A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Project Cars Project Cars #130

Project Cars #130: um desfile e um problemão com o combustível do meu Alfa Romeo 2300 V8

E aí, pessoal!? Essa nossa vida de gearhead não é fácil no Brasil… uma hora temos falta de peças para qualquer outro motor que não seja AP, outra hora falta incentivo para as competições, falta é mão-de-obra especializada e por aí vai. Essa terceira postagem está fora da ordem cronológica – estou pulando os 18 meses que o carro ficou parado na oficina diretamente para o dia que peguei ele de volta. Vocês verão que, apesar de tudo, não podemos desistir!

 

O desafio do sete de setembro

foto 2

Eu havia solicitado para o mecânico que o carro ficasse pronto pelo menos para o desfile do dia sete de setembro, do que todo ano eu participo junto com o Clube de Carros Antigos de Limeira, e também porque já fazia 18 meses que o Alfa estava na oficina. Ele me prometeu que entregaria, e assim o fez… no sábado dia 6 de setembro às 22:00. Foi essa a hora que saí da oficina.

Depois de alguns problemas com a direção hidráulica no caminho, parei para abastecer e chegando próximo de casa percebi que o motor começara a grilar com o giro um pouco mais alto. Na porta de casa, manobrando atravessado na rua para guardar na garagem, o motor morreu e girava pesado quando se acionava o arranque. Nisso já era 22:30. A rua de casa é calma, não tem movimento, mas também não tinha ninguém pra me ajudar a empurrar a monstra!

Liguei para o mecânico e relatei o que acontecera, ele me disse que poderia ser bateria. Fui até a minha oficina no fundo de casa e peguei uma bateria nova, montei no lugar, mas o motor continuou virando pesado. Nova ligação para o mecânico: ele falou para dar uma olhada no distribuidor, fui mexer e pimba! Distribuidor solto! Ele acabou adiantando o ponto, o que explica o motor pesado e grilando.

Legal, mas e agora, qual é ponto correto do motor? Recorri as fotos de outros motores 302 e tomando como base a posição do avanço a vácuo, coloquei mais ou menos na mesma posição e fui apertar o parafuso da trava mas… ele não apertou!

Só faltava ter espanado a rosca no bloco! Felizmente não foi o que aconteceu. O problema era um parafuso curto demais, que só pegava uns dois fios de rosca. Mas aí surgiu um novo problema: em casa todos os meus outros carros tinham rosca métrica, o 302 do Alfa (que é um Ford) usa parafuso no padrão americano, medido em polegadas. Revirei minhas latas de parafusos usados e não achei nenhum que servisse. Então lembrei que havia trazido o antigo coletor de ferro fundido pra casa. Por sorte o parafuso que fixava o water neck serviu, e consegui finalmente travar o distribuidor.

Já passava das 23:00 do sábado e eu ainda estava com o carro atravessado na rua. Com o distribuidor no lugar dei partida e o motor girou livre! Oba! Mas não pegou. Foram diversas tentativas e nenhum sinal. Tirei o filtro de ar e com uma lanterna vi que estava injetando gasolina. Combustível não faltou.

No fim tive que pedir ajuda pra minha esposa, que veio meio contrariada ajudar. Pedi pra ela dar a partida enquanto eu verificava se tinha faísca no cabo de vela. Pulou uma faísca azul bonita. Caramba… tem ar, tem combustível e tem faísca… por que diabos esse motor não pega?

foto 7

Nessa hora que minha esposa deu a partida eu percebi uma coisa que não tinha percebido antes porque estava dentro do carro e ventava na rua: um cheiro mais forte de combustível vindo do escapamento. O motor estava afogado! Entrei no carro, pisei no fundo e acionei a partida sem aliviar o pé, 10 segundos de partida e nada. Parei sem tirar o pé do fundo, dei um tempinho e acionei de novo a partida. Aí ele engasgou, tossiu e roncou! Meus vizinhos devem ter adorado isso, pois já era por volta da meia noite.

foto 8

Manobrei finalmente o carro pra dentro da garagem e o deixei funcionando alguns minutos antes de testar a partida mais duas vezes pra ter certeza que tinha resolvido. Tudo certo. Fechei tudo e fui dormir, pois o desfile seria no domingo às 9:00 e eu tinha que acordar bem mais cedo para dar um tapa na Alfa, pois ela havia ficado 18 meses comendo poeira na oficina.

