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As edições mais marcantes do GP do Brasil de Fórmula 1

Durante a semana, enquanto aguardávamos o GP do Brasil de 2015, decidimos perguntar aos leitores quais foram as edições mais marcantes na história das corridas de Fórmula 1 disputadas por estas terras. Agora, temos a lista com as respostas, que você confere a seguir!

 

A primeira dobradinha – 1975

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A corrida de 1975 foi especialmente marcante por ser a única vitória da carreira tragicamente abreviada de José Carlos Pace (leia mais sobre ela aqui) e também a primeira das 11 dobradinhas brasileiras na categoria, com Emerson Fittipaldi recebendo a bandeirada em segundo lugar a bordo de seu McLaren.

Pace foi carregado pela multidão que invadiu a pista, subiu ao pódio com a esposa grávida, ganhou a coroa de louros e deu um banho sem querer em Jochen Mass (aos 2:12 do vídeo acima). Foi a primeira dobradinha brasileira na Fórmula 1, algo que se repetiria em julho daquele ano com posições invertidas: Emerson em primeiro e Pace em segundo.

 

Os futuros tricampeões no topo – 1986

Jacarepagua, Rio de Janeiro, Brazil. 21-23 March 1986. Nelson Piquet (Williams Honda) and Ayrton Senna (Team Lotus) celebrate home drivers finishing in 1st and 2nd positions. World Copyright: LAT Photographic. Ref: Colour Transparency.

Foto: LAT Photography

Foi a segunda vez que Piquet e Senna dividiram o pódio da F1 — a primeira havia sido no ano anterior, em Monza, com Piquet em segundo e Senna em terceiro — e a terceira dobradinha do Brasil na categoria. Piquet já era bicampeão e estreava na Williams, enquanto Senna começava seu segundo ano na Lotus e tinha apenas duas vitórias na carreira. A rivalidade, contudo, já era acirrada — vide a famosa ultrapassagem de Piquet sobre Ayrton na Hungria.

A corrida começou com o Lotus 98T de Senna na pole, mas ele acabou prejudicado após tocar seu Lotus com o Williams de Nigel Mansell ainda na primeira volta. Quem aproveitou foi Piquet, que tomou a liderança e ficou lá até o fim da corrida, seguido por Senna. Os brasileiros só foram ameaçados por Alain Prost, mas o motor TAG-Porsche de seu McLaren MP4/2 mal aguentou metade da prova.

 

Na raça – 1991

AYRTON SENNA

 

Em 1991 Senna já era bicampeão do mundo, tinha vencido 27 vezes e tinha um carro excelente nas mãos. Mas ele ainda não havia vencido uma corrida no Brasil. Em 1991 ele fez o dever de casa: conquistou a pole, largou na frente e liderou a corrida com folga — especialmente depois que Mansell abandonou a prova.

Mas a cerca de dez voltas para o final, o câmbio do McLaren MP4/6 começou a ter problemas. Senna perdeu a quarta marcha e passou a saltar direto da terceira para a quinta. Em seguida as marchas foram falhando uma a uma, até que Senna se viu somente com a sexta marcha — o que seria um grande problema no miolo de Interlagos. O jeito foi fazer o possível para manter as rotações altas e segurar o carro no braço, torcendo para a embreagem durar até o fim.

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Senna conseguiu terminar a corrida em 1 hora, 38 minutos e 28 segundos — 2,9 segundos antes de Riccardo Patrese. Liderando de ponta a ponta, Senna finalmente vencia seu primeiro Grande Prêmio do Brasil completamente esgotado.

 

Senna nos braços do povo – 1993

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Em 1993, Senna voltou a Interlagos para conquistar sua segunda vitória no Brasil. No ano anterior seu desempenho não havia sido dos melhores na classificação e, para piorar, seu motor foi para o saco na 17ª volta. Sem os motores Honda e correndo contra Schumacher e seu Benetton, e Alain Prost com o Williams de outro planeta, a segunda vitória em casa não seria nada fácil.

Prost conquistou a pole e seu parceiro de equipe, Damon Hill, largou em segundo. Logo atrás, Senna alinhou no terceiro colchete, ao lado de Michael Schumacher. Logo ao acender a luz verde, Senna saltou à frente de Hill, posicionando-se entre o britânico e Alain Prost — que disparou na frente.

Senna vinha sendo pressionado por Hill, que acabou o passando na volta 11. Para piorar as coisas, na volta 25 Senna foi punido com um stop-and-go por passar um retardatário sob bandeira amarela e com isso saiu atrás de Schumacher, que vinha em terceiro. Então veio a chuva de Interlagos. Hill, Schumacher e Senna entraram para trocar pneus enquanto Prost arriscou seguir com os slicks. Na volta 30, Christian Fittipaldi rodou e parou no meio da pista. Prost perdeu o controle e acertou o brasileiro, causando a entrada do safety car para a limpeza da pista. Hill assumiu a ponta, seguido por Senna e Schumacher. Quando o safety car entrou nos boxes a chuva cessou e os pilotos voltaram a trocar os pneus. Foi quando Senna passou Hill, assumindo a ponta, onde ficou até o fim da prova, conquistando o GP do Brasil pela segunda vez.

Como na vitória de Pace, o público invadiu a pista e carregou Senna nos braços, antes dele ser levado para o pódio pelo safety car.

 

Rubinho na trave – 2003

Em 2003 Rubens Barichello voltou a Interlagos já com suas primeiras vitórias no bolso, um vice-campeonato e o melhor carro do grid. Se havia uma chance de ver Rubens no topo do pódio brasileiro seria naquela edição do GP.

