Há alguns dias, perguntamos a nossos leitores quais eram as preparadoras alemãs mais fodásticas de todas — não apenas as mais famosas, como Alpina ou Brabus, mas também as mais obscuras que, apesar de não serem tão conhecidas, também podem ser incríveis. A primeira parte da lista com as respostas já fu publicada aqui. Agora, vamos à parte 2!
Novitec
Você deve conhecê-la como Novitec Rosso e, pelo nome, talvez você pensasse se tratar de uma preparadora italiana. Mas não! A verdade é que a Novitec foi fundada em Stetten, na Alemanha, em 1989, por Wolfgang Hagedorn. Seu objetivo, desde o início, era preparar carros italianos — e ele começou, acredite, com o Fiat Uno!
Depois de alguns anos modificando carros da Fiat e da Alfa Romeo, Hagedorn eu um passo importante em 2004: ele fundou a Novitec Rosso, divisão feita exclusivamente para preparar os carros da Ferrari que se tornaria o carro-chefe da companhia a partir de então. Seu primeiro projeto foi uma Ferrari 360 Modena que, com dois superchargers em seu V8 de 3,6 litros, desenvolvia 572 cv — bem mais que os 405 cv originais.
Deste então, o sucesso da Novitec Rosso fez com que a empresa criasse outras duas divisões: a Novitec Torado, exclusiva para carros da Lamborghini; e a Novitec Tridente que, como você deve ter imaginado, é dedicada aos Maserati. Existe, ainda, a Spofec, especializada nos carros da Rolls-Royce.
ABT Sportsline
A ABT Sportsline é uma das maiores preparadoras especializadas no grupo VW do planeta. Foi fundada na cidade de Kempten, região da Baviera, na Alemanha, em 1991. O fundador, Johann Abt (você achou que ABT era uma sigla?), era piloto de motocicletas na década de 1970 e faturou alguns títulos regionais com motos preparadas pela Abarth. Quando abriu a companhia, em 1991, ele tinha o objetivo de formar uma equipe de corrida — e, de fato, a ABT venceu alguns campeonatos na Alemanha durante os anos 1990.
Até o VW Fox, vendido no Reino Unido, entrou na dança
Com a morte de Johann Abt, seus filhos Hans-Jürgen e Christian Abt continuaram tocando a companhia, desta vez com um foco maior na preparação de carros de rua. Sua especialidade não são apenas os carros da Audi e da VW, mas também da Seat e da Skoda — o que não é difícil de entender considerando que as quatro marcas compartilham diversos componentes, motores e plataformas entre si.
A marca da ABT são os body kits de visual agressivo, rodas maiores, pintadas de cores escuras, e um estilo de preparação focado em reprogramações eletrônicas (mas não limitado a elas, claro). O Golf R, por exemplo: originalmente, seu motor 2.0 TSi entrega 300 cv, mas a ABT oferece um pacote que aumenta a potência para 400 cv, acompanhada de modificações na carroceria, na suspensão e nos freios. Há diferentes níveis de preparação e pacotes comuns a diferentes modelos do grupo — as modificações feitas no Golf, por exemplo, também podem ser realizadas no Audi TT, que usa plataforma e motor semelhantes.
Modelos menos esportivos, como o VW Up ou as minivans que a Volks oferece na Europa, por sua vez, recebem modificações estéticas e aerodinâmicas.
Alpina
Foto: Petrolicious
Esta aqui, honestamente, dispensa apresentações — mas nós vamos apresentá-la do mesmo jeito: a Alpina é conhecida como “a segunda maior fabicante de BMW do planeta”. A primeira, obviamente, é a BMW, mas a Alpina (tal como a Ruf) é registrada no Kraftfahrtbundesamt, o ministério dos Transportes da Alemanha, como uma fabricante de automóveis, e não uma simples preparadora.
Tudo começou quando um cara chamado Burkard Bovensiepen colocou um carburador Weber de corpo duplo em um BMW Neue Klasse — a família de sedãs e cupês compactos que, com seu desempenho esportivo, visual agradável e preço camarada, começou a pavimentar o caminho que levou a BMW a ser uma das maiores fabricantes de automóveis do planeta, e deu a ela a reputação que tem hoje.
O fato é que, com o novo carburador, o motor 1.5 do BMW 1500 Neue Klasse ganhava 10 cv de potência, chegando aos 90 cv — a mesma potência obtida pela BMW dois anos mais tarde com a adoção do motor 1.8, que resultou no modelo 1800. Burkard ainda era um estudante de administração e engenharia, mas seu kit de carburação para os BMW chamou a atenção da imprensa automotiva da época e até mesmo do diretor de vendas da BMW, Paul Hahnemann, que em reconhecimento à qualidade dos componentes certificou a garantia de fábrica para os carros equipados com os kits Alpina a partir de 1964.
O detalhe é que a Alpina foi fundada pelo pai de Burkard, Rudolf Bovensiepen, e fabricava equipamentos de escritório, como máquinas de escrever. Burkard fundou a Alpina Burkard Bovensiepen KG, adotando este nome para manter a relação com os negócios do pai.
