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Car Culture

Caresto Jakob, Woody, V8 Speedster e T6 Roadster: o jeito sueco de fazer hot rods

Recentemente ou não, os hot rods já estiveram em evidência muitas vezes no FlatOut: já contamos a história do V8 flathead, dos recordes de Bonneville e, há pouco tempo, demos um mergulho bem fundo na Kustom Kulture (confira a parte 1 e a parte 2 aqui!) e explicamos a origem da arrancadas.

Além do fato de serem relacionados aos hot rods de alguma forma, todos estes assuntos têm outra coisa em comum: são tipicamente americanos. O V8 flathead surgiu no desabrochar da indústria automotiva americana, seguido da popularização das arrancadas, dos recordes nas planícies de sal e do nascimento da Kustom Kulture — tudo com o fim da Segunda Guerra como plano de fundo. Acontece que nem só de vermelho, branco e azul vivem os hot rods.

Se você acompanha o FlatOut, talvez lembre que também mostramos aqui a subcultura dos Raggare, os jovens suecos que, desde os anos 60, admiram a cultura automotiva americana e vivem como eles — dirigindo seus carros, vestindo suas roupas e ouvindo suas músicas em uma verdadeira celebração à cultura hot rodder ao estilo escandinavo.

Lembrando deles, faz sentido que um ex-engenheiro da Volvo, a maior fabricante de automóveis sueca, tenha usado os motores e a tecnologia da marca para fazer hot rods à sua maneira. Estamos falando da Caresto e de seus hot rods Jakob, Woody, V8 Speedster e T6 Roadster.

A Caresto foi fundada em 1996 por Leif Tufvesson, que deixou um importante cargo no departamento de desenvolvimento da Volvo para abrir sua própria companhia de design e construção de automóveis. Ele também integrou o time de pesquisa e desenvolvimento da Koenigsegg — a fabricante de supercarros sueca que acabou de revelar um supercarro de 1.500 cv sem transmissão, o Regera —, o que significa que ele também entende umas coisinhas sobre como fazer carros rápidos.

Não sabemos se Tufvesson é um fã dos Raggare, mas ele certamente curte os hot rods clássicos. Assim, em meados dos anos 2000, ele criou não um, mas quatro hot rods modernos que podem não ser tradicionais, mas certamente são belíssimas criações sobre quatro rodas.

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O primeiro a ganhar vida é, talvez, o menos famoso deles: o hot rod T6 Roadster foi criado em 2004 para o Sema Show de 2004 e, naquele mesmo ano, foi escolhido o hot rod do ano pela revista… Hot Rod. E ele tem belas credenciais para isto.

A primeira delas foi sua ousadia: enquanto a maioria dos hot rods usa carrocerias de modelos dos anos 30 e 40 com grandes e barulhentos motores V8 na dianteira (às vezes, sem qualquer tipo de cobertura, só para nos deixar babando em seus componentes mecânicos), o T6 Roadster foi construído artesanalmente com uma estrutura sob medida para abrigar um motor central-traseiro.

Volvo-T6-Roadster-Concept

O motor tem origem inusitada: trata-se de um seis-em-linha vindo do SUV XC90 de primeira geração. Mais especificamente, a versão T6, cujo motor de 2,8 litros entregava de 271 cv com a ajuda de dois turbocompressores. Preparado para entregar 330 cv 5.400 cv, o seis-cilindros é acoplado a uma caixa manual automatizada Geartronic de cinco marchas que leva a força para as rodas traseiras.

A carroceria projetada por Tufvesson é feita com painéis de fibra de carbono e alumínio moldado à mão – como é a estrutura tubular de alumínio. O layout com o motor atrás dos bancos permitiu que debaixo do capô fossem alocados um pequeno compartimento de carga e os módulos eletrônicos do carro.

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A suspensão usa um sofisticado sistema independente com braços triangulares sobrepostos e feixes de molas de fibra de carbono, enquanto a traseira tem amortecedores hidráulicos Öhlins que ficam expostos no compartimento do motor — cuja tampa se abre automaticamente quando o motor chega a uma temperatura pré-estabelecida para ajudar na ventilação.

Os freios são da Tarox, com discos de 330 mm de diâmetro mordidos por pinças de seis pistões. Eles são abrigados por rodas de 20×8,5 polegadas na dianteira e 22×10 polegadas na traseira.

