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Car Culture

75.000 mkgf e fome de metal: veja como funciona um triturador de carros de ferro-velho

Se você tem o coração fraco, aconselhamos a não prosseguir a leitura. O que você verá a seguir são cenas fortíssimas de carros rejeitados pelo mundo sendo cruelmente triturados para serem reciclados e quem sabe até ser transformados em portas de geladeira.

O monstro metálico responsável por esse genocídio automotivo chama-se Hammel VB 950DK, um dos vários tipos de triturador automotivo (car shredder) usado por empresas de reciclagem automotiva. Esse tipo de triturador usa dois rotores com pontas cortantes que se entrelaçam em baixa velocidade e com torque extremamente alto. Quão alto? Bem assim como os carros que ele assassina tritura, o VB950DK também tem um coração mecânico: um motor diesel Caterpillar C18 de 710 cv que ajuda o mecanismo triturador a produzir… 44.870 mkgf de torque. Quarenta e quatro mil, oitocentos e setenta!

Achou pouco? A Hammel ainda tem um irmão maior e mais anabolizado do 950DK, chamado VB1500 DK, que usa dois C18 da Caterpillar com 1.500 cv. Com esse motor a máquina produz 75.200 mkgf de torque nos rotores. Esse negócio poderia girar a Terra ao contrário se caísse nas mãos erradas…

Para não quebrar durante o processo de esquartejamento dos pobres carros trituração do ferro-velho, os rotores precisam ser feitos de liga de aço de alta resistência e usam lâminas de diamante — não aqueles que sua mãe tem na caixa de joias, e sim material bruto.

As lâminas são desenhadas para furar, cortar, fatiar e despedaçar o metal, de modo que uma vez entre os rotores, o negócio só saia de lá pela contra-rotação dos eixos. Esse movimento contrário, aliás, é uma operação automática que impede o triturador de emperrar com um bloco de motor ou com metade do carro lá dentro. Afinal se você já tirou papel de um triturador emperrado, pode imaginar que emperrar um triturador gigante com um carro não deve ser a situação mais agradável nesse trabalho pesado.

Agora, você está vendo o tampão do Escort, os bancos e tudo mais indo para o saco junto com o metal e deve estar se perguntando: será que não dava para desmontar e tirar como peças usadas? Até dá… se você tem um mercado como o brasileiro. Na Europa carros com 15 ou 20 anos de uso são tão desvalorizados que em alguns casos é melhor vendê-lo por peso para o ferro-velho do que convencer algum incauto a comprá-lo. Se ninguém compra, também não há demanda para peças usadas e aí o melhor mesmo é triturar o carro, separar os materiais e reciclar para a indústria. Aliás, há todo um mercado de reciclagem de automóveis na Europa, com grandes empresas faturando muito bem com a coleta, desmanche, separação e transporte de carros condenados.

Todo o material plástico, por exemplo, pode ser reciclado e transformado em espuma para bancos, para-choques e outros componentes plásticos que não tenham função estética. Já os metais, como não perdem nenhuma de suas propriedades físicas na reciclagem, podem até mesmo voltar a ser um carro futuramente.

Agora, por favor, pedimos a todos um minuto de silêncio pelos carros sacrificados em nome destes vídeos.

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