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Os recursos e características inúteis (ou quase) mais legais que estão nos carros

Quando falamos em design automotivo, sempre batemos na tecla da “forma sobre função” e dizemos que os melhores carros têm características e componentes que podem não ser bonitos, mas servem para alguma coisa. Contudo, de vez em quando é legal apreciar o outro lado — aquelas coisas que nossos carros têm que não servem para nada — a não ser deixar o carro mais legal.

Perguntamos aos leitores quais eram os recursos, detalhes de design e equipamentos que eles achavam mais legais, mas que não servem para muita coisa nos carros. Agora, temos a lista com as respostas!

 

Grelha no câmbio

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Não se sabe exatamente como surgiram as alavancas de câmbio manual com grelha. A teoria mais aceita diz que um mero item estético que começou a ser empregado na década de 50 pelas fabricantes italianas, especialmente a Ferrari, e acabou “pegando”, sendo adotado em peso por companhias de esportivos, como a rival Lamborghini. O câmbio funciona perfeitamente sem elas, mas o barulhinho de “clic-clac” de metal contra metal em cada troca é único, e uma das coisas de que os entusiastas mais sentem falta com a chegada da transmissão com dupla embreagem.

 

Velocímetros “otimistas”

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Tentamos escapar de um clichê na hora de falar deles, mas é impossível: quase todos os carros hoje têm velocímetros bastante otimistas. Se você já andou em um Fiat Uno Mille equipado com o motor Fire, deve ter visto que o velocímetro marca até 200 km/h, algo impossível em um carro com motor 1.0 de 66 cv. O Novo Uno marca 220 km/h, que são ainda mais difíceis de atingir. O Renault Clio marca 260 km/h, velocidade que apenas verdadeiros esportivos ou carros preparados conseguem alcançar no mundo real. O sedã derivado dele, o Symbol, marca até 250 km/h.

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De qualquer forma, é legal — especialmente para as crianças, que juram que a velocidade máxima real do carro é exatamente aquela que está marcada no velocímetro.

 

Instrumentos “esportivos”

Esta é mais comum nos carros modernos, com mostradores digitais: o Volvo S60 T6, por exemplo, tem um painel digital com vários modos e, em um deles, a configuração dos instrumentos coloca o conta-giros no meio, com um velocímetro digital e decorado com uma faixa vermelha. Não há uma utilidade prática, mas dá um ar mais esportivo ao cluster — com o conta-giros grande e centralizado, como em um carro de corrida.

 

Adornos no capô

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Nas primeiras três décadas de sua existência, a maioria dos automóveis tinha um radiador exposto, com uma grade que tomava quase toda a dianteira do carro e uma tampa no topo. Na década de 10, uma companhoa chamada Boyce MotoMeter patenteou uma tampa que trazia até um termômetro que media a temperatura do vapor de água do radiador e indicava se o carro havia fervido. Anos depois, tampas que serviam como enfeite acabaram se tornando populares.

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Hoje sua única utilidade é transmitir requinte, sendo um item empregado por marcas normalmente associadas ao luxo como Mercedes-Benz, Jaguar, Bentley ou Rolls-Royce. Para os mais pessimistas, também servem para dar a um pedestre atropelado uma nova opção para se ferir. Contudo, estes carros não seriam os mesmos sem o enfeite, concorda?

 

Emblemas nos faróis e lanternas

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Boa parte dos carros mais novos da Volkswagen têm uma pequena capa sobre as lâmpadas dos faróis que trazem o emblema da marca. Os fãs acham legal o fato de a Volks colocar sua identidade nos mínimos detalhes, mas sua única função é estética. Seria legal se o emblema fosse projetado à frente quando o farol fosse aceso? Sim, mas isto provavelmente atrapalharia a eficiência de iluminação do farol. É melhor ficar só na estética mesmo.

 

Vaso de flores no painel do Fusca

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No início dos anos 50, quando o Fusca começou a ser vendido nos EUA, a divisão americana da VW achou uma boa ideia colocar um vasinho de flores no painel no catálogo de opcionais de concessionária. A ideia era dar ao Fusca mais um diferencial em relação às grandes e pesadas barcas produzidas em Detroit – algo que agradou bastante aos descolados compradores do besouro. Deu certo, e quase todo mundo que comprava um Volkswagen acabava incluindo o ornamento no pacote.

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Quando o New Beetle foi lançado, em 1997, A Volks decidiu acenar para o passado e incluir o vasinho de flores no compacto feito sobre a plataforma do Golf. Foi um sucesso, especialmente nos EUA, e boa parte dos fãs do carro lamentaram a eliminação do acessório na nova geração do Beetle, lançada em 2012.

 

Pneus faixa-branca

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Desde o surgimento dos pneus, existem pneus com faixa branca. Na verdade, os primeiros pneus eram de borracha pura, mas com o tempo os fabricantes passaram a adicionar diversos componentes  químicos para torná-los mais resistentes – entre eles, o óxido de zinco, que deixava os pneus totalmente brancos. Com o tempo, descobriu-se que os pneus ficavam ainda mais resistentes quando se adicionava fuligem ao composto da banda de rodagem, que ficava preta, enquanto as laterais continuavam brancas para conter custos.

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Sendo assim, veja só, apenas carros de luxo não tinham pneus faixa branca no início da década de 30, porque os pneus totalmente pretos eram mais caros. Curioso, não é?

O fato é que, à medida que os pneus foram ficando mais baratos de se fabricar, as faixas brancas se tornaram um mero elemento de estilo, sendo totalmente inúteis do ponto de vista prático, mas muito populares entre os fãs de carros antigos – especialmente os hot rods.

