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AMG finalmente encerra o C63 2.0 “com tecnologia de Fórmula 1” e traz de volta o seis-em-linha

A Mercedes-AMG confirmou que o C 63 com motor quatro-cilindros híbrido está com os dias contados. No lugar volta o V8? Não. O Classe C volta às suas origens com um seis-em-linha – mais especificamente o M256 3.0 turbo que já equipa o AMG CLE 53, porém sem o sistema de 48 volts. Sim, você leu direito: zero eletrificação.
O anúncio foi feito pelo chefe da AMG, Michael Schiebe. Mas quer saber qual a explicação oficial para a troca do motor? Não foi “erramos, achamos que os clientes trocariam o ronco de um V8 pela tecnologia mais chata da história da Fórmula”. Não, meus prezados FlatOuters. Segundo ele, o motivo de defenestrar o 2.0 do C63 foram as normas de emissões EU7. Acredite: “Sob as regras do EU7 é muito difícil manter o quatro-cilindros no futuro. É por isso que vamos deixar de oferecer o M139 e, no segmento médio, vamos substituí-lo pelo seis-em-linha.”
Enquanto a gente finge que isso é verdade, vamos aos fatos: o motor terá 443 cv e 57 kgfm — números bem mais modestos que os 671 cv e 103 kgfm do atual C 63 híbrido. Mas… é importante notar que o C53 não precisa ser o modelo de topo da linha AMG da Classe C. Nada impede a Mercedes de lançar o C63 com o mesmo V8 do CLE 63 — o que parece que acontecerá em algum momento.
Na prática, o C53 substitui ao mesmo tempo o C43 e o C63 — ao menos no início desta segunda metade da geração W206. A estreia do novo C 53 deve acontecer no segundo semestre de 2026, acompanhando a atualização da Classe C. Como a arquitetura é compartilhada com o GLC, é razoável esperar o mesmo conjunto também no SUV.
Problemas da Porsche com elétricos podem matar o novo Audi TT

O possível cancelamento dos Porsche 718 elétricos pode afetar também a Audi: sem ele, a marca das quatro argolas ficaria sem uma plataforma elétrica para desenvolver o Concept C, o “TT elétrico”.
Com a chegada do novo CEO Michael Leiters, a Porsche iniciou uma revisão de custos e prioridades e logo ficou claro que um dos seus maiores problemas, atualmente, é o projeto do 718 elétrico, marcado por atrasos, custos crescentes e um impasse no fornecimento de baterias após a quebra da sueca Northvolt. Segundo fontes ouvidas por Handelsblatt e Bloomberg, a continuidade do projeto passou a ser questionada abertamente dentro da empresa.
O detalhe é que o Concept C da Audi depende exatamente da mesma plataforma elétrica desenvolvida pela Porsche. A ideia original era dividir custos, acelerar o desenvolvimento e lançar dois esportivos elétricos com a mesma base. Sem o Porsche, não teremos o Audi — que até. poderia continuar o desenvolvimento sozinha, mas a que custo? Segundo a imprensa alemã, a cifra chega às centenas de milhões de euros. Diante do cenário do mercado europeu e da nova perspectiva para os elétricos, a alternativa mais razoável talvez seja mesmo engavetar o projeto.
A plataforma SSP, que servira à próxima geração de elétricos do grupo, só deve ficar pronta por volta de 2028. Ou seja: não há plano B. Enquanto isso, a Porsche vê as vendas do Taycan despencando na China, projeções reduzidas drasticamente e o fechamento de mais de um terço de suas concessionárias no país.
Para a Audi, a situação é ainda pior: o Concept C foi apresentado em setembro passado, em Milão, com o discurso de que ele era “a primeira evidência visível da transformação da Audi”, um carro que definiria a nova linguagem de design e serviria de base para futuros modelos. Agora, esse carro pode simplesmente deixar de existir. E o futuro, como fica?
Por enquanto, a Porsche diz que nenhuma decisão final foi tomada e a Audi se recusa a comentar o futuro do Concept C. Mas o quadro geral é claro: todas aquelas apostas tão certeiras, feitas no auge do entusiasmo elétrico, estão sendo revisadas, cortadas ou simplesmente abandonadas quando a realidade se impõe.
BMW iX3 tem câmera 360°… mas só por assinatura

