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Projetos Gringos

Os controversos restomods da Vilner: bom gosto ou cafonice?

Para muitos entusiastas, parte inseparável da experiência de ter um carro é modificá-lo a seu gosto. E não por acaso que existe uma infinidade de empresas especializadas em transformar os projetos estéticos de seus clientes em realidade.

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A búlgara Vilner é uma destas empresas. A empresa foi fundada em 1996 por Atanas Vilner, que ainda é o CEO. Ele tem uma equipe pequena, de apenas nove funcionários, responsável por toda a execução de cada projeto. Embora a Vilner ofereça modificações padronizadas para diferentes modelos, é possível encomendar um projeto totalmente personalizado – escolher os materiais, cores e equipamentos a seu gosto, sem imitar ninguém, e com a garantia de jamais ver outro carro idêntico.

As possibilidades são imensas, e a Vilner não faz distinção entre carros novos e antigos – todos eles podem ser customizados de acordo com a vontade do proprietário. E é aí que mora o perigo: embora alguns carros tenham ideias interessantes e executadas com bom gosto, outras se aproximam perigosamente do kitsch. Até dá para compreender certa decisões estilísticas de gosto meio duvidoso – a maioria dos projetos é feita sob medida, e a Vilner se presta a atender todos os pedidos da melhor forma possível, sem interferir no gosto de cada cliente. O que, de certa forma, também é uma qualidade.

Nossos trabalhos favoritos da Vilner são aqueles que, como dissemos mais acima, pegam carros antigos e os atualizam sem comprometer as linha gerais originais, e apenas valem-se de técnicas, materiais e equipamentos modernos para trazê-los ao século 21. E não faltam exemplos.

O mais recente deles foi nada menos que o Trabant – sim, o carro popular da Alemanha Oriental que foi fabricado entre 1957 e 1991, e é considerado um símbolo da reunificação alemã. Aquele com carroceria de Duroplast (uma espécie de plástico reforçado com algodão e lã) e motor dois-tempos, conhecido por ser um dos piores carros do mundo.

Como tal, o Trabant nunca foi um sinônimo de luxo e conforto, mas o dono de um Trabi 1.1 (um dos últimos exemplares, equipado com o motor 1.1 do VW Polo contemporâneo) queria algo mais aconchegante e estiloso. O que a Vilner fez foi revestir os bancos e portas com couro creme e tecido tartan azul, com um cuidado aos detalhes que, para muita gente, jamais precisaria ser investido em um Trabant. O painel também foi forrado com couro preto, mas a face usa o mesmo xadrez azul que os bancos, assim como o forro do teto.

A Vilner não costuma divulgar as minúcias de seus projetos feitos sob encomenda, e prefere deixar as fotos falarem por si. Mas podemos ver também um volante Momo; um rádio retrô com conexão Bluetooh; e instrumentos com o visual original, porém restaurados. O carro também traz algumas modificações do lado de fora, como faróis de LED e um padrão xadrez meio grunge no teto e nas rodas. Não é um estilo para todos – o interior tem apelo mais universal.

Esta disparidade nos parece meio constante com a Vilner, como mostra este outro projeto – um Datsun 280Z restomod que usa e abusa da temática azul e marrom/bronze. A carroceria foi pintada de azul fosco acetinado com detalhes em bronze, além de perder os para-choques. O nosso foco, de todo modo, é o interior.

A fórmula se manteve: o lado de dentro recebeu novos revestimentos e elementos estéticos, mas as belas formas originais do painel, dos revestimentos de porta e dos bancos foi mantida. No entanto, quase todas as superfícies foram forradas com couro marrom de aspecto envelhecido, com um caprichado padrão matelassê nos bancos e portas, além de costuras e canaletas azuis, combinando com o carpete. Escolheríamos outras cores, talvez, mas a execução é impecável.

Agora, nem só de combinações de cores meio duvidosas são feitos os projetos da Vilner. O BMW M3 “Evo by Vilner”, por exemplo, vale-se do clássico preto-e-vermelho na cabine – ainda que quase tudo seja preto, com exceção dos cintos de segurança e detalhes do revestimento xadrez das portas, que são vermelhos.