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O interior, de acordo com a Caresto, é “todo revestido no melhor couro escocês” e tem todos os componentes feitos sob medida para dar ao Roadster um “visual esportivo e original de fábrica”. E se você pensa que é tudo perfumaria, saiba que o T6 Roadster passou por 10.000 km de testes em vias públicas por toda a Europa. Ele até apareceu, em 2011 à venda no eBay por US$ 23 mil.

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A próxima obra de arte da Caresto foi algo um pouco mais purista — ao menos no número de cilindros. O V8 Speedster, que estreou no SEMA Show em 2006, honra o nome e é movido por um V8 de 4,4 litros que foi introduzido em 2005 para modelos grandes, como o XC90 de primeira geração e o sedã S80.

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No Roadster ele entrega 315 cv a 5.800 rpm com gasolina e 340 cv a 5.850 rpm com etanol. Sim, o motor é flex, e acoplado a uma caixa semiautomática de seis marchas.

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No mais, boa parte das especificações técnicas do T6 Roadster se aplicam ao V8 Speedadster: o modo de construção, os materiais usados e até a tampa traseira que se abre automaticamente são idênticos, ainda que o visual seja um pouco mais comportado e tradicional — nada que tenha impedido o hot rod de ganhar o prêmio de carro mais inovador no Grand National Roadster Show (um dos maiores encontros de hot rods dos EUA) em 2007.

Mas você quer algo tradicional de verdade? Então o seu Caresto preferido será, certamente, o Hot Rod Jakob, de 2009.

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“Jakob” era o apelido do Volvo ÖV 4, nada menos que o primeiro modelo produzido pelos suecos. O apelido tem uma história interessante, pois veio de um dos 10 protótipos construídos. É uma tradição comum na europa associar cada dia do ano a um nome diferente, e Jakob era o nome do dia 25 de julho, quando o carro ficou pronto.

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Idealizado para comemorar os 80 anos da Volvo em 2007, o Hot Rod Jakob une o visual do ÖV 4 e técnica de construção clássica com tecnologia moderna. A carroceria, por exemplo apesar de imitar as formas do ÖV 4 (que era um conversível de quatro lugares com motor de quatro cilindros, 1,9 litro e 28 cv), foi feita à mão com painéis de alumínio moldados de forma artesanal.

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A suspensão usa uma combinação inusitada de eixo rígido na traseira com braços triangulares sobrepostos na traseira. O detalhe é que todos os componentes, e também o sistema de escape, foram “escondidos” dentro da carroceria.

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O Hot Rod é menor que o carro original, sendo um roadster de dois lugares, e é equipado com um cinco-cilindros turbo de 2,5 litros desenvolvido pela Volvo em parceria com a Ford — e encontrado no cofre de diversos modelos das duas marcas, do Volvo V40 ao Ford Focus RS da geração passada. Com 265 cv, ele é posicionado na dianteira e acoplado a uma caixa manual de cinco marchas. Afinal, você não iria querer acelerar um carro com este visual que trocasse as marchas sozinho, não é?

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Todo o carro é uma mistura de elementos clássicos e engenharia moderna: pendurada à frente da grade está uma maleta de couro que, na verdade, é uma caixa de ferramentas. As rodas são de 19×8 e 22×10 polegadas na dianteira e na traseira, calçadas com pneus Pirelli Scorpion de medidas 225/55 e 295/40, respectivamente. Os discos de freio perfurados, feitos sob medida, medem 450 e 515 mm (frente e traseira) e são mordidos por pinças de quatro pistões nas quatro rodas.

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O interior, apesar de frugal, é muito aconchegante com couro de primeira por todos os lados e um banco inteiriço embutido na carroceria, com o carona ligeiramente deslocado para a frente.

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Ainda em 2009, a Volvo apresentou o Woody, de aspecto semelhante ao Jakob, porém com toda a parte posterior feita de maple, tornando seu visual ainda mais old school. O Woody também usa pneus maiores e freios menores, produzidos sob medida pela Brembo.

Ambos os carros receberam os prêmios de carro mais inovador no Elmia Show 2009 — a versão sueca do SEMA — e de Hot Rod do ano pela revista hot rod. Ambos ficam hoje na entrada da sede da Volvo em Gotemburgo.

Estas, porém, não foram as únicas criações da Caresto – eles também foram os responsáveis pelo Rebellion R2K, um Ultima GTR convertido em um protótipo Le Mans para as ruas, sob encomenda do esquiador sueco milionário Jon Olsson. Afinal, não dá para ser retrô o tempo todo!

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