Falando em erros estratégicos, a próxima notícia do dia é sobre a BMW, que jura ter aprendido a lição com o fiasco da assinatura para bancos aquecidos, mas, parece que foi só um pano quente para abafar um pequeno fiasco. Isso, porque no novo iX3, eles voltam a apostar no modelo de recursos por assinatura, dentre os quais está algo que já é considerado básico em carros do tipo: as câmeras de 360 graus.
O carro sai de fábrica com todo o hardware — ou seja: você COMPRA as câmeras e sensores. Mas o software que faz tudo funcionar… esse só pagando mensalidade. Muito espertinha, dona BMW. Vai dar super certo. As pessoas que desembolsam US$ 60.000 vão adorar saber que precisam pagar US$ 20 todos os meses pra usar um recurso que já está no carro que elas compraram.
Como se não bastasse, a BMW também incluiu no serviço o pacote Driving Assistant Pro, que inclui a condução semi-autônoma em ruas e estradas — algo que a Tesla entrega com o carro há quase dez anos.
A BMW admite, sem rodeios, que cobrar por bancos aquecidos foi um erro. Ainda assim, sustenta que a lógica das assinaturas continua válida para sistemas mais complexos. Segundo Alexandra Landers, chefe de comunicação de produto da BMW, há custos recorrentes envolvidos, especialmente com uso de nuvem e processamento de dados — o que não faz sentido algum com um sistema de câmeras de 360 graus. Ou a BMW está ligando as câmeras a servidores em nuvem?
Na visão da marca, cobrar apenas de quem usa é mais “justo” do que embutir tudo no preço inicial do carro. É por isso, sra. Alexandra, que existem os pacotes opcionais. Quem quer usar, compra o equipamento. Quem não quer, não compra. Se as fabricantes conseguem economia de escala reduzindo trilhos de bancos e parafusos de roda, tenho certeza de que a BMW conseguirá reduzir o custo de produção removendo o hardware que o motorista não deseja.
Em alguns mercados, a lista de recursos sob assinatura vai além. Na Austrália, por exemplo, a suspensão adaptativa pode ser ativada após a compra por cerca de US$ 20 mensais, com um mês de teste gratuito. Tráfego em tempo real também entra nesse pacote variável, dependendo da região. É, de longe, a decisão mais patética que uma grande fabricante tomou. Mais do que colocar um motor 2.0 turbo num C63 AMG.
A BMW argumenta que o modelo dá liberdade ao cliente, que pode mudar de ideia ao longo do tempo. Se dois anos depois ele decidir que quer assistência avançada no trânsito pesado, basta entrar no app e pagar. Além disso, atualizações de software over-the-air para os sistemas de assistência ficarão restritas a quem mantém a assinatura ativa.
E se você acha que chegará o dia em que a fabricante cobrará por mais potência, fique tranquilo: a BMW diz que não pretende fazer isso. Segundo a marca, restringir desempenho para depois vendê-lo como upgrade “não faz sentido” e não combina com sua filosofia. Curiosamente, vender um conjunto de câmeras e cobrar pelo botão de ligar e desligar, combina. E isso é tudo o que temos a dizer. Deixemos o mercado falar por si.
Mais um game nostálgico de Fórmula 1 — agora para Nintendo e PC

