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Project Cars Project Cars #151

Project Cars #151: o início da restauração do meu Volkswagen SP2

Olá, FlatOuters! Hoje irei compartilhei com vocês a terceira parte desta incrível jornada que envolve o meu entusiasmo pelo VW SP2. Para quem está chegando agora, basta clicar aqui para conhecer o início desta história, vale a pena!

Então vamos começar 2016 com muita positividade e muita gasolina para queimar, bora?

Caros leitores, vocês não têm ideia da importância motivacional dos feedbacks que vocês escrevem nos comentários… Mais uma vez agradeço a todos pelas palavras de carinho e os incentivos deixados na área dos comentários, espero que nessa postagem não seja diferente, tentei caprichar nesse texto. Desejo uma boa leitura para todos!

Inicialmente, gostaria de esclarecer que essa postagem é voltada principalmente ao processo de restauração do Robert (VW SP2 1974). Fiz isso para que o texto não ficasse muito longo, mas já tranquilizo a todos informando que o Dionísio (VW SP2 1975) voltará nas próximas postagens.

 

1º passo: conhecer o carro e a escolha do projeto a ser realizado

Como já mencionei no post 2, eu tive a oportunidade de conhecer o Robert antes de adquiri-lo, inclusive testando-o na estrada. Mesmo assim, antes de iniciar qualquer projeto, é fundamental conhecer realmente o carro para se ter uma ideia do trabalho a ser realizado.

Por sorte, o Robert apresentava uma estrutura excelente, com poucos pontos de ferrugem (concentrados principalmente na região das caixas de ar, algo super comum em carros antigos…).

Ao ter aquela conversa tridimensional com o Robert (Sim! Meus carros são serem animados, simpáticos e tagarelas!), percebi que o melhor projeto que atenderia a nós dois seria de uma restauração original. Contudo, o Robert também implorava por um apelo único, ele queria se diferenciar e se destacar nas festas de gala em que estivesse presente.

A realização de qualquer tipo de restauração ao padrão original possui uma louvável justificativa, pois ali não está acontecendo somente a recuperação de um veículo, mas sim o resgate de um todo histórico dentro do automobilismo. Então, esse é um dos meus compromissos!

Vejam o VW SP2 recebendo o devido tratamento no galpão da Karmann Guia.

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Por outro lado, o carro necessitava de itens exclusivos para diferenciá-lo dos demais. O grande problema estava em determinar o que fazer sem criar qualquer conflito com a originalidade. É justamente nesse ponto que estava o principal desafio de estudo e de pesquisa do carro.

Logo, o projeto do Robert necessitaria de muita investigação histórica e a escolha cirúrgica de profissionais especializados para realizar o projeto com a qualidade pretendida.

 

2º passo: a escolha dos profissionais para a funilaria e a pintura

 

Apesar do Dionísio e do Robert serem o mesmo modelo, são dois carros completamente diferentes em TUDO!! Logo, sempre tive em mente que o tipo de trabalho e objetivo final de cada um seria por meio de trajetos e adversidades distintas.

O trabalho a ser executado no Robert merecia a escolha de um funileiro especialista em detalhes, retoques e na utilização de estanho… Diferentemente no Dionísio que carecia de um funileiro apto no desenvolvimento de peças de latas artesanais, considerando a necessidade da substituição quase que integral de sua carroceria.

Especificadamente ao Robert, após uma longa e minuciosa pesquisa, para a funilaria, a pintura e a montagem do Robert a oficina eleita foi a AutoPadrão que fica localizada na cidade de Franca/SP…

O motivo da escolha foi, além de buscar e conhecer trabalhos anteriores, saber que o carro estaria entregue em boas mãos, pois os sócios Magal (funileiro) e Valdemi (pintor) trabalharam na década de 80 na “Souza Ramos” revelando a devida competência e experiência para meu projeto.

