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Achados meio perdidos

Vai um muscle car brasileiro aí? Este Chevrolet Opala V8 350 com preparação de primeira está à venda


Foto: Marcos Camargo

Uma das brincadeiras mais comuns entre os gearheads é dizer que sonho de todo Opaleiro é colocar um V8 no cofre do Chevrolet. Considerando o potencial do seizão, é claro que nem sempre isso é verdade, mas é fato que este é um swap bastante popular que, se feito da forma certa, transforma o Opala em um legítimo muscle car ao resolver aquele que, para muita gente, é o único defeito do carro. O Achados Meio Perdidos de hoje é exatamente isto: um Opala V8 350 que já foi até matéria de revista e agora está à venda. Está a fim de levar para casa um projeto pronto?

É clichê dizer isto, sabemos, mas o Opala dispensa apresentações — o carro baseado no Opel Rekord C foi lançado no Brasil em 1968, e seu desempenho, seu visual e seu carisma inigualável o tornaram um dos maiores sucessos de público e crítica da Chevrolet no Brasil — seja com quatro ou seis cilindros; sedã, cupê ou a perua Caravan; esportivo (SS) ou elegante (Diplomata), o Opala conquista mais admiradores ano a ano, mesmo quase cinco décadas depois.

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Fotos: Bruno Guerreiro

Só que ele nunca ganhou o motor V8 que merecia, e por isso muitos donos o colocam por conta própria. Normalmente a receita envolve um small block Chevy, o famoso motor de 5,7 litros que equipou diversos modelos não só da Chevrolet, mas de praticamente todas as marcas que viveram sob a asa da GM — incluindo o Holden Monaro HK, versão cupê da primeira geração do clássico australiano que, como nosso Opala, foi derivado do Rekord C.

Se você é atento, já entendeu o que isto significa: colocar um V8 350 no Opala não é uma missão impossível. É óbvio que nenhum engine swap é fácil, mas nesse caso o casamento perfeito de motor e carro é quase inevitável.

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Foto: Marcos Camargo

O carro anunciado no Facebook começou a vida como um quatro-cilindros, sendo a base perfeita para receber o motor V8 350  por possibilitar o aproveitamento da posição original do câmbio. O serviço foi projetado e realizado por João Luiz Martins, da Xtreme Garage.

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Foto: Marcos Camargo

Para adaptar o motor no cofre do Opala não foram necessárias modificações muito radicais: as longarinas dianteiras receberam pequenos chanfros para não entrar em contato com os coletores de escapes, o agregado da suspensão dianteira foi reforçado, as molas dianteiras foram trocadas pelas do Opala de seis cilindros (para aguentar o peso extra do motor, que pesa cerca de 30 kg a mais que um seis-em-linha de 4,1 litros) e o motor passou a ser fixado diretamente no monobloco por barras tubulares, fabricadas especialmente para o carro.

Fotos: Marcos Camargo/Fernando Demarco

O motor, fabricado em 2002, também foi modificado — e a preparação foi de respeito: com cabeçotes de alumínio, componentes forjados e um carburador Holley Quadrijet, o motor entrega respeitabilíssimos 450 cv. Em um carro de 1.240 kg, isto significa uma relação peso/potência de 2,75 kg/cv. Com o câmbio manual de três marchas vindo de um Dodge Dart (e atuado por uma alavanca Hurst Indy no assoalho) acoplado a um diferencial Dana 44 de Maverick GT quatro-cilindros com autoblocante (e relação 3,92:1, mais curta que no V8), o resultado são e 6,2 segundos para chegar aos 100 km/h. Também foi instalado um sistema de óxido nitroso (o famoso NOS) que, quando acionado, soma mais 150 cv à potência.

Segue a ficha técnica do motor:

Chevy V8 350 ano 2002.
Bomba de óleo HV
Bielas forjadas pra 700 hp
Pistões forjados (13/1 de taxa com cabeçotes de 58cc)
Cabeçotes aluminio 58cc, valvulas 2.02/1.60, dutos de 210cc.
Comando Comp Cams 287/305 hidráulico, lift .510/.510, lobe center 107.
Corrente dupla comp cams
Balanceiros full roller
Admissão Edelbrock Torker II
Quadrijet Holley 750 mec serie HP (pista)
Distribuidor MSD
Bobina MSD Blaster 2
MSD 6AL
3 Step MSD
Cabos Taylor 10.4mm Race
Tampas e filtro GM Performance, elemento KN
Bomba de água Aluminio HV
Alternador 120 Amp com regulador interno
Radiador aluminio com 2 ventoinhas 12″ + 1 de 16″.
Bateria no porta-malas

Obviamente que, em um projeto como este, não é só trocar o motor, o câmbio e pronto. O carro teve as caixas de roda alargadas para acomodar as novas rodas Cragar SS de 15×6 polegadas na dianteira e absurdas 15×12 polegadas na traseira, calçadas com pneus Pirelli Cinturato P4 175/65 e Mickey Thompson Indy Profile SS 345/50, respectivamente. A suspensão traseira usa um eixo rígido da Hotchkis com sistema four link e amortecedores ajustáveis do tipo coilover, com três regulagens de altura.

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Foto: Marcos Camargo

Por dentro, o carro ganhou bancos concha da Summit e cintos de cinco pontos, um volante Grant com aro de madeira, um conta-giros com shift light e um console adicional com três mostradores adicionais por baixo do painel. Fora isso, o interior é completo e com aspecto original.

Já a carroceria recebeu uma bela pintura azul “Marina Blue”, que constava no catálogo da GM americana em 1967 e foi usada no Camaro, lançado naquele ano — na verdade é uma das cores mais famosas nos Camaro da época. Itens de acabamento como frisos, lanternas e grades são novos ou foram restaurados com capricho e, de certo modo, escondem a verdadeira personalidade deste Opala, que poderia muito bem passar despercebido não fossem os emblemas “350” nos para-lamas dianteiros.

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Foto: Marcos Camargo

E quanto Fernando pede pelo carro? Direto e reto: R$ 100 mil. Óbvio que este não é um valor baixo, mas pelo nível do carro e pela grana e tempo investidos, certamente fica abaixo do que o projeto custou — fora toda a dor de cabeça (procura de peças, mão de obra, acerto do motor) da qual o novo dono irá se livrar. O que você acha?

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“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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