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Car Culture

Clássicos em alta definição: como o passado é recriado com fotos e computadores


Se você curte os clássicos do cinema, ou então gasta horas assistindo a vídeos antigos de automobilismo no YouTube ou em qualquer tela, certamente já se pegou por um momento imaginando como eram aqueles lugares, aquelas roupas, carros, texturas e cores na realidade da época se tivessem sido capturados com tecnologia moderna em vez de câmeras primitivas com baixíssima qualidade que reduziam todo o espectro luminoso a tons de cinza.

Quer dizer… até havia recursos para se fotografar com alta definição de cores e formas na época, como os filmes diapositivos Kodachrome da Kodak. Só que eles eram revelados por um processo extremamente trabalhoso e por isso também muito caro — cada cor era revelada em etapas separadas e somente uns poucos laboratórios no mundo todo faziam isso. Você comprava o filme com o preço da revelação embutido e, após usar todos os quadros, bastava enviar o filme para a Kodak por correio e esperar algumas semanas para ter suas fotos de volta. O resultado era exatamente este:

Fotos: Shorpy

Incrível, não? Mas infelizmente a realidade para a maioria dos fotógrafos — especialmente os fotojornalistas, que não podiam esperar semanas para publicar as imagens da notícia — eram os filmes pancromáticos em tons de cinza. São os populares filmes em “preto e branco” do passado. Eles eram bem mais rápidos e simples de se revelar — o processo de revelação do negativo levava menos de meia hora nas mãos de um fotógrafo experiente.

E é por isso que o automobilismo dos anos 1930, 1940 e 1950 foi quase totalmente registrado sem cores, nem riqueza de detalhes e variações de texturas — tudo era limitado pela variação de tons de cinza. E também é por isso que frequentemente viajamos na imaginação, pensando como era uma Ferrari 250 GTO recém-saída da fábrica? Como era o brilho da pintura prateada dos Silver Arrows da Mercedes e Auto Union? E os gorros de couro que os pilotos usavam como capacetes?

Pensando nisso, os caras da Unique & Limited decidiram recriar eventos do automobilismo dessa época usando as tecnologias modernas — e claro, a camaradagem dos proprietários dos clássicos — para produzir imagens que nunca puderam ser registradas em alta definição ou em qualquer outra forma. Já falamos brevemente neste post sobre a história das Flechas de Prata do automobilismo dos anos 1930 e 1940, mas agora veremos como eles fazem essas belíssimas recriações e interpretações de um passado que só existia na memória de quem viveu a época.

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Todo o trabalho é feito basicamente como um filme de época: locações históricas, carros originais, figurino extremamente fiel e atores no lugar certo. A diferença é que em vez de um enredo que se estende ao longo de cerca de duas ou três horas, o ponto de partida é um episódio do automobilismo do passado — especialmente aqueles que não foram registrados por fotos ou vídeos.

Até agora eles produziram seis tipos de coleções diferentes: uma com a Ferrari 250 GTO, outra com o Porsche 917K, outra sobre o Blitzen Benz (leia mais sobre ele aqui), sobre os Silver Arrows, sobre a Batalha da Grã-Bretanha e uma última apenas com os carros sobre cores. Também como um filme de época, as imagens são compostas por uma combinação de fotografia e computação gráfica.

[vimeo id=”140194029″ width=”620″ height=”350″]

Tudo começa com uma pesquisa história: os fatos mais marcantes, episódios mais importantes, personagens, locais, contexto histórico etc. Em seguida, a equipe da Unique & Limited define o conceito criativo da imagem — nessa etapa são definidos todos os detalhes que irão aparecer na imagem, como se fosse a redação de um roteiro, a escolha de atores e do figurino e outros aspectos criativos de um filme. Essa etapa resulta em um rascunho da imagem desejada.

Depois vem a parte de pré-produção: com o conceito definido, é preciso fazer o planejamento para selecionar locações, atores, carros, equipamentos, figurino e acessórios. Nessa etapa a equipe verifica a viabilidade de viagens aos lugares onde os episódios históricos aconteceram, locação ou empréstimo de carros, contratação de atores etc. Com a lista de tudo o que é necessário em mãos, é montado um cronograma de produção que deverá ser seguido à risca para que o conceito criativo seja transformado nas imagens desejadas.

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Só depois disso tudo é que o esboço começa a tomar forma. Paisagens e locais são fotografados sob vários ângulos e luzes diferentes, os carros são levados ao estúdio ou às locações onde também são fotografados. As fotos são feitas com câmeras Hasselblad de médio formato — resumidamente são câmeras de alta definição, capazes de fotografar em 40, 60 ou até 80 megapixels reais — resultando em imagens com altíssima fidelidade.

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Com as fotos prontas vem a modelagem em 3D. Como os carros da época são extremamente raros e caríssimos de se transportar e precisam de seguros milionários, quase todas as imagens usam carros modelados digitalmente em três dimensões. Cada carro usa em média mais de 23 milhões de polígonos tridimensionais. Depois da modelagem são aplicadas as texturas e reflexos que darão o realismo aos carros.

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Por último, vem a composição da imagem, quando os modelos em 3D, as fotografias em locação e de estúdio e demais elementos são combinados para formar a cena final. É nessa etapa que são inseridos elementos como fumaça, faíscas ou poeira. Depois, a imagem é impressa por impressoras de grande formato em papel de alta qualidade e as impressões são emolduradas e vendidas no site dos caras.

 

 

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