Depois de aprender da maneira mais dolorosa possível a importância de se acompanhar de perto uma restauração (conforme relatei no post 2). Encontrar uma oficina de qualidade na minha cidade natal foi estratégico, pois o acompanhamento do serviço seria bem mais fácil.

Antes de fechar o acordo eu deixei claro que minha presença na oficina seria constante e que o meu objetivo era fazer um acompanhamento pari passu para evitar qualquer tipo de aborrecimento no desenvolvimento do projeto. E mais, eu conseguiria a devida segurança de que tudo seria desenvolvido conforme o meu interesse.

Após a apresentação detalhada de todo o projeto, formalizamos o contrato, algo importantíssimo e que nunca deve ser esquecido, pois a época da “palavra firmada no fio do bigode” já passou! Ficou acordado o prazo de 15 meses para eu ver o Robert “novo”, da mesma maneira que saiu da fábrica.

 

3º passo: desmontando o carro

Dando início a restauração, o primeiro passo foi desmontar o veículo… Começando pelas peças internas. Esse trabalho deve ser feito de maneira bem cuidadosa para não estragar nada. Para facilitar a montagem eu recomendo que tirem diversas fotos de como estava anteriormente e separem as peças em saquinhos (com identificação) de cada item desmontado.

Após a retirada das peças, é o momento de desmontar a lataria do carro, retirando o chassi, as portas, tampas da mala e do motor e tudo mais… A carcaça precisa ficar “limpa” para o início da funilaria.

Desmontagem - SP2

 

4º passo: lixamento do carro

Com o carro “pelado”, inicia-se uma importante etapa da restauração, o lixamento do veículo. Nesta fase deve ser retirado todo o material do carro deixando-o na lata pura.

Esse processo é importantíssimo, pois ele permite avaliar a dimensão real de todos os problemas estruturais e de lataria do carro.

Lixamento - VW SP2 1974 - Robert

Após lixar o Robert e realizar uma avaliação precisa do serviço a ser realizado, ficamos felizes e tranquilos, pois os problemas não se mostraram maiores do que imaginávamos e ainda por cima percebemos que o carro estava com o assoalho original em excelente estado (uhuuu!)…

Um ponto relevante que deve ser lembrado é sobre a preservação da lata, pois após o lixamento ela fica totalmente exposta as reações decorrentes do contato do metal com o ar úmido… Considerando que o processo de restauração leva alguns meses, para não sofrer oxidação (ferrugem), deve-se tomar algumas providências para proteger a carroceria nua. No caso do Robert foi utilizado o wash-primer como medida de vedação e proteção dos intempéries do clima. Vejam o resultado nesse vídeo:

Na execução de cada serviço a peça a ser trabalhada era limpada (retirando o wash-primer) antes de começar o processo de reparação e ao final pintada novamente, tudo isso justificado na necessidade de sua preservação e integralidade.

Esse cuidado ao longo da restauração do Robert foi um dos compromissos fielmente cumprido pelos restauradores demonstrando a qualidade do serviço realizado.

 

5º passo: recuperação da lataria

Finalmente, após o lixamento, foi possível dar início à restauração da lataria do carro. Esse processo foi realizado por partes e de maneira cuidadosa para evitar problemas futuros.

Na parte traseira do Robert não existiam muitos problemas, mesmo assim, todos os pontos de corrosão e imperfeições na lataria foram corrigidos. Inclusive na tampa traseira, permitindo o perfeito alinhamento das peças.

Restauração - Traseira - VW SP2 1974 - Fred Martos

Uma coisa extremamente desagradável no VW SP2 é um erro de engenharia que permite o acúmulo de água próximo da entrada de ar traseira. Isso causa a corrosão do paralama traseiro do carro.

Esse problema acontece em todos os VW SP2 que eu conheço e o Robert não era diferente. A solução foi realizar uma bela cirurgia no carro, com a troca do pedaço de lata afetado por outro novo.

