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Car Culture

Ox, iStream e Midas: as outras criações de Gordon Murray, o pai do McLaren F1

Gordon Murray já cumpriu sua missão no mundo ao projetar o McLaren F1, que é nada menos que um dos maiores supercarros de todos os tempos, e um dos mais velozes, também. Já falamos inúmeras vezes de seu motor V12 naturalmente aspirado de 636 cv, de seu recorde de velocidade máxima (386 km/h em 1998) e de toda a genialidade envolvida em todo o projeto.

Quando o McLaren F1 foi lançado, no início da década de 1990, a revista britânica Autocar disse o seguinte:

O McLaren F1 será lembrado como um dos maiores eventos na história do carro, e possivelmente será o carro de rua mais veloz que o mundo verá para sempre.

No entanto, isto nunca foi suficiente para Gordon Murray. Antes e depois de projetar o McLaren F1, Gordon Murray se envolveu em várias outras empreitadas automotivas. E, apesar de ter criado um dos maiores supercarros de todos os tempos, o sul-africano não se concentrou apenas em esportivos, e suas ideias também encontraram espaço em outros veículos. Alguns, bem surpreendentes!

O mais recente deles é o caminhão modular Ox. Em 2013, Murray firmou uma parceria com a Global Vehicle Trust, organização sem fins lucrativos criada pelo empresário e filantropo britânico Torquil Norman para desenvolver um veículo resistente e barato para países emergentes.

O Ox foi projetado para ser uma espécie de flat pack – o nome das caixas achatadas onde vêm aqueles móveis modulares, como os que se compra na sueca Ikea. Dentro da caixa vêm o chassi do caminhão (uma estrutura do tipo escada, feita de aço), o motor (um quatro-cilindros a diesel de 2,2 litros e 98 cv vindo da van Ford Transit, be como o câmbio manual de seis marchas) e os painéis da carroceria, que são completamente planos e feitos de madeira compensada. De acordo com a GVT, o método de armazenamento dos caminhões permite que seis kits completos, incluindo o motor, sejam transportados em um único contêiner de 40 pés.

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Feito para atravessar terrenos difíceis, inalcançáveis para carros de passeio comuns. Por isso, ele tem um robusto sistema de suspensão independente, McPherson na dianteira e braços arrastados na traseira. A tração é dianteira.

A cabine tem um banco inteiriço e o volante no meio, como o McLaren F1… mas isto é tudo o que os dois têm em comum além de Gordon Murray. O compartimento de carga comporta até 1.800 kg e também pode transportar pessoas — que vão sentadas em pranchas que também podem ser colocadas sob os pneus caso o Ox fique preso em um atoleiro, por exemplo. Detalhe: o Ox pesa 1.700 kg e tem o comprimento de um Ford Focus!

De acordo com a GVT, uma equipe de três pessoas consegue montar o Ox em 12 horas, sem usar ferramentas especiais. Até agora, três protótipos foram construídos e apresentados à imprensa. A GVT diz que o projeto custou £ 3 milhões (cerca de R$ 13 milhões), e precisa de mais £ 3 milhões para começar a produzir o caminhão.

 

iStream

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Talvez o aspecto mais interessante do Ox, do ponto de vista da engenharia, é que ele usa os princípios do método iStream de fabricação de veículos, do qual falamos a respeito neste post. Com o iStream, Murray pretende revolucionar a maneira como se constrói carros atualmente. No site oficial, é dito o seguinte:

O iStream combina tecnologia de ponta em materiais de baixo peso, baixo consumo de energia e locais de produção flexíveis para entregar um novo processo de produção, capaz de produzir veículos inovadores e avançados. Ele maximiza os benefícios da tecnologia de construção de baixo peso da Fórmula 1, sem seus custos associados proibitivos, para criar um processo de produção de baixo investimento e emissões.

Soa como uma forma de aplicar a construção dos carros de F1 em grande escala, tudo por uma fração do preço — e é quase isto. Murray desenvolveu um processo no qual o chassi do carro é construído com tubos de aço de maneira completamente automatizada. Então, em menos de dois minutos, os painéis da carroceria — que usam um compósito de fibra de carbono especial, de baixo custo e cura rápida — são colados à estrutura.

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Além da rapidez e do baixo custo, uma das vantagens do iStream é sua versatilidade: a estrutura de aço pode ser facilmente reconfigurada trocando alguns tubos e a produção dos painéis da carroceria é rápida. Desse modo, partindo de uma base parecida, é possível criar veículos radicalmente diferentes entre si.

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Prova disso são os dois primeiros conceitos a usar o iStream. O primeiro foi o T.25, de 2010, um carro urbano de 2,4 metros (menor que um Smart ForTwo) que leva três pessoas (com o motorista no meio, novamente com o McLaren F1) e tem comandos e painel de instrumentos inspirados pela Fórmula 1.

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O motor é um três-cilindros de 660 cm³, capaz de levar os 525 kg do T.25 até os 105 km/h. Murray planeja também uma versão elétrica com o mesmo desempenho, chamada T.27. Da última vez que ouvimos falar de ambos, em 2013, falava-se em colocá-los nas ruas em 2016. Até agora, nada.

O outro conceito é o Yamaha Sport Ride, apresentado no Salão de Tóquio do ano passado. O cupê de motor central-traseiro tem dois lugares e promete uma interação homem-máquina comparável à de uma motocicleta em um pacote do tamanho de um Lotus Elise.

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A Yamaha buscou o iStream de Gordon Murray para construir o conceito, mas não falou nada a respeito de transformá-lo em realidade — nem mesmo o motor.

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Nosso palpite foi um três-cilindros de um litro e 80 cv igual ao usado pelo conceito urbano MOTIV.e, que também foi desenhado por Murray para a Yamaha — e, da mesma forma, não tem um futuro certo.

 

Midas

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Agora, se você achou que Gordon Murray só se interessa agora pela mobilidade, está bem enganado. Em 1981, ele trabalhou pequena fabricante britânica chamada Midas Cars para realizar melhorias no kit car Midas, que era feito para ser montado sobre o Mini Cooper clássico.

O resultado era simpático cupê de visual bem esportivo, com carroceria em formato de cunha feita de fibra de vidro que aproveitava o motor e o subchassi dianteiro do Mini, mas só levava duas pessoas e tinha suspensão traseira independente por braços semi-arrastados.

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Na verdade, Murray — que, na época, era projetista da equipe Brabham de Fórmula 1 — gostou tanto do Midas quando ele foi apresentado, em 1978, que comprou um. E ele até sugeriu algumas discretas modificações aerodinâmicas no pequeno, que foram incorporadas na reestilização de 1981.

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Light Car Company Rocket

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Em  1992, o piloto britânico Chris Craft procurou ninguém menos que Gordon Murray, projetista do McLaren F1, para criar um carro pequeno, com estrutura tubular, de visual retrô, leve (obviamente) e movido por um motor de moto.

Seu nome, definitivamente, é justificado: o Rocket pesa só 381 kg e é movido por um motor Yamaha de 1.070 cm³ de 171 cv, o que dá uma relação peso-potência de 2,19 kg/cv. O visual lembra um monoposto de F1 da década de 1960, e só existem 46 deles.

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