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Top Zero a 300

Os arcades de corrida mais épicos da Sega

Uma das maneiras mais legais de jogar games de corrida é em uma máquina de arcade. Os jogos podem não ser muito realistas e não se importar muito com a física de um carro de verdade, mas a sensação de sentar em um banco concha, segurar um volante e acelerar um carro virtual até os 300 km/h é bacana demais – não dá para discordar. E entre as desenvolvedoras de games, a Sega foi uma das que mais investiram nos arcades de corrida.

A mais recente dos caras é um arcade baseado na categoria japonesa Super GT, na qual competem carros de turismo como o Subaru BRZ, o Toyota Prius, o Honda NSX e o Nissan GT-R. Os carros correrão em circuitos criados especificamente para o jogo, como é costume nos arcades da Sega.

O game, batizado Sega World Drivers Championship featuring Super GT, será exibido ao público pela primeira vez nos próximos dias. A demo disponibilizada nas máquinas que serão instaladas em Tóquio, no Japão, conta com seis carros e capacidade para juntar até dez jogadores na mesma partida. O jogo roda sobre a engine Unreal 4, uma das mais populares do mercado, e marca a volta da Sega aos arcades – o último game inédito feito por eles foi Initial D 

O trailer de divulgação do jogo, que só mostra imagens das transmissões da Super GT, diz que Sega World Drivers Championship foi criado pela Sega Motorsports Works – ao que tudo indica, uma nova divisão dentro da companhia dedicada apenas a jogos de corrida. Se for isto mesmo, já ficamos ansiosos: pode ser que a Sega volte tão inspirada quanto em seus arcades clássicos.

Aliás, ficamos tão empolgados que decidimos relembrar os arcade racers clássicos da Sega. Vamos lá?

 

Daytona USA, 1993

É difícil não começar um parágrafo sobre Daytona USA com outra coisa que não “DAYTONAAAAAA! LET’S GO AWAY” em letras maiúsculas, mas a gente conseguiu. A música tema do arcade de 1993, com seu arranjo frenético e inglês mal pronunciado, se tornou um clássico por si só, mas Daytona USA não é um dos arcades mais vendidos de todos os tempos à toa: o jogo foi pioneiro em adicionar texturas aos polígonos, dando aos carros e cenários um visual muito mais detalhado. Além disso, a taxa de quatros por segundo se mantinha estável em 60 fps, resultando em movimentação fluida em sem travamentos mesmo com muitos carros na tela.

A jogabilidade não traz mistério: ao volante de um carro que lembra bastante o Chevrolet Lumina da Nascar na década de 1990, você compete em três circuitos ovais. Para vencer, além de chegar primeiro, você precisa passar por todos os checkpoints antes que o tempo acabe. Menos é mais, não é o que dizem? A fórmula foi um sucesso e Daytona USA ganhou duas sequências: Daytona USA 2, de 1998, e Daytona USA 3, que será lançado ainda em 2017 e conta com um novo arranjo da música tema clássica.

Os gráficos são bacanas, detalhados porém com um jeitão retrô, e a jogabilidade não parece ter mudado nada a julgar pelo trailer.

 

OutRun, 1986

 

Quantos arcades no mundo deram origem a um gênero musical? Um: OutRun. O estilo de música eletrônica que usa fontes sonoras típicas dos games de 16 bits e sintetizadores é conhecido como synthwave, retrowave ou outrun electro. Mas esta não é a única herança de Out Run: o arcade era muito agradável esteticamente e desafiador na medida certa. Além disso, foi responsável por duas grandes inovações. A primeira era a jogabilidade não-linear: ao atingir um checkpoint, você deveria escolher entre dois caminhos, e cada um deles levava a um cenário diferente.

A segunda foi dar ao jogador a possibilidade de escolher a trilha sonora antes de cada corrida. Curiosamente, as músicas de OutRun não tinham muito a ver com o outrun electro, e estavam mais para jazz fusion e música latina. Você pode ouvir todas as canções do jogo no Spotify, oferecidas pela própria Sega.

 

Virtua Racing, 1992

A verdade é que a Sega colecionou pioneirismos em seus arcades. Virtua Racing, de 1992, trouxe mais um deles: foi o primeiro arcade de corrida com gráficos 3D baseados em polígonos. Diferentemente do que aconteceu em Daytona USA, porém, os polígonos eram lisos, sem texturas – para quem está acostumado com o visual mais detalhado dos jogos que vieram depois, Virtua Racing parece um jogo inacabado. Só que não havia nada parecido na época.

A novidade fez tanto sucesso que a Sega fez questão de manter os gráficos 3D em todos os releases para consoles domésticos, incluindo o Mega Drive. O cartucho de Virtua Racing para a plataforma de 16 bits tinha um chip de processamento especial para conseguir entregar imagens tridimensionais e, por isto, custava quase o dobro dos cartuchos de outros jogos.

