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Achados meio perdidos

Um dos três únicos Peugeot 205 GTI 1.9 do Brasil está à venda!

Quando foi lançada, em 1984, a versão GTI do Peugeot 205 não devia imaginar que se tornaria um ícone tão grande de esportivo em um dos países que mais gostam deste tipo de carro: o Reino Unido. O motor 1.6 foi o primeiro sob o capô e, no Brasil, a maioria dos que vieram tinha motor 1.4. O 1.9 é um bicho muito, muito mais raro. Só existiriam três, por aqui. E um deles é o nosso Achado Meio Perdido de hoje.

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Com apenas 3,71 m de comprimento, 2,42 m de entre-eixos, 1,57 m de largura e 1,37 m de altura, o GTI 1.9 pesava apenas 875 kg. E tinha 135 cv a 6.000 rpm, com torque de 16,4 mkgf a 4.750 rpm. Claramente um pequeno invocado, daqueles que um jovem Jeremy Clarkson devia usar para dar pau em carros muito maiores e mais potentes, pelo que ele fala neste vídeo.

Não pense você que a rasgação de seda é exclusiva do ex-apresentador do Top Gear. Ela encontra ecos na revista de automóveis mais antiga do mundo, a Autocar. Andrew Frankel começa o vídeo abaixo dizendo que o grande desafio de todos os GTI da Peugeot é o de apenas igualar o que o 205 GTI foi. E conclui que isso vai ser difícil pacas.

O 205 foi fabricado de 1983 a 1998. Desenhado pela Pininfarina, ele só pôde chegar ao Brasil depois da abertura das importações. O motor 1.9, chamado de XU9JA, tem o mesmo bloco do 1.6, de alumínio, com camisas de ferro fundido e cabeçote também de alumínio, mas o curso dos pistões é maior (88 mm, contra 73 mm do 1.6) e há outras pequenas diferenças, como o radiador de óleo e partes do sistema de injeção de combustível. Enquanto o 1.6 era conhecido por ser girador, o 1.9 era, naturalmente, mais torcudo.

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Outras diferenças entre a versão 1.6 e a 1.9 estão nos bancos (os do 1.9 são parcialmente de couro), discos de freio (no 1.9 eles estão nas quatro rodas; no 1.6, só na dianteira) e nas rodas (de aro 15 no 1.9, do modelo Speedline SL299, contra as de aro 14, modelo Speedline SL201 do 1.6).

O 205 GTI 1.9 de que falamos, por exemplo, foi construído em 1992. E não estava nada bem quando foi adotado por Flávio Flafersa, dono de uma ofinina especializada em modelos da PSA, ou seja, em Peugeot e Citroën.

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Flávio diz que gastou mais de R$ 20 mil para restaurar o carro no que foi possível, levando quase dois anos para deixá-lo em boa forma novamente. Todas as peças utilizadas na reforma são originais de fábrica e ele não trouxe nenhum “Easter Egg” de donos anteriores. Flávio acredita ser o terceiro deles. O motor foi todo refeito, também com peças originais, o que torna a quilometragem de 230 mil originais, ainda que alta, um detalhe que não fala muito sobre o estado em que ele se encontra.

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Com 23 anos, esse GTI esquentadinho já passou por bastante coisa nessa vida. Uma delas foi uma batida do lado direito, sofrida e reparada antes de Flávio comprá-lo, que deixou uma diferença de pintura em relação ao restante da carroceria. Nada que banho de tinta não resolva, segundo o atual proprietário, mas que ele não fará justamente para não tirar a originalidade do restante da carroceria. E porque só gente com olho de funileiro consegue notar a diferença, de acordo com ele.

Não há pendências de documentação e, de acordo com Flávio, quem olhar o carro não terá um defeito para colocar nele, já que, como dono de oficina, ele foi meticuloso em deixar o carro tão bom quanto era possível. Se há algo a fazer, além de acertar a pintura, é trocar os pneus, mas mais para deixar o carro tinindo. Os Michelin atuais, ainda que tenham bastante gordura para queimar, com sulco bem acima do TWI, não fazem jus ao carro, segundo o vendedor.

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Flávio quer que o futuro dono se sinta muito seguro com a compra, inclusive porque o carro é uma raridade. Só há notícia de outros dois no Brasil, um que está em uma oficina de preparação em São Paulo e outro em Belém do Pará.

Segundo ele, todos os detalhes do carro serão mostrados no ato da venda. Afinal de contas, sua oficina e ele próprio têm um nome a zelar. Se quisesse esconder algo, cá entre nós, Flávio não teria feito uma descrição tão minuciosa de tudo que o carro tem. Ele pede R$ 40 mil pelo GTI, mas diz no anúncio que estuda contra-oferta.

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Para quem acha que o preço é salgado, o vendedor lembra que o custo de importar um GTI 1.9 do Uruguai, por exemplo, e tem de ser um de 1985, no máximo, por conta da restrição a importados usados com menos de 30 anos, custaria, por baixo, R$ 60 mil. Fora todo o trâmite com documentação e legalização do modelo no Brasil. Certamente não é um esportivo para qualquer um. Só para quem, como Jeremy Clarkson e Andrew Frankel, for capaz de reconhecer e valorizar os méritos do carrinho. Ou para quem concordar que raridade tem um custo a mais.

[ OLX ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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