Em meio a Mario Kart, F-Zero ressuscitado e ports modernos de simuladores mais sérios, ainda há espaço para um tipo específico de jogo de corrida: o arcade raiz. No final do ano passado vimos Grand Pro Circuit. Agora temos 4PGP (Four Player Grand Prix). É um jogo indie para Nintendo Switch (e PC em breve) que olha para Virtua Racing, para a Fórmula 1 dos anos 1990 e, sem vergonha alguma, faz igual.
Os carros são releituras da Fórmula 1 dos anos 1990, e os circuitos são versões adaptadas de pistas reais, pensadas para voltas de 40 segundos. Spa ganha um túnel gigantesco, Mônaco fica absurdamente estreita, mas tudo é exatamente como a gente lembra da época dos fliperamas.
Na pista, 4PGP é simples e rápido. A física é extremamente aderente, quase grudada no asfalto, com pouco ou nenhum jogo de peso e praticamente zero escorregamento. Os freios, como um bom arcade do início dos anos 1990, mais atrapalha do que ajuda na maioria das curvas. Você aperta o botão de acelerar e praticamente não solta — o desafio vem mais da gestão do boost e das paradas, que funcionam como zonas de recarga ao estilo Top Gear.

A inteligência artificial do jogo segue o padrão da homenagem: carros do computador largam com vantagem absurda e depois vão “deixando” você chegar. O maior problema está nas colisões. Os rivais ora parecem muros intransponíveis, ora quicam de forma imprevisível, e quase sempre quem leva a penalidade é o jogador.

A apresentação é energética, a trilha sonora tem Tomoyuki Kawamura, veterano de Sega Rally, e o envolvimento de Kenji Sasaki, nome-chave de Ridge Racer e Sega Rally, não é mero marketing. Há algo na movimentação dos carros, no balanço da carroceria e na estética exagerada que realmente remete à nostalgia dos arcades de corrida. As texturas são propositalmente simples, os sprites digitalizados no cenário e cores saturadas constroem uma identidade coerente, ainda que irregular. No Switch OLED, roda a 60 fps estáveis; no Switch 2, promete 120 fps.
Fiat já está testando o novo Fastback

A Fiat parece pronta para atacar, de frente, a crítica mais recorrente ao Fastback atual: o espaço interno e a traseira corcunda. O modelo abandonará a plataforma MLA, hoje compartilhada com o Pulse, e passará a usar a CMP, a mesma do Citroën Basalt. O entre-eixos atual de 2.530 mm, um dos menores do segmento e principal limitador do espaço interno, deve crescer para algo próximo dos 2.645 mm do primo francês.

Os flagras também sugerem que o crescimento corrige as proporções, com um balanço traseiro mais curto e menos pesado visualmente, tampa do porta-malas mais reta e arcos de roda mais destacados. A identidade visual, como esperado, bebe bastante da fonte do Grande Panda, com faróis full-LED mais finos, grade frontal fechada com padrão pixelado e o novo logotipo retrô da Fiat.

Por dentro, a Fiat segue um caminho próprio. Diferente do que se vê no Grande Panda, no Citroën Aircross ou no Opel Frontera, o Fastback aposta em um painel com quadro de instrumentos digital compacto e um sistema multimídia maior elevado. Há materiais que imitam couro no painel, botões físicos abaixo da tela, console com acabamento em preto brilhante e bancos com desenho novo, incluindo padronagem quadriculada e apoios de cabeça semi-integrados.

Além de substituir o Fastback vendido hoje no Brasil, o modelo passa a ocupar um espaço estratégico na Europa, funcionando como alternativa à família Tipo, que já tem data para sair de cena por lá. Para o Brasil, a expectativa é que ele mantenha o 1.0 T200 com sistema híbrido leve, já utilizado na linha atual e cada vez mais comum nos produtos da plataforma CMP — resultado dos incentivos do programa MOVER.
Apesar da base compartilhada com modelos da Citroën, a produção do novo Fastback deve seguir em Betim (MG). Com a chegada do novo Argo à planta mineira, a fábrica estará atualizada para absorver seus derivados. Porto Real (RJ), por sua vez, deve ficar concentrada no Avenger, previsto para 2026.
The Grand Tour volta sem Clarkson, Hammond e May — e agora com youtubers e um trainspotter

