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Car Culture

Porsche B32: uma Kombi com o flat-6 de 231 cv do 911 Carrera – original de fábrica!

Vans foram feitas para transportar coisas ou pessoas, e não para andar rápido na pista — o que jamais impediu que surgissem criações insanas como a Renault Espace F1 ou as Transit Supervans da Ford. Hoje vamos te apresentar mais uma representante desta onda de vans anabolizadas: a Porsche B32 — em essência, uma Kombi com motor de Porsche 911 Carrera.

É claro que, quando falamos em Kombi, não estamos dizendo que, literalmente, é uma Kombi. Trata-se de uma Transporter T3, geração seguinte à van que, no Brasil, conhecemos como Kombi.

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A Transporter T3 trazia um visual mais quadrado e, na época (foi lançada em 1979), muito mais moderno que o de sua antecessora. Mecanicamente, porém, sua concepção é parecida: motor na traseira e o motorista sentado bem acima do eixo dianteiro. Na verdade, a T3 foi o último VW com motor traseiro lançado no mundo — a geração seguinte ganhou uma plataforma totalmente nova e motor na frente.

Nos primeiros anos de sua existência, a Transporter T3 usava até o motor boxer refrigerado a ar da VW. A partir de 1983, foram adotados motores mais modernos, com arrefecimento líquido, injeção eletrônica e cilindros dispostos em linha (algo parecido com o que foi feito por aqui com a Kombi em meados da década de 2000). Nesse meio tempo, porém, alguém teve uma ideia melhor e muito mais entusiasta.

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Este “alguém” era a Porsche, e a ideia era colocar um motor mais potente para empurrar aquela van. No caso, o motor de 3,2 litros e 231 cv do Porsche 911 Carrera lançado em 1984 — um carro capaz, na época, de acelerar aos 0 a 100 km/h em 6,1 segundos pelos dados de fábrica (5,7 segundos de acordo com testes realizados pela revista britânica Autocar). É fato que este carro existe, e é fato que foram fabricadas pelo menos 10 unidades, vendidas em concessionárias selecionadas. De resto, é uma história bastante nebulosa.

Dizem que a ideia surgiu em 1984, quando a Porsche precisava de um veículo de suporte para sua equipe no rali Paris-Dakar — exatamente no ano em que René Metge e Dominique Lemoyne venceram a prova ao volante do Porsche 953. Contudo, segundo um artigo da revista Car publicado em setembro de 1984, os primeiros protótipos foram feitos um pouco antes — em 1981. Naquele ano, a Porsche realizava alguns testes na Argélia e precisava de um veículo espaçoso e, ao mesmo tempo, capaz de acompanhar sua frota.

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Após realizar alguns experimentos, colocando o motor do Porsche 914 na Transporter T3, a equipe responsável pelo projeto decidiu instalar um flat-6 de três litros e 204 cv (usado nas versões mais potentes do 911 clássico) na van. Deu certo: o carro levava pouco mais de oito segundos para acelerar até os 100 km/h e chegava aos 190 km/h de velocidade máxima — ainda não andaria junto com o 911, mas não comeria mais poeira com tanta facilidade.

O carro foi testado até pelo próprio Peter Schutz, que simplesmente adorou o brinquedo (se é que dá para chamar de brinquedo) e autorizou a produção limitada de dez unidades, vendidas a clientes especiais. Contudo, levou ainda algum tempo até que a receita fosse aperfeiçoada. O lançamento do Porsche 911 Carrera 3.2 forneceu o que faltava: um motor mais potente e torcudo, permitindo usar uma relação final de diferencial mais longa e, consequentemente, conseguindo um carro mais confiável, com entrega de desempenho mais linear e mais moderado no consumo de combustível.

Além do motor, vários outros componentes do 911 Carrera foram usados no desenvolvimento da versão “definitiva” da Transporter B32 (que recebeu este nome por causa do deslocamento do motor): transmissão manual de cinco marchas, suportes do motor e do câmbio, embreagem, sistemas elétricos e os discos de freio ventilados usados nas rodas dianteiras.

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Obviamente, o sistema de suspensão também recebeu sua dose de modificações a fim de adequar o comportamento dinâmico da Transporter ao novo padrão de desempenho. Sendo assim, novos amortecedores a gás e molas mais firmes foram adotados. As rodas eram de as clássicas Fuchs de 14 polegadas, calçadas com pneus 205/70. Opcionais eram as rodas de 15 polegadas com borrachudos ainda mais generosos.

Testes realizados na época garantem que o resultado foi um manejo que não devia em nada aos grandes sedãs alemães, ou hot hatches como o Golf GTI. Sua vocação, porém, era acelerar na estrada,  e a velocidade máxima de 217 km/h não deixava dúvidas disso. Um detalhe curioso: a Porsche divulgava uma velocidade máxima menor, de 187 km/h, levando em consideração todos os nove lugares ocupados e o ar-condicionado ligado em potência máxima. “Tudo para evitar decepções”, disse na época o engenheiro Friedrich Bezner, que chefiou o projeto.

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Na verdade, duvidamos que existisse algum meio de se decepcionar neste carro: além do desempenho (e do ronco) de um legítimo boxer Porsche, os carros oferecidos à venda eram baseados na versão Carat da Transporter, a topo de linha, com bancos individuais forrados com veludo, vidros escurecidos, um belo sistema de som e o já citado ar-condicionado — um luxo só, na época. O toque final ficava por conta do volante Porsche, uma personalização muito comum até hoje entre os adeptos do german look mais tradicional.

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Obviamente, tudo isto custava caro — na época, quase o dobro do preço do carro que lhe cedera o motor e boa parte dos componentes. Dizem até que a VW planejava, em parceria com a Porsche, simplificar o modelo e aumentar a produção, mas o custo do desenvolvimento seria proibitivo e o projeto foi cancelado. Contudo, de acordo com os dados do museu da VW em Hannover, na Alemanha, 15 unidades foram fabricadas no total. Seu paradeiro, contudo, é um mistério.

[ Fotos: Bild.de, VWVortex ]

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