para 155 km/h. O consumo, por outro lado, quase não sofria alteração: ia de 11,5 km/l para 10,9 km/l na cidade. Na estrada, o Ka turbo levava a melhor, rodando até 16,8 km/l de combustível contra 15 km/l da versão naturalmente aspirada.

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As modificações também incluíam novos para-lamas, para-choques e capô, de desenho mais agressivo e rodas de 14×6” calçadas com pneus de medidas 175/65, além de um conta-giros adaptado no velocímetro. O kit era vendido apenas na Souza Ramos, e custava, na época, R$ 3.990 — algo entre R$ 11.500 em valores atualizados.

Se você quisesse, podia comprar apenas o kit com as modificações mecânicas, que incluíam turbo, coletor e sistema de escape, por R$ 2.600 (R$ 7.400, em dinheiro de hoje); apenas as rodas e pneus, por R$ 620 (R$ 1.800) ou apenas o chamado pacote estético, com os para-lamas, para-choques, capô e conta-giros, por R$ 770 (R$ 2.200). Por isto é tão raro encontrar um Ka SR T completo como o Achado meio Perdido de hoje.

O carro pertence a Robson Lima, de São Paulo/SP. Ele conta que é o segundo dono do carro e que o comprou em 2013, quando tinha cerca de 38.000 km rodados. Trata-se de um dos poucos exemplares originais do Ka SR T de que se tem conhecimento hoje em dia, e está muito bem conservado. O hodômetro marca, atualmente, cerca de 83.000 km.

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O motor, de acordo com Robson, não sofreu modificações além da alteração da pressurização da válvula de alívio — no mais, tudo no neleestá exatamente como a Souza Ramos deixou em 2000. Pintura e itens de acabamento são originais e também estão em perfeito estado — e isto inclui as rodas de desenho exclusivo.

Há algumas poucas modificações do lado de dentro e do lado de fora — Robson instalou manômetros adicionais no painel e luzes de LED nos faróis e no para-choque. Fora isto, o aspecto do SR T é praticamente igual ao das fotos de divulgação na época.

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Estamos, sem dúvida, diante de uma bela raridade. Muito bem conservada, por sinal. E o preço não assusta, considerando tudo isto: Robson quer pelo carro R$ 14.990 — nada muito distante do que custa um Ka XR bem conservado. Claro, o XR é mais potente com seu motor de 1,6 litro e 95 cv, mas se você quer algo realmente especial, é o SR T que você procura.

Se você se interessou, pode entrar em contato com Robson pelo celular (11) 98269 5844, pelo Nextel (11) 94776 4412 ou pelo email [email protected].

[OLX]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial, tampouco de uma reportagem aprofundada. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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