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Sessão da manhã

Afinal, como é estar ao volante de um Lamborghini Countach?

O Lamborghini Countach é um daqueles carros que podem ser inteiramente descritos com clichês: “todo moleque dos anos 1980 teve um pôster dele na parede do quarto”, “o design faz parecer que ele está correndo mesmo quando está parado”, “na época os carros eram máquinas de verdade, não vinham cheios de eletrônica e não se dirigiam sozinhos”. Mas será que, na vida real, os clichês se confirmam?

Os caras do canal Everyday Driver (que compararam o Lancer Evo com o Subaru WRX da geração passada e o da geração atual) conseguiram um Countach 5000S 1985 para descobrir como é estar ao volante de um ícone na infância e juventude de muitos entusiastas, mas que faz parte da vida de poucos deles. Será que o que temos aqui é um daqueles casos onde vale a frase “nunca conheça seus heróis” (outro clichê, por sinal)? Bem, assista ao vídeo e descubra.

Para Todd Deeken (o cara de cabelo comprido) e Paul Schmucker, os apresentadores, a resposta é uma só: não. O carro é mesmo um ícone e digno de cada instante em que foi admirado na parede do quarto, em fotos e vídeos na internet e, ocasionalmente, em pessoa (não é um carro exatamente raro, mas também está longe de ser comum). Então, ao pegar a chave e abrir as portas tesoura, é inevitável não parar e ficar admirando o carro com as portas levantadas antes de sentar nele, virar a chave e sair acelerando.

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Marcello Gandini, que tinha 32 anos quando projetou o Countach, conseguiu com ele algo impressionante: criou um carro de linhas marcantes que, ainda assim, conseguiu permanecer atemporal ao longo dos 16 anos em que foi fabricado — de 1974 a 1990. Apesar disso, em uma coisa todo mundo concorda: o Countach é a cara da década de 80, e o LP500S (também chamado de 5000S, como no vídeo) veio bem no início dela, em 1982.

Naquele ano, o Countach já tinha perdido as linhas limpas e puras dos primeiros modelos e ganhado para-lamas alargados, novos para-choques e a icônica asa traseira. Ganhou também um novo motor — com mais deslocamento (de quatro para 4,7 litros), ficou mais potente: passou de 355 para 375 cv, enquanto o torque subiu de 36,3 mkgf para 42,6 mkgf a 4.500 rpm. É o bastante para acelerar até os 100 km/h em 5,4 segundos, com máxima de 257 km/h, dados de fábrica.

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E como é ter este carro à disposição? Bem, segundo os apresentadores o motor é meio preguiçoso até as 3.000 rpm, mas a partir daí ele desperta. O que não significa, porém, trocas de marchas alucinantes e aceleração monstruosa como a gente acaba esperando quando vê o Countach: as marchas do câmbio manual são longas (para se ter uma ideia, a primeira marcha te leva aos 135 km/h e a segunda, aos 180 km/h) e dão ao Lamborghini um quê de grand tourer.

A dinâmica também não é exatamente ágil, apesar do entre-eixos curto, da suspensão com braços triangulares sobrepostos na dianteira e braços arrastados na traseira. Além de não ser um carro leve — o 5000S pesa 1.480 kg —, a direção não tem assistência e é pesada mesmo em alta velocidade, e a posição de dirigir é bem apertada.

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Por outro lado, o Countach tem construção surpreendente firme e o interior é sólido (o que contrariou um pouco as expectativas dos apresentadores), ainda que a idade e a origem italiana não sejam negados pelo ar-condicionado que não gela e pelo velocímetro que não funciona. Em compensação, o hodômetro marca 71 mil km (não milhas) — o que significa que este carro rodou mais do que boa parte dos Countach que existem no mundo. Sendo assim, até que ele está bem conservado.

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Dirigi-lo é uma experiência única porque, conhecendo os superesportivos modernos (mesmo que só através de testes em revistas ou na internet), nos acostumamos com a ideia de que um supercarro é sempre cheio de tecnologia, tudo sempre funciona bem e que há assistências eletrônicas para te ajudar a acelerar sem riscos. Só que o Countach foi lançado nos anos 1970 — ele tem manivelas para abaixar os vidros, um painel que é na verdade um retângulo de plástico cheio de relógios e câmbio com pedal de embreagem e grelha na alavanca. Não dá para não se divertir com isto, não é?

 

Sendo assim, a conclusão dos caras (e também a nossa, assistindo) é que o Countach é, sim, um herói que vale a pena conhecer. Não foi à toa que fizemos uma lista com dez razões para gostar dele!

 

 

 

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