Na manhã seguinte caí da cama e já fui levar o carro para lavar no posto de gasolina — era a maneira mais rápida, pois quando eu lavo o carro, não consigo fazer rápido, sempre aparece aquele detalhe que eu não consigo deixar pra trás. Cheguei lá 7:30 e já era o terceiro da fila. Pedi a lavagem com cera líquida, secagem e pretinho no pneu. Feito isso, voltei pra casa para buscar minha esposa e filho.

foto 5

Parei o carro em frente de casa e dez minutos depois tocou a campainha. Era meu vizinho avisando que estava vazando gasolina do carro. Como assim “vazando gasolina”?

Pois é… faltando meia hora para o desfile me aparece essa. O tanque havia enferrujado e estava vazando na emenda. Peguei o jacaré, ergui o carro e com um pouco de “durepoxi” tentei fazer um reparo que aparentemente havia resolvido.

foto 6

Cheguei na concentração do desfile em cima da hora. Fiquei como um dos últimos da fila. Enquanto esperava, um amigo do clube me avisou: seu carro está vazando gasolina! Olha que maravilha! O reparo técnico emergencial não resolveu. Nesse ponto não havia mais o que fazer — ou desfilava com a Alfa demarcando território ou voltava pra casa. Decidi desfilar, pois sem gasolina não ficaria. Eu ainda tinha mais da metade dos 100 litros do tanque.

foto 3

Uns 20 minutos depois nos chamaram para alinhar para o desfile. Como eu estava atrás, nem me preocupei muito. Deixei o pessoal alinhar na frente e quando fosse a minha vez bastaria entrar na fila. Quando chegou essa hora, o motor não ligava. Ele afogou por que o carburador novo ainda não estava totalmente calibrado e eu ainda não tinha as manhas do motor novo.

Tentando ligar o carro a bateria arriou. Não tive escolha: saltei do carro e empurrei rua abaixo. Por sorte era descida, dando tranco com o pé na tábua, pensei comigo: “acho que não é mesmo para eu desfilar”. Mas como seria o primeiro desfile que meu filho iria, eu tinha que continuar tentando. Quando quase acabou o espaço para o tranco o motor pegou, umas aceleradas para limpar a garganta e ele firmou na marcha lenta.

foto 4

A partir daí foi tranquilo o desfile. O pessoal acenava para o carro “presidencial”. Meu filho fazia farra com minha esposa e minha sobrinha enquanto a Alfa demarcava território com seu vazamento. Percebi que a temperatura do motor ficou elevada — sinal que tudo que havia sido feito ainda não resolvera o problema. Acabando o desfile, fui direto pra casa dos meus pais onde o carro ficaria guardado por uns dias até poder voltar para o mecânico e acertar todos esses detalhes, mas, até agora, por diversos motivos, a Alfa não saiu da garagem e acabei dedicando esse tempo a outros projetos.

O próximo passo é desmontar todo sistema de refrigeração dela para mais uma verificação, trocar todas as mangueiras e talvez até um projeto de um novo radiador maior, preciso também tirar o tanque e verificar como farei para fechar o furo (ou os furos, pois não sei o que mais posso encontrar mais ali) e afinar esse motor. Como disse no começo, essa nossa vida de automobilista não é fácil, mas vale a pena!

No próximo post contarei como foram esses 18 meses de espera e as mudanças que foram feitas na mecânica 302. Até lá!

Por Estevam Cavazin, Project Cars #130

0pcdisclaimer2

Matérias relacionadas

Project Cars #523: a história do Cerejinha, meu Fusca 1300 1972

Project Cars

Pensando rápido: a história do Puma GTS de Rodrigo Almeida

Juliano Barata

Um BMW Série 3 convertido para M3: a história do Project Cars #10

Juliano Barata