Entre 1968 e 1977, a Alpina fez nome nas pistas, com pilotos do porte de Derek Bell, Harald Ertl, James Hunt, Jacky Ickx, Niki Lauda, Brian Muir e Hans Stuck no comando de seus carros. O destaque, contudo, foi o ano de 1970, quando seus carros venceram não apenas o Campeonato Europeu de Turismo, mas também o Campeonato Alemão de Subida de Montanha e as 24 Horas de Spa — esta última, com Günther Huber e Helmut Kelleners ao volante de um BMW 2800CS.
A Alpina deixou as pistas em 1988 por causa das limitações de deslocamento e potência impostas pela FIA e, a partir daí, decidiu dar mais foco aos carros de rua. A tradição que começou no Neue Klasse se estendeu a outros modelos da BMW, como o 3.0 CSL e o Série 3.
Um de seus maiores clássicos é, sem dúvida, o Alpina B3, versão preparada do Série 3 que sempre funcionou como uma alternativa mais “grand tourer” ao M3. Atualmente, o Alpina B3 usa um seis-em-linha com dois turbos e 410 cv. Você pode ler toda a história da Alpina aqui!
Strosek
Esta é uma das obscuras: fundada em 1971 por Vittorio Strosek, a Strosek Design ficou conhecida na década de 1990 ao desenvolver kits aerodinâmicos para o Lamborghini Diablo, o Nissan 300ZX e o Porsche 911. No entanto, seus primeiros modelos foram o Porsche 928 e o Porsche 944.
A Strosek tinha um estilo de modificação bastante específico, adotando faróis com projetores (que ainda eram novidade nos anos 1990), formas limpas, sem vincos ou ângulos retos, e rodas mais largas.
Diferentemente das outras companhias nesta lista, a Strosek focava suas alterações no visual dos veículos, trocando peças da carroceria, rodas e elementos do interior, mas não costumava fuçar no motor dos carros. Tendo feito fama há cerca de vinte anos e depois meio que “desaparecido” do mapa — em meados dos anos 2000, Vittorio Strosek passou a trabalhar como designer freelancer para outras preparadoras alemãs, como a Ruf e a própria ABT.
Gemballa
A Gemballa foi fundada em 1981 por Uwe Gemballa, e começou fornecendo componentes aftermarket para os carros da Porsche. Com o passar do tempo, a empresa passou a desenvolver seus próprios kits de preparação, resultando em modelos como o Gemballa Avalanche, de 1984 — uma versão de 390 cv do Porsche 930.
Com o passar do tempo, a Gemballa começou a se especializar em body kits — alguns, bastante extravagantes e acompanhados de rodas maiores e coloridas e decalques de gosto um tanto duvidoso. No entanto, a preparadora nunca deixou de preparar motores — o Gemballa Mistrale, por exemplo, de 2011, é baseado no Porsche Panamera Turbo e entrega nada menos que 730 cv. Originalmente, o V8 entrega 578 cv.
No entanto, a Gemballa atual, fundada em 2010, é uma companhia diferente. Em maio daquele ano, Uwe Gemballa foi assassinado em Joanesburgo, na África do Sul — a suspeita é que tenha sido uma execução comandada por uma quadrilha de lavagem de dinheiro na qual Gemballa estava envolvido. Em seguida, a sede da companhia em Stuttgart foi fechada pelas autoridades alemãs. No entanto, em agosto, o CEO Andreas Schwarz e o investidor Steffen Korbach conseguiram comprar de volta os direitos pelo nome e abriram uma nova empresa.
Hamann
Como outras companhias desta lista, a Hamann foi fundada na Alemanha para mexer com carros alemães (especialmente os BMW) mas, com o passar do tempo expandiu sua atuação para outras marcas — Fiat, Mercedes-Benz, Maserati, Ferrari, Jaguar, Aston Margin e Lamborghini são só algumas delas.
A Hamann foi fundada por Richard Hamann (não confundir com Richard Hammond) em 1986, e seu primeiro modelo foi um BMW M3 E30 (a primeira e mais clássica geração) cujo quatro-cilindros de 2,3 litros recebia um turbocompressor. Assim, a potência saltava de 192 para 348 cv, e o carro era capaz de atingir os 100 km/h em 5,1 segundos.
Com o passar do tempo, a Hamann foi uma das empresas que começaram a exagerar um pouco no visual de suas customizações — algo que, convenhamos, é relativamente comum entre as preparadoras alemãs (veja a Brabus, por exemplo). No entanto, ainda restaram alguns projetos interessantes, como o Lamborghini Murciélago apresentado em 2008.
Além do visual modificado com novos componentes aerodinâmicos e rodas maiores, pintadas de preto fosco, o carro teve o motor refeito e, com um novo sistema de escape e ECU reprogramada, passou de 640 cv para 700 cv. E o ronco ficou um espetáculo!