O ciclo se fechou em 2024, com direito a despedida sentimental, retrospectiva e aquela sensação clara de “acabou mesmo”. Jeremy Clarkson, Richard Hammond e James May deixaram The Grand Tour, encerrando definitivamente a era que começou lá atrás no Top Gear. Mas… às vezes nem mesmo os finais são permanentes. A Amazon confirmou que o programa continua e um novo trio para assumir o lugar de Hammond, Clarkson e May.
A nova fase do programa estreia ainda em 2026, no Prime Video, com seis episódios, e será apresentada por Thomas Holland e James Engelsman, do canal Throttle House, ao lado de Francis Bourgeois, o trainspotter que virou fenômeno de internet. A confirmação veio de forma oficial, inclusive com um vídeo publicado no perfil do próprio The Grand Tour — narrado, claro, por Clarkson.
No vídeo, Clarkson folheia currículos fictícios de candidatos, descarta um de James May por ser “entediante” e aprova o novo trio com aquele misto de sarcasmo e desinteresse que sempre funcionou tão bem. Holland é descrito como “um cara engraçado”, Engelsman como alguém que “já avaliou um carro usando apenas sarcasmo”, e Bourgeois como “o cara do trem da internet”. Veredito final: “Let’s get them in. They look good.”
A estrutura do programa, ao menos no papel, permanece familiar. Segundo a Variety, a nova temporada levará o trio ao deserto de Angola, à cena automotiva da Malásia e aos EUA, com foco em carros de alto desempenho na Califórnia. Ou seja, locações exóticas, desafios improváveis e aquela tentativa de fazer algo maior do que um programa de carros.
A escolha dos apresentadores deixa claro o movimento da Amazon. Holland e Engelsman somam mais de 3,3 milhões de inscritos no YouTube com o Throttle House, enquanto Bourgeois tem milhões de seguidores no Instagram e no TikTok. É uma troca clara de geração, linguagem e referência cultural. Menos jornalistas veteranos, mais criadores nativos de plataforma. A nova fase, oficialmente tratada como temporada 7, será lançada globalmente em mais de 240 países — o Brasil certamente está incluído.
Você pode comprar o terno de Enzo Ferrari — pelo preço de uma Ferrari

Se eu tivesse que explicar como a devoção à Ferrari é superior à admiração por qualquer outra marca, eu mostraria esta notícia: a RM Sotheby’s vai colocar a venda um dos ternos usados pelo Commendatore — e o valor estimado é suficiente para comprar uma Ferrari.

O conjunto será leiloado no Cavallino Palm Beach Auction, e foi encomendado por Enzo em 1979, feito sob medida por Gabriele Bertazzoni, seu alfaiate pessoal. Não é apenas um terno “da época”: trata-se de uma peça documentada, acompanhada de registros detalhando o processo de confecção de vários ternos usados por Enzo desde o início dos anos 1970 até meados dos anos 1980.

Esses documentos incluem até amostras de tecido, revelando o óbvio com elegância: Enzo Ferrari tinha gosto refinado. Ele recorria a lãs de alto padrão, como Ermenegildo Zegna e Scabal, variando padrões e cores com cuidado. O terno específico do leilão foge um pouco da sobriedade quase uniforme dos últimos anos do Commendatore, normalmente visto em tons de cinza e preto. Aqui, o azul se destaca — e aparece em fotos históricas, inclusive em imagens feitas em Imola, em 1980, durante testes com Gilles Villeneuve.

O lote inclui também um par de sapatos de couro Marelli, feitos sob medida e usados por Enzo no mesmo período. Tudo vem acompanhado de carta de autenticidade assinada, reduzindo a zero qualquer dúvida sobre procedência. A RM Sotheby’s estima que o conjunto possa alcançar até US$ 200.000.