 

Super Monaco GP, 1989

Lançado em para os arcades em 1989, Super Monaco GP encerrou a década de 1980 em grande estilo. Embora não tivesse gráficos totalmente em 3D, os cenários eram tridimensionais e a perspectiva da câmera em primeira pessoa era extremamente envolvente. A máquina de Super Monaco GP tinha force feedback e permitia que se optasse por usar aletas para trocas de marcha atrás do volante, o que tornava a experiência um pouco mais próxima da de um simulador.

A versão de arcade trazia apenas uma corrida, o GP de Mônaco, embora o traçado fosse totalmente diferente do circuito do mundo real. Super Monaco GP foi um dos primeiros jogos de corrida com um espelho retrovisor, e fez tanto sucesso que ganhou uma versão ainda mais rica para o Mega Drive, com mais corridas e equipes na temporada, apesar dos gráficos mais simples.

 

Super Hang On, 1987

Super Hang On pode ser encarado como uma versão de Out Run com motos no lugar dos carros. A mecânica de jogo é praticamente a mesma, incluindo até mesmo a escolha da trilha sonora por parte do jogador, e os gráficos 2D coloridos e bem desenhados se fazem presentes, embora a estética geral dos menus e da interface seja um pouco mais madura.

O jogo teve versões para Mega Drive e computadores domésticos, mas o grande barato era a máquina de arcade, que trazia a réplica de uma moto na qual você montava e devia inclinar o corpo para fazer curvas, acelerando pelo manete do guidão, como em uma moto de verdade.

 

Sega Rally Championship, 1994

O ano de 1994 trouxe um título diferente do habitual entre os arcades da Sega: Sega Rally Championship, inspirado pelo Campeonato Mundial de Rali (World Rally Championship, ou simplesmente WRC), trouxe uma bela melhora nos gráficos e efeitos sonoros, além de transmitir com perfeição a adrenalina de um estágio de rali, com direito a curvas apertadas e saltos.

Os carros eram licenciados, e você começava o game com dois: o Lancia Delta HF Integrale de Juha Kankkunen e o Toyota Celica GT-Four de Didier Auriol. Já as etapas do campenato eram três: Desert, que lembrava o deserto africano; Forest, que lembra as florestas da América do Sul; e Mountain, baseado no Circuito de Monaco. Caso conseguisse terminar as três, você liberava mais um estágio, Lakeside. E se conseguisse vencer lá, o Lancia Stratos também se tornava disponível. Novamente uma receita simples e eficiente, que rendeu a Sega Rally Championship o status de um dos games mais elogiados de seu tempo.

 

Ferrari F355 Challenge, 1999

O mais recente título desta lista já completou a maioridade, tendo sido lançado há dezoito anos. Naquela época, o modelo de entrada com motor V8 da Ferrari era a F355, considerada por muita gente a última Ferrari old school da história. F355 Challenge era um game monomarca, que te colocava ao volante de diferentes versões da Ferrari F355 em circuitos reais do mundo todo: Suzuka, Long Beach, Motegi e Monza, por exemplo. O diretor do time de desenvolvimento, Yu Suzuki, é um grande entusiasta da marca de Maranello e, segundo consta, chegou a levar sua própria Ferrari F355 para os circuitos japoneses a fim de coletar dados que foram utilizados no jogo.

A máquina de arcade de Ferrari F355 Challenge era uma das mais legais de sua época: tinha três telas, o que permitia que se olhasse pelos vidros laterais do carro. O gabinete usava quatro processadores gráficos – um para cada tela, e um para sincronizar as três.

 

Indy 500, 1995

Era difícil criticar Indy 500 em seu lançamento. O game trouxe, novamente, uma grande evolução gráfica em relação a títulos anteriores, e tinha execução impecável: o cenário era realista, os carros eram bem modelados, o ronco de motor era convincente e a sensação de velocidade, ampliada graças à taxa de 60 quadros por segundo.

Além disso, se você ficasse enjoado de andar em círculos pelo circuito de Indianapolis, podia optar por outras duas pistas: Highland Raceway e Bayside Street – que, por mais que não fossem reais, eram inspiradas em Laguna Seca e Longbeach, respectivamente. Para finalizar, a jogabilidade era um pouco mais realista do que a média dos arcades, exigindo que reduzisse a velocidade na hora certa e que se tomasse cuidado com a trajetória dos carros nas curvas.

 

Scud Race, 1996

Este é um game meio esquecido entre os arcades da Sega, mas isto mais tem a ver com a quantidade de lançamentos que o estúdio soltou nos anos 1990 do que com a qualidade do game em si. Trata-se de uma espécie de sequência para Daytona USA. No entanti, Scud Race é baseado na BPR Global GT Series da FIA, hoje conhecida como FIA GT.

As corridas eram realizadas em circuitos de rua, e você podia escolher entre quatro carros diferentes para percorrê-lo: Ferrari F40, Porsche 911, Dodge Viper e McLaren F1. Este era o único compromisso com a realidade: na hora de pilotar, você só precisava acelerar e, caso tivesse a manha, conseguia até mandar um drift – bem antes de a modalidade ficar popular no mundo todo, diga-se.

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