E Rubens fez tudo certo: conquistou a pole position, e apesar de perder a posição na largada para David Coulthard, logo a recuperou e começou uma sequência incrível de voltas mais rápidas para abrir uma vantagem de 20 segundos — mesmo sob as várias tempestades que, para variar, passaram por Interlagos. O aguaceiro era tanto que oito dos vinte pilotos na pista acabaram rodando ou batendo devido à falta de aderência. Michael Schumacher, que não abandonava uma prova desde 2001 foi um deles — o alemão rodou no S do Senna na volta 27.

O bom trabalho de Rubens, contudo, foi interrompido por um golpe de azar: na volta 47, sua Ferrari perdeu ritmo e parou. O sistema de combustível falhou. Pane seca. Desolado, Rubens saiu do carro e assistiu o restante da prova ao lado dos fiscais, na beira da pista.

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Foi seu décimo abandono em 11 edições do GP do Brasil — até então, Rubens havia terminado somente a prova de 1994, quando chegou em quarto lugar. Como sabemos, Rubens infelizmente nunca conseguiu a vitória em Interlagos. Seu melhor resultado foi um 3º lugar em 2004 e o jejum de brasileiros vencendo no Brasil continuou até 2006.

 

A primeira de Massa em casa – 2006

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Felipe Massa deu as caras na Ferrari em 2006 e chegou mostrando serviço: depois de um terceiro lugar no GP da Europa e dois segundos-lugares nos EUA e na Alemanha, Felipe venceu o GP da Turquia — sua primeira vitória — e reacendeu a esperança da torcida de ver um brasileiro vencendo novamente em Interlagos. As expectativas ficaram ainda maiores com o segundo lugar de Felipe no Japão, a corrida anterior ao GP do Brasil.

No sábado, Massa conquistou a pole position. No domingo ele manteve a posição na largada, à frente de Kimi Räikkönen e Jarno Trulli. Fernando Alonso vinha em quarto. Apesar de cair para terceiro na troca de pneus, Massa estava atrás de Alonso e Button, que ainda não haviam parado. Ele logo reassumiu a dianteira e abriu uma larga vantagem de 23 segundos antes de fazer sua segunda parada e voltar na liderança. Depois foi só manter o ritmo e esperar a bandeira quadriculada.

Com a vitória, Massa quebrou um jejum de 13 anos. Ele correu com um macacão verde-e-amarelo especialmente feito para o GP do Brasil. Uma vitória merecida e emocionante — repetindo Senna, ele parou o carro para pegar a bandeira e dar a volta da vitória. Terminou em terceiro lugar no campeonato. Também repetindo Senna, Massa foi carregado pela multidão.

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Aquela corrida também marcou a primeira despedida de Michael Schumacher da Fórmula 1 — uma despedida amarga, já que o alemão perdeu o título de pilotos para Fernando Alonso, que comemorou o bi-campeonato.  Infelizmente, dois anos depois, o gosto amargo seria sentido pelo próprio Felipe.

 

Campeão por meio minuto – 2008

Brazilian Formula One Grand Prix: Race

Em 2008 Massa repetiu o roteiro de 2006. Conquistou a pole, liderou a corrida inteira e venceu. Mas foi uma vitória amarga, pois mesmo vencendo, Massa perdeu o campeonato.

A temporada de 2008 foi uma das mais disputadas da história recente da Fórmula 1. Massa e Hamilton eram os favoritos ao título e havia boas chances de finalmente vermos um brasileiro campeão da Fórmula 1 de novo. Seria preciso “apenas” que Massa vencesse a prova e Lewis Hamilton chegasse no máximo em sexto lugar.

Acontece que Massa foi traído pela maior característica de Interlagos: a chuva imprevisível. Com a pista meio molhada/meio seca nas últimas voltas, alguns pilotos decidiram arriscar terminar a prova com slicks para não perder posições. Massa venceu a corrida e, por dez ou quinze segundos, foi o campeão do mundo, já que Lewis Hamilton estava em sexto lugar. Contudo, Timo Glock, o quinto colocado, estava com pneus gastos e perdeu tração na penúltima curva. O destracionamento facilitou a ultrapassagem de Hamilton, que assumiu o quinto lugar, conquistou quatro pontos e foi aos 98 pontos, enquanto a vitória fez Massa chegar aos 97.

Foi um dia emocionante, e a vitória mais triste de um piloto brasileiro em casa. Poucas vezes na história da Fórmula 1 um piloto teve a oportunidade de conquistar um título em seu país de origem.

 

Bliltzkrieg Vettel – 2012

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Em 2012, Sebastian Vettel era o favorito ao título do mundial de pilotos. Ele estava 13 pontos à frente do segundo colocado, Fernando Alonso, e a matemática dizia que era praticamente impossível que Alonso o superasse — a não ser que algum imprevisto acontecesse. E aconteceu: Bruno Senna e Vettel se tocaram logo nos primeiros segundos de prova, e Vettel acabou rodando.

A frente do carro de Senna ficou destruída e ele foi forçado a abandonar a final. Vettel também teve danos leves a um dos difusores dianteiros do carro, mas sem pneus furados ou maiores problemas ele podia voltar à disputa… na 22ª posição. Ele precisava se endireitar e correr atrás do prejuízo — e foi o que fez numa guinada fantástica, saltando do fim do pelotão para o quinto lugar, logo atrás do espanhol.

No fim das contas, Alonso terminou em segundo e Vettel em sexto — o suficiente para manter a vantagem de pontos sobre Alonso e conquistar seu terceiro título — na carreira e pela Red Bull.

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