O interior do M3 E30 foi customizado de forma bastante elegante, com bancos Sparco do tipo concha, volante com três raios de metal perfurados e revestimento de couro e um console central feito sob medida, com um recorte na base e uma placa de metal pintada de preto com a “assinatura” da Vilner. Parte da placa é perfurada e, aparentemente, sua única função é decorativa – diferentemente dos apoios para os pés, que trazem o mesmo material e acabamento.

A melhor parte, porém, é que as demais modificações do M3 também são interessantíssimas: o exterior recebeu uma pintura exclusiva, em vermelho  “Imola Red II”, tonalidade bastante fechada que foi oferecida pela BMW na geração atual do M3/M4, a F80; para-choque dianteiro de fibra de carbono e rodas BBS RK de 18 polegadas. Já o motor veio do M3 E46 – o S50B32, seis-em-linha de 3,2 litros com 321 cv a 7.400 rpm e 37,7 mkgf de torque. A Vilner instalou também também a caixa de cinco marchas do M3 E36.

É uma pena que nem todos os projetos sigam esta mesma linha. Alguns misturam erros e acertos, como este Mercedes-Benz 250CE:

O exterior quase não foi modificado, o que é interessante. E o lado de dentro ganhou um novo revestimento de couro azul que transborda a estética da década de 1970. Mas o interior peca nos detalhes – há elementos modernos demais, como as luzes de neon azul e as telas de acrílico perfurado para os alto-falantes, que entram em conflito com a madeira falsa totalmente setentista, e o resultado sofre com a falta de harmonia.

Por outro lado, há releituras completas que são interessantes. Uma delas é este Jeep Wrangler, batizado “Hunting Unlimited”. A carroceria recebeu um ousado acabamento de pátina (uma oxidação superficial que não compromete a composição das chapas de metal) que caiu bem às linhas do jipe. Além disso, a suspensão foi elevada, e foram instalados quebra-mato e pneus off-road.

Já o interior do Wrangler, conhecido por sua relativa simplicidade, ganhou acabamento em couro com diferentes texturas, sempre em marrom, com detalhes que remetiam à vida selvagem, uma rollcage integral e um conjunto de bolsas de couro no porta-malas. Não é o tipo de customização óbvia, mas foi um risco que valeu à pena. Ficou interessante.

Em compensação, este Porsche 911 Turbo 991 é o extremo oposto. Além de ser um esportivo para o asfalto, ele recebeu modificações bastante simples: detalhes de fibra de carbono azul nas soleiras e para-choques, cintos de segurança azuis, e uma asa traseira de fibra de carbono na tonalidade natural. É preciso prestar mais atenção para identificar as mudanças – e, neste caso, isto é positivo.

Há algumas viagens, claro, como o Mitsubishi “Allroads Ronin”. Trata-se um Lancer com customização de fora-de-estrada, incluindo quebra-mato, luzes auxiliares e pneus lameiros – visível inspiração nos carros de rali – e interior com referências aos samurais, com um padrão japonês medieval no teto e imitação de madeira no painel.

Dentre as releituras completas da Vilner, porém, sempre vamos lembrar do Série 7 de terceira geração que mostramos em 2014. Ele é um ótimo exemplo de como uma boa ideia pode ficar ainda melhor nas mãos da Vilner. Por fora, ele ganhou rodas maiores com acabamento em preto brilhante, faróis e lanternas escurecidos e novas luzes de neblina. Só.

Por dentro o tratamento da Vilner incluiu novas forrações em couro preto e cinza, teto de Alcantara, detalhes em preto brilhante e bancos com estofamento refeito e mais envolventes.

Tudo realizado de maneira impecável e profissional — você não vê uma costura fora do lugar, nenhum elemento datado, e nada de exagero. O 750i parece ter saído da fábrica desse jeito, e nem o volante atual fica deslocado. Uma modernização clássica.

Definitivamente, a Vilner é um caso difícil de analisar com seus altos e baixos. E você, o que acha do trabalho deles?

 

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