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Project Cars

Project Cars #624: o “shakedown” do Volvo 460 de drift

Por Guilherme Miotto, Project Cars #624

Pra começar o texto, preciso pedir uma “licença poética” pelo carro estar com rodas cata-vento na dianteira — dado o contexto de tanta adaptação, posso garantir que tem mais loucuras pra mostrar. Mas até chegar ao porquê dessa roda aí, preciso dissertar um pouco sobre a evolução do carro.

E sim teve muito mais gambiarra.

Desde o primeiro post aconteceram mais mudanças no sistema de direção, a caixa de direção elétrica fazia muito esforço a ponto de torcer as regiões de fixação na carroceria do carro, então trocamos por assistência hidráulica mesmo. Como a caixa do Santana já foi feita para assistência hidráulica foi mais rápido de fazer a alteração, mas ainda assim pesa ao manobrar o carro parado. Pelo jeito a decomposição de forças devido ao formato do sistema que fizemos tem cobrado a sua conta. Também inverti os espaçadores deixando os mais largos na frente para ajudar no ângulo máximo de direção.

O cardã também foi retrabalhado com um tubo de maior diâmetro, soldamos o diferencial e o sistema de freio de mão hidráulico também foi concluído — embora este último tenha dado um trabalho que eu não esperava.

Em novembro do ano passado fui convidado por um amigo para participar de um evento de manobras aqui na região da Zona Leste de São Paulo. Seria uma boa oportunidade para testar o carro efetivamente. Conseguimos um guincho emprestado por outro amigo, e até então eu contava com apenas o conjunto de rodas e pneus já existentes no carro, e na circunstância não dava pra conseguir outras rodas. Lembramos que tinha guardado em casa um conjunto de cata-ventos esperando pelo próximo dono, daí colocamos um par na frente e assim eu poderia ter uma chance de brincar por mais tempo lá.

Poderia porque no primeiro zerinho que fiz aconteceu um barulho desagradável de coisas metálicas quebrando. Andei alguns centímetros pra frente e logo acabou a tração do carro. Foi o diferencial…

A primeira quebra foi dolorida, principalmente por que não consegui dar umas voltas pra matar a vontade. Apesar de ter ficado chateado no momento, estava junto com a família e amigos, eles me consolaram porque estar ali foi uma vitória, um primeiro passo e aprendizado também. A poeira abaixou e fui ver o estrago, felizmente quebrou apenas as engrenagens planetárias. Também danificou um pouco as satélites, mas até aí tudo bem pra um carro que seria blocado na solda novamente. Deixei o carro parado porque logo era dezembro e os planos de final de ano tomaram a frente. 

Na primeira segunda de 2026 comprei as planetárias, e no dia seguinte recebi um convite de um amigo de drift para participar do primeiro evento do predador2driftshow e doom_drift, a empolgação disparou. Então já corri com meu pai pra resolver o diferencial e revisar o freio de mão hidráulico. Dessa vez colocamos um cilindro de empilhadeira. Já ouvi relatos de usarem cilindro de Fusca, mas optei pelo outro por compatibilidade de furos de montagem, providenciei mais um par de rodas e instalei um sensor de pressão de combustível mas não consegui fazer funcionar a tempo.

Mais uma vez com um guincho cedido por amigo lá fomos nós, pai, irmão, namorada, cunhada e uma tremenda ansiedade de fazer drift. O evento foi uma junção de manobras em um lado da pista e drift em outra, foi legal de ver no mesmo espaço projetos com contextos diferentes, e eu ali no meio.

Fui o segundo a entrar na pista do drift, num mix de emoções maluco. O traçado era apertado então foi tudo de primeira marcha. O freio de mão não funcionou e me embananei pra caramba, errei bastante mas consegui acertar algumas, entre uns cones derrubados (e outros arrastados) lá estava eu entusiasmado pela primeira vez na vida fazendo drift de verdade.

Depois de finalizar a primeira volta já observamos muitas coisas que precisariam de atenção. Sambando com o carro pra lá e pra cá ficou evidente a necessidade de preparar a suspensão adequadamente. O freio de mão não funcionou por conta de vazamento na tubulação, a tampa de óleo também vazou mas felizmente bem pouco, e numa volta seguinte o carro quase aqueceu porque abriu um pequeno trinco no reservatório de água.

Fotos do dia do evento feitas por Mk Dub Films

Um pouco mais acima comentei sobre a primeira quebra porque teve a segunda também, quando fui andar mais uma vez a primeira marcha deixou seu posto. Aproveitamos o evento por mais um tempo, mas não deu pra ficar até o fim por conta de outros compromissos. Voltei pra casa com dois pares de roda intocados, de segunda marcha e com um mega sorriso no rosto por conseguir chegar onde cheguei. 

Bom, aquele plano de um projeto budget nesse momento foi às cucuias porque o carro precisa de mais atenção. Cumpriu o que deveria e fiquei contente com o resultado mas é necessário evoluir. Depois parei pra pensar, e se o vazamento de óleo fosse mais grave? O máximo que eu tinha era a luz do painel, não posso vacilar com essas coisas.

Aí está, o tijolinho faz drift! Tem muito trabalho pela frente e não vou parar por aqui, a meta é poder compartilhar mais avanços em breve, tanto técnicos quanto práticos meus e do carro também.

Quero agradecer a todo mundo que ajudou e apoiou esse projeto, por cada um que se envolveu até de forma indireta, sem vocês eu não conseguiria. Muito obrigado! Também agradeço demais ao Flatout por mais essa oportunidade!

De um irmão pra outro, um momento de enorme satisfação. Fotos do dia do evento feitas por Mk Dub Films

Enquanto isso a garagem de casa tá uma loucura de projetos, um ainda está no campo das ideias onde estou cogitando colocar um seis cilindros num carro que mencionei uma vez, enquanto que outro é um trabalho em equipe do meu pai, meu e do meu irmão, e esse projeto já está no forno, acho que já vi algo parecido por aqui?