A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Achados meio perdidos

Este Chevette 1973 foi um dos primeiros fabricados no Brasil e agora pode ser seu

O Chevrolet Chevette explodiu em popularidade entre os entusiastas nos últimos tempos — parece que todo mundo percebeu, ao mesmo tempo, que ele é mesmo uma das melhores opções para quem quer um carro de tração traseira barato para se divertir nos fins de semana (e no meio delas também, ora pois!). Seu estado de conservação, às vezes, é mero detalhe. O importante é estar funcionando.

Acontece que, apesar da personalidade fanfarrona, o Chevette também é um carro antigo e, dependendo do ano de fabricação, extremamente colecionável. E, ao que tudo indica, não dá para ficar mais colecionável que este Chevette 1973: de acordo com o anunciante, trata-se de um exemplar da primeira leva fabricada pela General Motors do Brasil na fábrica de São José dos Campos/SP.

13245285_1337302949616757_7943870909603887823_n 13269258_1337307126283006_1362503533495649273_n

Ao todo, foram 500 unidades produzidas, e este é o carro de chassi nº 484. Ele rodou pouco, cerca de 36 mil km, mas nem por isso deixa uma história bem interessante.

Segundo consta, em seus primeiros anos de vida o carro fez parte da frota da GM, e a companhia considerou mantê-lo por lá por seu valor histórico. No entanto, em meados da década de 1980, a Chevrolet decidiu que seria melhor montar um museu com diversos de seus modelos — ideia que foi sendo adiada até que, na década seguinte, a marca firmou uma parceria com o extinto Museu de Tecnologia da Universidade Luterana Brasileira, a Ulbra, em Canoas/RS.

13260281_1337303246283394_713992133286893847_n

Este carro, ao lado de outros que já apareceram aqui no FlatOut, como o primeiro Omega e o suposto último Opala fabricados no Brasil, ficou de posse do museu em regime de comodato (ou seja, foi emprestado sem custo) por vários anos. Em 2009 o museu fechou as portas e, enquanto parte dos carros foi leiloada, outra parte voltou à fabrica e depois de algum tempo, a Chevrolet decidiu vendê-los. O atual proprietário do carro, de Minas Gerais, foi até lá e conseguiu comprar o Chevette, que estava entre eles.

13230117_1337307759616276_2695096909171176157_n

De acordo com o anunciante, o carro jamais foi restaurado — depois de entregue, foi apenas lavado, polido e teve a mecânica revisada. Ou seja, até onde se sabe, ele é totalmente original em mecânica, pintura, interior e detalhes de acabamento.

13220975_1337307926282926_4166187731564585445_n

Trata-se de uma versão verdadeiramente básica, com bancos de vinil preto e painel simples, sem rádio ou console central. O volante original exibe o emblema da Opel, visto que ainda não havia peças com a marca da Chevrolet (algo parecido aconteceu na década de 1990, quando os primeiros Astra vendidos aqui tinham volante Opel).

13221513_1337302992950086_6978797297100856750_n

Considerando o ano, o motor é um quatro-cilindros de 1,4 litro com comando simples no cabeçote e 69 cv, acoplado a uma caixa manual de quatro marchas. Foi o primeiro motor com este tipo de comando no Brasil — aliás, o Chevette tem para si o mérito de ser um dos poucos carros a estrear um motor totalmente novo no País, e também um dos únicos a chegar aos 20 anos de idade com a mesma carroceria básica, sem alterações profundas na mecânica.

13260114_1337308032949582_3919800273560241523_n

O carro acompanha todos os documentos que comprovam que pertencia à General Motors, bem como ao Museu da Ulbra, além de algumas peças sobressalentes. Considerando que o carro jamais foi restaurado, o estado de conservação é virtualmente impecável — em teoria, uma troca de pneus e fluidos deverá ser suficiente para deixá-lo em plena condição de uso.

13245474_1337307809616271_390509850813707928_n

Dito isto, este carro é um dos raros casos em que o status “de colecionador” se justifica — sendo assim, a gente até vai entender caso o próximo dono queira manter o carro guardado. Até porque, com o valor de R$ 65 mil reais na etiqueta, trata-se mesmo de uma peça de museu. Em princípio, o valor não é negociável, mas o anúncio diz que “propostas sérias e coerentes poderão ser analisadas”.

13230274_1337303189616733_7617571288097145587_n

Se você se interessou, pode entrar em contato com Mário César Buzian, o responsável pela venda, pelo email [email protected], ou ligar para (51) 9258-7332.

[ Traga o Guincho ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial, tampouco de uma reportagem aprofundada. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

Matérias relacionadas

Que tal um bólido do Trofeo Linea com motor 1.4 turbo de 265 cv?

Dalmo Hernandes

Datsun 240Z 1973: um icônico esportivo japonês à venda no Brasil

Dalmo Hernandes

Mustang Boss 302 Laguna Seca: encontramos uma das 1.500 unidades produzidas à venda no Brasil

Gustavo Henrique Ruffo