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Os Ford Mustang da Retrobuilt: quando só “retrô” não é o suficiente

Em 2005, a Ford virou o mundo dos muscle cars de cabeça para baixo com o Mustang de quinta geração, que era inspirado no modelo clássico de 1964. Não demorou nada para que a concorrência se mexesse — e por isso, hoje os fãs de muscle cars também podem comprar um Camaro ou Challenger inspirados nos ícones do passado (a nova geração do Mustang não é mais retrô, mas você entendeu).

Acontece que, para alguns, esta inspiração não é suficiente — eles curtem o desempenho dos novos muscle cars, mas querem mesmo é o visual dos antigos. Para estes, existem inúmeras empresas que realizam restomods — restarurações que incorporam componentes modernos, como motor, transmissão, freios e, em alguns casos, elementos estéticos. E isto não vale só para os muscle cars.

Já falamos de alguns restomods aqui no FlatOut: o Hemi Dart GSS, o Challenger E-Max da Hotchkis, os Jaguar da Eagle e os jipes e picapes da Icon, por exemplo. Mas hoje vamos falar de uma solução diferente para quem quer visual clássico e desempenho moderno: os Mustang da Retrobuilt.

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O nome é sugestivo, e significa exatamente o que dá a entender: a Retrobuilt (re)constrói muscle cars modernos para ficar com visual ainda mais retrô. Como muitas empresas que modificam carros, a Retrobuilt começou como uma restauradora convencional em Springfield (não na cidade dos Simpsons, mas em Springfield, Missouri), mas a ideia de deixar os muscle cars atuais ainda mais fiéis aos carros do passado sempre esteve na mente de seu fundador, Tony Beam. Em 2007, ele e sua equipe de designers e especialistas em funilaria, pintura e fabricação de carrocerias gastaram 1.200 horas de trabalho para construir este carro:

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Este é o RSC-GT. Embora ele tenha a cara do Mustang fastback de 1968 (com um toque do Shelby GT500 “Eleanor”), trata-se de um Mustang GT 2007, dotado de um V8 Modular de 4,6 litros e 304 cv. O carro foi apresentado no Sema Show de 2007 e apareceu na capa da revista Mustang 5.0 Magazine, na edição de fevereiro de 2011.

A construção do projeto começou com alguns painéis da carroceria de um Mustang 68 — a dianteira, para-lamas dianteiros e traseiros e portas. Estes painéis foram adaptados usando metal e fibra de vidro que se encaixassem sobre a estrutura do Mustang  2007, que também recebeu componentes feitos sob medida. Logo que o carro ficou pronto, a Retrobuilt já anunciou os planos de transformá-lo em uma versão de produção.

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O alto número de encomendas nos anos seguintes mostrou que a ideia tinha apelo, e não demoraram para surgir encomendas de conversões para que os carros lembrassem outros modelos clássicos do Mustang: Mach 1, Boss 302 ou Shelby GT350 e GT500. Com o tempo, a empresa aperfeiçoou sua técnica e passou a fabricar mais componentes sob medida com fibra de vidro e metal — de modo a obter peças maiores (visto que o Mustang cresceu bastante nos últimos 50 anos), porém com as proporções ainda mais próximas dos componentes antigos.

A Retrobuilt garante que consegue transformar qualquer Mustang fabricado de 2005 até hoje e deixá-lo parecido com qualquer modelo da primeira geração (1964-1972). Sendo assim, você pode transformar um Shelby GT500 2014 em uma “réplica” do primeiro Mustang GT500 ou de um Mach 1 de 1969 — ou qualquer outro modelo de Mustang que tenha vindo antes ou depois. E isso inclui grade, faróis e lanternas, para-choques, emblemas e detalhes de acabamento como a persiana no vidro traseiro dos Mustang Boss.

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Os painéis da carroceria que não são feitos pela Retrobuilt são cedidos por Mustang antigos — normalmente carros que foram danificados em acidentes e iriam para o ferro-velho.

O interior pode ser mantido original (escolha da maioria dos clientes) ou customizado com novas forrações e detalhes de acabamento. A Retrobuild não modifica os motores — se você tiver um Shelby GT500 2014, com motor V8 supercharged de 5,8 litros e 671 cv, provavelmente não precisa de um motor preparado —, mas oferece kits de suspensão Eibach e todo o resto seguindo as especificações do cliente — e ainda a escolha entre câmbio manual ou automático.

 

Contudo, a gente acha que os mais legais são os carros mais fiéis aos originais — a Retrobuilt usa rodas fornecidas pela American Racing, que seguem a linha old school, e procura até mesmo usar tintas com as cores exatas dos Mustang clássicos, como “Grabber Orange” (laranja), “Highland Green” (verde) ou “Candy Apple Red” (vermelho). E quanto custa a brincadeira? Pelo menos US$ 30 mil (R$ 67 mil, em conversão direta), fora o preço do carro que será transformado caso este não seja fornecido pelo cliente.

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Nem todo mundo concorda com este tipo de modificação, e nós vamos admitir que, em alguns casos, as proporções da carroceria ficam meio estranhas (especialmente nas “réplicas” do Mustang Mach 1, que tinha a frente mais baixa), mas uma coisa é inegável: a qualidade de acabamento e construção de cada carro é à prova de críticas, e muitos clientes levam seus carros direto do showroom para o QG da Retrobuilt.

Não conseguimos ver problemas em homenagear os muscle cars do passado usando suas versões modernas — ainda mais quando isto acaba ajudando a preservar a memória dos Mustang originais.

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[ Sugestão do leitor Heitor Pacheco ]

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