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Project Cars Project Cars #343

Chevrolet Chevette 2.0: a história do Project Cars #343

Caros Flatouters, com havia dito antes, sou engenheiro mecânico, tenho 41, moro em Niterói-RJ e minha paixão por carros acho que veio de família, já que passei alguns anos visitando oficinas desde criança, pois dois tios possuíam oficinas de diesel e caminhões.

Na época de faculdade eu tive um Chevette 83 a álcool, e no laboratório de mecânica tinha um motor de opala 4cil zero na bancada. Por vezes, eu e meu compadre Léo Grecchi (amigos de colégio, faculdade e um é padrinho de casamento do outro) estudávamos se podíamos fazer a troca do motor do Chevette pelo do opala sem dar alguma encrenca na faculdade, isso lá por volta de 1994. Bom, o projeto não foi pra frente, mas a vontade sempre ficou.

Em 2014 lá estava eu trabalhando com Campos dos Goytacazes, onde já possuía alguns carros antigos, como um Galaxie 76, um Malibu 75 e um Oldsmobile 65, e sempre conhecido como o cara que tens uns carros velhos… Dessa fama, um colega de trabalho, do interior de Minas, com aquele sotaque bem puxado me disse: “-Ocê que gosta duns carro véio, meu vizinho é um veínho de 84 anos que tá vendendo um Chevelho. Cê num qué não??”

Mexeu com sentimento antigo..

Fui lá ver o tal Chevelho. Chegando lá, um carrinho alinhado, com pequenos pontos de corrosão em volta do parabrisa tampados com uma singela durepóxi, alguns arranhados pintados com tinta de parede, mas o interior do carro com a forração original, e um toca fitas TKR cara preta no console!! Conversando com o senhor dono do carro, descobri que o carro era dele havia 30 anos, sendo ele o segundo dono. Por motivos de idade, ele já não mais dirigia e precisava vender o ser “xodó”, como a própria esposa dele disse.

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Levei o Chevettinho pra casa! Pronto, era a hora de começar a inventar, ia pra garagem e ficava olhando pra ele e pensado o que iria fazer. Comecei as pesquisas e ao invés de colocar o motor de Opala, na época resolvi mexer no próprio motor do Chevette.

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A primeira opção escolhi era pegar um bloco do 1.6, colocar pistões de Monza passando o bichinho pra 1.7, trabalhar o cabeçote do 1.4 mesmo e colocar um comando melhor e um carburador 3e, fazendo assim um carrinho mais esperto, e futuramente pensava num turbo. Comecei a caça as peças, comprei um 3e zero e um adaptador pro coletor. Achei um cara que fazia o cabeçote preparado a base de troca, e estava rodando alguns ferro velhos de Campos (já era figurinha conhecida atrás de pequenos detalhes) atrás de um motor 1.6. Encontrei também um par de bancos Picolé, já que os meus eram sem encosto de cabeça.

A cada dia era uma procura diferente, até que certa vez aparece o capetinha no ouvido, outro maluco por carro que também trabalhava comigo e soltou: “-Aí, já viu Chevectra?”

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Pronto, curiosidade é tudo.. Comecei a procurar assuntos relacionados a tal adaptação e vi que era mais simples do que eu imaginava, porém com algumas pequenas dúvidas que ninguém explica, mas corri atrás para saber e vou contar para todos, tudo que eu vi e perguntei em vários outros projetos. Mas daí só tinha um pequeno problema, arrumar o tal motor GM família II em bom estado. Todos que eu achava era com preço nas alturas, sem falar nos agregados que tinham que vir separado, isso bateu um desânimo. Daí a ideia de fazer o motor original voltou. Quando tinha adquirido mais algumas peças, como bobina melhor, um coletor de descarga pra turbo(projeto futuro), veio o capetinha de novo: “-Aí, achei um ferro velho com carros de seguradora e um camarada meu disse que tem um Astra filé lá, e tá com motor no lugar.” Pensei comigo, mais um pra meter a mão, mas fui lá ver..

Astra 2003 2.0 gasolina com a frente um pouquinho batida e pasmem, 17.000km originais! O carro havia sido roubado, como a seguradora não achou o carro, pagou ao cliente e deu baixa do veículo junto ao detran. O carro foi achado um bom tempo depois, mas não poderia ser comercializado.

Negociei o motor completo, com injeção, módulo, code, alternador, embreagem, tudo para colocar no pequeno Chevette sem ter que me preocupar em correr atrás dos acessórios. Tudo com nota fiscal e documentação para legalização.

 

Trouxe o carro em Agosto de 2014 pra Niterói e nesse tempo fui transferido pra Santos, ou seja, projeto parado. Para piorar me casei em Maio de 2015, mais tempo parado!

Ah, detalhe, o maior risco do meu projeto.. Minha esposa não sabe do carrinho!

De final do ano passado pra cá que eu comecei a dar andamento no projeto que consiste em:

Motor: Astra 2.0 a gasolina injetado, usar o suporte do motor do Ômega 2.0 ou 2.2 ecoxim de Opala 4 cil, cabe perfeitamente no berço do Chevette.

Caixa: a do Chevette mesmo, utilizando a capa seca vendida pela Adap Brasil, material de primeria qualidade, parece original, acopla perfeitamente a caixa do Chevette com o motor GM II, para isso utilizar o platô do astra com o disco e colar do Chevette.

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Para não ficar com relação curta do Chevette antigo, 4:10 eu adquiri(por sorte) um diferencial do Chevette automático com relação 3:54 já com disco de pinça de freio adaptado do Golf.

Freios: como disse antes, traseiro com o conjunto do Golf, e o dianteiro adquirido da Power Brakes de 239mm ventilado.

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Rodas: Mandei fazer um trabalho numas rodas de Monza SR que adquiri nesse meio tempo, passando de 14” para 15” e 7,5 de largura na dianteira e 8” na traseira. Eu tinha comprado várias rodas para esse carro, pois a oportunidade surgia e a idéia mudava!! Tenho um jogo 13” original do modelo tubarão com calota, tenho um jogo de cruz de malta e um jogo de mexerica Italmagnésio.

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Interior: Vai ganhar uns bancos “picolé” do próprio Chevette e painel e console do GP, além de uma forração de teto nova estilo original e tapete novo. Os painéis de porta continuam os mesmos.

Exterior: Vai ganhar uma pintura nova Branco Everest com filetes pretos e as borrachas dos vidros terão os frisos cromados.

Todo material sendo comprado, em paralelo o carro na lanternagem e pintura.

Em breve atualizações do projeto.

Por Konder Baldin, Project Cars #343

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