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Project Cars

Project Cars #11: a vitória do Celta Outlaw na pista de Tarumã!

Olá, pessoal! Estou de volta neste quarto post do Prorject Cars #11 para contar uma grande notícia: fomos campeões da Chave Super 16 na Desafio 250 Outlaw 2014! Nesta parte, irei contar mais detalhes sobre a competição, a preparação para a prova e, claro, a corrida em si.

 

A Competição

Esta prova de arrancada reúne pilotos de vários estados do Brasil e também de países vizinhos, como Uruguai, Argentina e Paraguai, e consiste numa corrida sem categorias e sem divisões. São 150 inscritos correndo juntos (as inscrições encerraram em apenas 10 horas, meses antes da prova).

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No domingo das 8h da manhã às 10h acontecem os treinos, que propositalmente permitem apenas ajustes nos carros. Das 10h às 14h acontecem as etapas classificatórias. Nelas, cada carro tem direito a três tentativas para fazer o melhor tempo nos 250 metros de Tarumã. Destes tempos são classificados os 30 melhores tempos — tempo de reação + pista. Estes 30 melhores dividem-se em duas chaves: a Super 16 e Top 16.

UmaVitoriaSprint

A Super 16 é uma chave eliminatória que reune os classificados de 15º ao 30º, correndo então Oitavas, Quartas, Semifinal e Final definindo assim o campeão da Super 16. Os finalistas desta chave sobem para o Top 16 juntando-se aos 14 melhores classificados.

 

Preparação para esta Prova

Esta corrida anual sempre foi nosso maior objetivo. Tínhamos um planejamento desde o ano passado de fazer o carro funcionar e ir treinando e evoluindo. Cumprimos o planejado e conseguimos baixar meio segundo por dia de treino. Mas… nem tudo é perfeito e o motor se entregou a cerca de 45 dias da competição. Ao abri-lo, constatamos que a retífica tinha errado nas folgas dos pistões.

Então remontamos tudo internamente na Sprint, conferindo peça por peça, medindo milimetricamente e exaustivamente para o motor ser de fato confiável. Enquanto isso, chegou o diferencial autoblocante, e aproveitamos para levar a caixa para revisão e instalação do diferencial.

Caixa

Somente na última quinta-feira antes da prova, a meros três dias de entrar na pista o carro foi remontado e o motor estava funcionando perfeitamente. Ou quase… pois na sexta-feira constatamos que não entrava marcha. O câmbio tinha algum problema. Para piorar a caixa não é nada pequena, e pra tirar de dentro do Celta dá muito trabalho, é preciso desmontar praticamente tudo.

Demontado

Trabalhamos sem parar e em poucas horas o câmbio estava desarmado. Aí veio o maior problema: o blocante não “soltava” os eixos de jeito nenhum, nem com marreta, nem com alavanca de tudo que é tamanho. Tivemos que serrar os eixos para abrir a caixa e tirar o blocante. Então descobrimos que na remontagem da caixa tinha quebrado um parafuso que segurava as engrenagens. Trocamos o parafuso e montamos tudo de volta. Na madrugada de sábado, por volta das três horas da manhã finalmente terminamos a montagem do motor.

 

Serrando

Com o carro montado fomos ao dinamômetro da DSP Motors em Porto Alegre! Tudo perfeito até que… dois pneus explodem numa puxada de 4ª marcha. Voou borracha pra tudo que é lado! E os presentes também correram para todos os lados.

Pneu

E agora? A poucas horas da corrida, onde arranjar pneus de arrancada?

Voltei para casa em Criciúma/SC (a 300km de Porto Alegre/RS onde o carro estava), depois de uma semana ajudando na oficina. Cheguei em casa 1h da madrugada do sábado e acordei 4:30 para encarar os 300 km de volta à capital gaúcha. Chegando lá pela manhã fui direto na Indy Pneus e Rodas. Por sorte eles tinham um par de pneus Hoosier zero, e ainda por cima arranjamos as rodas muito mais leves e largas!

Pronto

O que exigiu o alargamento dos para-lamas. Mas não desistimos e sábado às 22h chegou pronto ao autódromo.

