O tempo passa diferente quando você tem uma relação verdadeira com um carro. Luciano Gonzalez sabe bem disso. O Voyage CL 1992 que está na família desde zero-quilômetro já está chegando aos 35 anos de companhia — e, para ele, o mais impressionante não é a longevidade da parceria, mas o fato de que o carro parece cada vez melhor com o passar dos anos.
Quem acompanha o FlatOut desde os primórdios do FlatOut Midnight deve lembrar do Voyage. Parece que foi outro dia, mas já se passaram quase oito anos desde aquela fase. E, nesse meio tempo, o carro passou por novas evoluções, sempre com a mesma filosofia: preservar sua essência e aprimorar cada detalhe.
Luciano resistiu o quanto pôde, mas recentemente foi preciso intervir na funilaria. Pontos de corrosão foram removidos, a pintura recebeu correções pontuais e até um martelinho entrou em ação para deixar a carroceria no ponto. O interior também evoluiu: os bancos foram revisados, mas mantiveram o tecido original; uma moldura para os manômetros entrou em cena; o velho Hallmeter HIS deu lugar a uma sonda wideband; e, como cereja do bolo, um manômetro de pressão de turbo foi embutido no painel, lembrando os kits Larus que marcaram época nos anos 1990.
As rodas ganharam nova pintura e calçam pneus Michelin XM2 na medida 185/55 R15. A suspensão recebeu um novo setup, desenvolvido sob medida pela Impacto Suspensões, com amortecedores e molas específicos para o carro. Na dianteira, freios maiores garantem a segurança necessária para acompanhar o aumento de desempenho.
A mecânica também foi alvo de atenção. O escape perdeu um abafador para melhorar a exaustão, o sistema de arrefecimento recebeu um radiador de alumínio brasado e passou por uma revisão completa, com bomba-d’água, sensores e válvula termostática originais Volkswagen. O sistema de respiro de óleo foi totalmente refeito, com duas saídas e uma caixa sob medida. O cofre do motor, já famoso pela organização, passou por mais uma repaginada para deixar tudo ainda mais limpo e funcional.

No fim das contas, a configuração segue fiel ao espírito original do projeto: o AP 1800 Turbo, carburado, entregando 230 cv no motor com 1,0 kg de pressão. Um conjunto que já roda há 13 anos com turbina, soma 177.000 km no hodômetro, mantém miolo original e nunca quebrou. É a prova de que, quando bem montado e cuidado, um AP turbo pode ser tão confiável quanto emocionante.

Apesar de toda essa preparação, o Voyage ainda tem a civilidade de um carro original. Nas palavras do dono: “o mais legal desse carro é que ele roda feito um carro original, tudo conversa bem — e não é porque é meu”.

Esse equilíbrio permitiu inclusive viver experiências além do asfalto comum. Luciano e sua esposa participaram de uma etapa do Rally de Regularidade de São Paulo, mostrando que o carro não é só um projeto de garagem, mas um parceiro de aventuras.

Depois de quase três décadas de convivência, Luciano acredita que finalmente chegou perto do que sempre quis com o carro. Pensa em pequenos detalhes estéticos, como um jogo de bancos Recaro revestidos com o mesmo tecido do CL ou um Pioneer DEH-836 para completar o interior. Na parte mecânica, ainda sonha em instalar o servofreio e a pedaleira da Parati G3 2.0, para melhorar a progressão do pedal. Mas, por enquanto, considera isso apenas “perfumaria”.

O importante é que, depois de 29 anos juntos, Luciano e seu Voyage seguem firmes — mais fortes e afinados do que nunca. Um verdadeiro caso de amor entre entusiasta e carro, daqueles que fazem a gente lembrar por que gosta tanto desse mundo.