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O Shelby GT-350 R que mais venceu corridas na história pode ser seu


Uma das coisas mais legais de ser estupidamente rico é poder acompanhar leilões de alto nível e pensar “hmm… talvez eu deva comprar este carro”. Se a gente fosse uma destas pessoas, certamente abandonaríamos o window shopping e estaríamos disputando a tapa este Shelby GT-350 R. Por que?

Além da razão óbvia de este ser um Shelby GT-350 de corrida, que por si só já justificaria toda nossa cobiça por ele, há um detalhe mais que especial: este carro é conhecido como o Shelby que mais venceu corridas na história, e quebrou um importante recorde de velocidade.

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Em 1965, um ano depois do lançamento do Mustang, a Ford encomendou a Carroll Shelby o GT-350 (foto acima), versão mais potente, aliviada e com uma série de ajustes já pensados para uso em pista, que homologaria o Mustang na categoria B da SCCA — a marca do oval azul queria um rival à altura para o Corvette. Shelby preparou o V8 289 (4,7 litros) do Mustang com um carburador quadrijet Holley, comando de válvulas agressivo e coletores de admissão e escape redimensionados, aumentando a potência de 274 para 306 cv. Fora isso, ele tirou o banco traseiro (foi substituído por um estepe, para se classificar como um esportivo de dois lugares), redimensionou os freios e a suspensão (com direito ao clássico Shelby Drop, deslocamento do ponto de fixação da bandeja superior para alterar sua curva de cambagem), empregou capô de fibra de vidro com um pequeno scoop para que o motor admitisse ar fresco e instalou rodas de alumínio da Cragar.

O sucesso foi tão grande que foram feitos 600 carros naquele ano, mesmo que a Ford só precisasse de 100.

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Destes, 33 se transformaram em GT-350 R — versão aliviada de corrida com motor ainda mais modificado, rendendo algo entre 325 e 360 cv, para-choques de fibra de vidro, gaiola de proteção e tanque de combustível de 120 litros. Este carro é um deles.

Seu primeiro dono foi o piloto Roger West, que o comprou novo em 1966 e venceu algumas corridas com ele. Contudo, foi seu segundo dono, Charlie Kemp, quem realmente aproveitou seu potencial.

Kemp comprou o carro em dezembro de 1967 por US$ 4.600 dólares, quantia que também incluía um jogo de pneus e os serviços do mecânico do carro, Pete Hood. Logo na primeira volta em que o carro deu na pista com seu novo dono, Kemp quebrou o recorde do circuito de Montgomery, no Alabama — e, logo depois, fundiu o motor do GT-350.

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Vendo potencial no carro, Charlie decidiu ficar com ele e com seu preparador, promovendo-o a chefe de equipe. Os dois trabalharam no Mustang, aliviando peso e preparando o motor para render algo entre 440 e 450 cv — contudo, Pete Hood jamais revelou a natureza das modificações.

A equipe disputou as etapas Regionais, Divisionais e Nacionais do Sports Car Club of America (SCCA) entre 1968 e 1970. Foi também em 1968 que começou a sequência de 17 vitórias que deu ao Shelby GT-350 de Charlie Kemp o título de “Shelby mais vencedor da história”.

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Em 1969, no circuito de Daytona, o Shelby GT-350, com seu “pequeno” motor 289, ficou à frente do Corvette ZL-1 e seu big block de alumínio, que liderava a categoria A de produção. Teoricamente, com um motor bem maior — de 427 polegadas — o Corvette jamais poderia ficar para trás do Mustang. Mas ele ficou, e o Shelby, com o motor girando a estratosféricos 8.400 rpm, chegou aos 296 km/h na reta longa — um recorde para qualquer Shelby equipado com motor 289. Nem mesmo o próprio Carroll Shelby, que autografou o carro, acreditou. Ele não entendia como “um tijolo como aquele podia cortar o ar tão rápido”. Na verdade, ninguém entendeu, nem mesmo o próprio piloto. O único que poderia revelar a resposta, Pete Hood, não diz uma palavra.

Uma trapaça seria, na época, a única explicação plausível, mas a inspeção depois da corrida revelou que tudo no carro estava de acordo com o regulamento.

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Os autógrafos de Carroll Shelby. Note que toda a parte interna e inferior do carro ficam apenas no fundo primer, sem pintura, para alívio de peso

Em 1971, Charlie Kemp participou de 54 corridas com o carro, terminou 42 e venceu 32 — um saldo quase inacreditável. Nos anos seguintes, quando foi correr na Can-Am, Charlie vendeu o carro, mas o recomprou pouco depois, e permanece com ele até hoje. Tecnicamente, ele é o segundo e o quarto dono do GT-350.

Em 2000 o carro foi restaurado totalmente por Pete e Charlie. O trabalho se concentrou no motor, na suspensão e em detalhes como as rodas e a pintura — a lataria é totalmente original, bem como os vidros, rodas e até os bancos. Agora, o carro será leiloado pela RM Auctions no dia 8 de março durante um evento em Amelia Island, na Flórida. Além da história e da condição excelente em que se encontra, o ‘Stang acompanha toda a documentação histórica que foi acumulando ao longo das décadas — comprovantes de compra e venda, certificados e fotografias, entre outras coisas. E um detalhe bacana: os dois se dispõem a ajudar a preparar o carro para corridas históricas. Não é todos os dias que se pode comprar um carro de corrida famoso e ter a assistência dos caras que fizeram sua fama. Faria um baita estrago nas provas de carros históricos organizados pela Rolex, no autódromo de Laguna Seca.

Tudo bonito, tudo saboroso. Mas é melhor você respirar fundo: o valor de arremate estimado é de US$ 900 mil a US$ 1,2 milhão — de R$ 2,1 a 2,8 milhões. Será que eles aceitam VR?

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