 

A corrida

Flat4

Dormimos no autódromo de sábado para domingo, depois de um grande show da Vigário Jack nos boxes. Foi muito bom reunir equipes em volta de ótimo Rock ‘n’ Roll, oferecido pelo MaverickBibers Pub.  Acordamos 5:30 da manhã com o carro todo molhado do sereno, o que facilitou a “limpeza” não deu tempo nem de lavar o carro, então a toalha mágica pegou enquanto os outros competidores iam acordando…
Em seguida carro abastecido, tudo organizado para inicio dos treinos! Vamos à prova!

Primeira passada tudo perfeito, porém na desaceleração já percebo um barulho diferente, chego ao final da reta na área destinada a aguardar o retorno e desligo o carro. Ao ligar novamente…. nada. O carro não pega. E agora, chegar até aqui pra uma passada!? Fomos até os boxes puxados na corda e constatamos que era apenas o alternador frouxo. Tudo Ok! Voltamos à pista!

Vamos à fila do alinhamento e nesse meio tempo as classificatórias começaram. Fizemos então a puxada da classificação: reação 0,245s (alta) + 8,381s nos 250m. Tempo total 8,626s a 191km/h.

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Como o tempo dos 60 pés (primeiros 18 metros de arrancada) estava alto, tentamos baixar mais a pressão dos pneus para 8lbs (estávamos com 11), porém o lado direito saiu da roda, já chegando no alinhamento. Na correria do dia anterior montamos os pneus sem câmara. Mais uma corrida no autódromo para  tirar o carro da fila, pegar o spray que enche o pneu e tapa furos já que não sabíamos se era furo ou não e voltamos ao calibrador para encher. Continuamos a prova com 11 lbs, o que é alto para este tipo de pneu.

Final2

Na ultima puxada da classificatória consegui uma boa reação 0,066 porém as demais parciais não foram mais baixas, então acabei classificado com a primeira classificatória.

 

As Finais

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O racha das Oitavas-de-Final contra o belíssimo e rápido Gol da Dougs Speed Shop, com o piloto Tobias Zanrosso, foi o pega do dia!
Ele largou melhor, eu saí um pouco atrasado e com o giro não ideal, mas consegui alcançá-lo na marcha de largada (2a), na troca de marcha ele passa novamente a frente então no final da reta passamos com uma diferença de 0,020 eu a 178 km/h e ele a 171 km/h.

Camp3

Quartas de Final, Fusca AP do Ariano Barbosa, nesta tive uma reação melhor porém como era de esperar o fusca pula um pouco na frente, porém o Ariano teve que corrigir a trajetória neste tempo eu passei e ganhei esta eliminatória — e mais R$ 100 reais no bolso, pois cada vitória vale R$ 100!

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Nas Semi-Finais, a Saveiro Prata de Alessandro Pedroso quebrou durante o burnout então eu apenas passei na pista e fui para as finais. Lá encarei o Fusca Azul com motor boxer turbo de Rafael Reis. Depois de algumas passadas seguidas o Fusca enfrentou problemas então pediram tempo técnico de cinco minutos previstos no regulamento para solução.  Eu estava alinhado esperando, tranquilo. Queria de fato uma disputa na pista! Então conseguiram trazer o carro para o alinhamento. Tive reação mais rápida e saí na frente, o Fusca ficou para trás! Campeão! Mais R$ 1.500 no bolso!

Final6

Esta competição é emocionante por isso tudo, é muito dura com seus competidores, todos competem contra todos sem choro, sem mimimi… O conjunto piloto+carro deve aguentar toda esta pressão.

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Saímos de lá mais que contentes, com a coroação de um trabalho de muito esforço de muita gente muitas noites na estrada indo para oficina, muitas horas de trabalho da equipe… sábados, domingos, madrugadas.

Champ

Antes de terminar, gostaria de deixar meus agradecimentos à Sprint Perfomance, responsável por toda montagem de suspensão, motor, eletrônica do carro; à Injeção Eletrônica Mega MS Racing, que mostrou-se extremamente confiável não necessitou nenhum ajuste na pista, à equipe Equipe Rafastra 888, à Nelson DSP Motors, à Indy Rodas e Pneus, à Corrêa Pneus, à Equipe MP Racing e aos patrocinadores Eurochip Manutenção Importados e Luxcis Metanol.

Por hoje é isso. Até o próximo post, galera!

Por Gustavo Herdt, Project Cars #11

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