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Trânsito & Infraestrutura

Mais de um quinto das mortes em rodovias federais acontecem em apenas 27 trechos

Você certamente deve conhecer algum trecho de rodovia considerado perigoso ou chamado de “rodovia da morte”. Eles existem em praticamente todas as regiões ou estados do Brasil e têm muito mais em comum do que as estatísticas mórbidas.

O jornal Folha de S. Paulo, analisou quase 15.000 acidentes registrados nos principais feriados de 2013 pelas planilhas da Polícia Rodoviária Federal e descobriu que 21% das 759 mortes causadas por estes acidentes aconteceram em apenas 27 trechos que somam 1.200 km, ou apenas 2% da malha rodoviária federal.

A maioria destes trechos têm entre 30 e 50 km, e pistas simples que atravessam serras com percursos sinuosos. Um dos trechos mais críticos com essas características fica na BR-116, entre Itapecerica da Serra/SP e Miracatu/PR, na Serra do Cafezal (foto abaixo). Ali morreram 18 pessoas nos feriados do Carnaval, Páscoa, Natal e Ano Novo de 2013. No trecho, há fluxo intenso de caminhões e, por se tratar de uma subida, a velocidade acaba sendo bem reduzida. Assim, é comum ver motoristas impacientes ultrapassando filas pelo acostamento ou arriscando ultrapassagens forçadas. O resultado não surpreende.

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Outros trechos críticos têm pistas duplicadas, mas cruzam áreas urbanas com alta concentração de veículos, e acabam funcionando como avenidas. Nesse caso há um fluxo intenso de motoristas e motociclistas em velocidades mais baixas viajando entre caminhões e outros veículos em velocidades acima de 100 km/h. Essas características são observadas em trechos da Via Dutra (BR-116 entre Rio de Janeiro e São Paulo) como em Nova Iguaçu/RJ, São José dos Campos/SP e Guarulhos/SP.

Embora a condição esteja ligada diretamente ao atraso na adequação da infra-esturutra rodoviária em relação ao crescimento da frota nacional — a duplicação da Serra do Cafezal, por exemplo, se arrasta desde a década de 1990 e está prevista para terminar somente em 2017 —, é interessante notar que os acidentes em sua maioria acontecem por falha humana. Eles seriam facilmente evitáveis com um comportamento mais adequado dos motoristas em relação às condições da via, como aprendemos nas primeiras aulas da auto escola.

[ Fotos: Lucas Lacaz/AE (abertura), BemParaná.com.br (Serra do Cafezal) ] 

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