 

Faróis escamoteáveis

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O primeiro carro a ter faróis escamoteáveis foi o Cord 810, de 1935, apresentado em 1935. Desde então, o recurso se tornou muito popular entre os fabricantes para fins aerodinâmicos ou estéticos – vai dizer que o Honda NSX não fica muito mais estiloso com eles, mesmo que os faróis convencionais iluminem tão bem quanto eles?

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Os primeiros faróis escamoteáveis eram uma forma de deixar a frente mais aerodinâmica, pois geravam menos arrasto. O problema é que o efeito era anulado quando os faróis eram acesos — à noite, acabavam não fazendo muita diferença. Na verdade, em alguns casos, podiam até gerar sustentação aerodinâmica (efeito contrário ao downforce, deixando a dianteira mais “leve”).

Só que eles não são exatamente necessários — na verdade, no fim das contas eles são só mais uma coisa no carro que pode dar problemas – imagine tentar acender os faróis escamoteáveis à noite e descobrir que os motores pifaram! De qualquer forma, eles são legais demais, e por isso merecem estar nesta lista.

Faixas na carroceria

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Racing Stripes! O Shelby Cobra tem faixas, o Mustang GT 350 também. Dodge Viper, Fiat 500 Abarth, Mercedes-Bens A45 AMG… todos eles trazem aqueles adesivos que não servem para nada a não ser deixar o carro mais parecido com um bólido de competição. Somos contra? Nem um pouco!

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É claro que as faixas de corrida têm uma história bacana — um dos primeiros a usá-las em carros de competição foi Briggs Cunningham, dono da equipe americana que levava seu sobrenome e piloto dedicado a vencer nas 24 Horas de Le Mans usando carros americanos nos anos 50. Em 1952, os carros que ele levou para Le Mans eram brancos com faixas longitudinais azul — um esquema inventado por ele para que os carros fossem facilmente reconhecíveis pelo público nas arquibancadas em nas fotos preto-e-branco.

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Quando Carroll Shelby tentou vencer em Le Mans pela primeira vez, prestou homenagem à Cunningham usando o mesmo esquema de cores em seus Cobra, mas com as cores invertidas: faixas brancas em um fundo azul.

 

Botão de partida

Não tem nada mais bacana do que colocar a chave no contato, apertar um botão e ouvir o motor ganhando vida através da eletricidade e da combustão. Antes de 1949, quando a Chrysler inventou o cilindro de ignição, todos os carros tinham uma alavanca ou botão para acionar o motor de partida, mas os carros mais modernos e luxuosos resgataram o recurso como diferencial. Não há utilidade prática, mas é bem bacana!

 

Apliques imitando fibra de carbono

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Material leve, resistente e caro, a fibra de carbono é empregada em esportivos de alto desempenho para aliviar peso e facilitar o trabalho do motor, além de garantir carros muito mais rígidos e, consequentemente, com dinâmica superior. Trocando em miúdos: fibra de carbono de verdade é muito útil – não é à toa que marcas como a Koenigsegg estão desenvolvendo até rodas feitas com o material.

Por outro lado, apliques de fibra de carbono não têm utilidade alguma além de fazer parecer que o carro tem fibra de carbono de verdade. Pode até ser meio brega às vezes, mas na maioria dos casos o efeito visual é bem bacana, dando a impressão de que o carro é mais caro do que realmente é. Utilidade prática? Nenhuma.

 

Saias laterais

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Normalmente um kit aerodinâmico é composto por spoiler dianteiro, difusor traseiro, aerofólio e saias laterais. Quase todos têm uma utilidade prática: os spoilers ajudam o carro a cortar o ar de forma mais eficiente e ajudam a reduzir o arrasto, difusores e aerofólio aumentam o downforce e as saias laterais, bem… fazem o carro parecer mais baixo e dão harmonia ao visual. No mais, elas não servem para muita coisa em carros de rua.

Nos superesportivos dedicados e carros de competição, porém, a história é outra: elas “selam” o fluxo aerodinâmico do assoalho, direcionando o ar para os difusores traseiros sem tantas turbulências causadas por ventos laterais, por exemplo, formando uma espécie de túnel. Falamos dos esportivos e carros de competição porque, para que o efeito faça diferença, o assoalho precisa ser projetado especialmente para isto e as saias precisam ser bastante rentes ao assoalho. Nos carros normais, com assoalho comum, o efeito acaba quase todo anulado.

 

Volantes com base chata

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Do pequeno Volkswagen Up! ao avançado Audi R8, muitos carros têm volante redondo com base achatada. A inspiração nos carros de competição — especialmente os monopostos e protótipos, em que o piloto praticamente veste o carro e quase não tem espaço para as pernas – é óbvia, mas a utilidade deste pequeno detalhe hoje em dia não vai muito além de agradar os olhos e fazer o motorista se sentir em um carro mais rápido. O que não nos impede de achar volantes com base achatada mais legais que volantes normais.

 

Teto de vinil

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Nos anos 60 e 70, cobrir com vinil o teto dos carros era uma forma de deixá-los parecidos com conversíveis e dar um visual mais requintado (lembra do Opala Las Vegas ou do Ford Galaxie) ou esportivo (o Corcel GT vem à mente). Não é um recurso útil – na verdade, dá mais trabalho porque com o tempo, o revestimento acabava ressecando, perdendo a cor ou rasgando. Era o preço a se pagar pelo estilo…

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