Foi nessa etapa da restauração que eu pude confirmar a escolha certeira do funileiro, pois além de “corrigir” a curvatura da lata interna, o acabamento da solda foi todo realizado com estanho.

Na atualidade é muito difícil encontrar um especialista que trabalho com estanho, pois ele é mais difícil de moldar, muito mais caro e causa maior lentidão ao trabalho. Contudo, é o material a ser utilizado!

Sabem aquelas bolhas que surgem após uma restauração mal feita? Então, elas são causadas por soldas sem capricho e o uso em excesso de massa de poliéster.

No caso do Robert, o tratamento da lataria foi correto, como vocês podem acompanhar nas fotos a seguir do lado direito.

Recuperação - Caixa de roda traseira - LD - VW SP2 1974 - Robert

E do lado esquerdo também… Inclusive na parte interna das caixas de roda de ambos os lados!

Caixa de roda traseira - L.E. - VW SP2 1974 - Robert

Uma parte do carro que exigia grande atenção eram as caixas de ar externas. Elas não estavam legais e ambas as peças precisavam ser inteiramente trocadas.

Um ponto positivo nessa etapa é que a empresa Estribex (localizada na região da Barra Funda em São Paulo) fornece essa peça em chapa nova (em material melhor e mais resistente do que a original). Mesmo assim, isso não diminuiu a complexidade do trabalho de restauração na hora de retirar as peças antigas; bem como na limpeza e proteção da parte interna e soldagem da peça nova (novamente utilizando estanho para dar o devido acabamento).

O resultado final ficou muito bom dos dois lados:

Recuperação - Caixa de ar - LD - VW SP2 1974 - Fred Martos Recuperação - Caixa de ar - LE - VW SP2 1974 Fred Martos

Outro local no carro afetado pela corrosão foi a área do “facão”. Assim sendo, essa parte do veículo também foi objeto de recuperação.

Recuperação - Facão - LE - VW SP2 1974 - Robert - Fred Martos

O lado do passageiro estava um pouquinho pior, mas o serviço de reparou foi de grande excelência, vejam:

Recuperação - Facão - LD - VW SP2 1974 - Robert - Fred Martos

As portas também precisaram de uma atenção especial, exigindo a troca da parte inferior da lataria externa. A porta do motorista ficou assim:

Recuperação - Porta do Motorista - VW SP2 1974 - Robert

O mesmo processo foi repetido do lado do passageiro:

Recuperação - Porta do Passageiro - VWSP2 - Robert

As peças novas foram feitas de maneira artesanal e ficavam perfeitas. Ainda sobre as portas, a corrosão afetou além da parte inferior da lataria externa e estragou parte da estrutura de baixo, demonstrando a necessidade de troca destas peças também.

Recuperação - Porta do Passageiro (parte interna) - VW SP2 - Robert

Passando para a frente do carro, percebemos que o Robert sofreu uma pequena batida do lado do motorista, mas o serviço feito na época foi de ótima qualidade, não atrapalhando o andamento da restauração…

Recuperação - Paralama Frontal L.D.- VW SP2 1974 Fred Martos

Na foto que coloquei no início da postagem sobre a fábrica da Karmann Guia e possível ver a utilização de estanho na carroceria de fábrica… Oras, aqui não seria diferente!

Recuperação - Paralama Frontal L.E.- VW SP2 1974 Fred Martos

O uso correto do estanho permitiu o alinhamento perfeito das peças da frente do Robert. Logo, caprichosamente, foi feito os devidos reparos nos aros de farol do carro, conforme pode-se perceber o reparo no lado do motorista

Aro Farol L.E.- VW SP2 1974 Fred Martos

Ao chegar no teto um grande alívio! O teto do carro não apresentou grande problemas, sendo relativamente fácil o processo de restauração (ganhando um pouco de tempo no calendário da restauração).

RECUPERAÇÃO - TETO - VW SP2 1974 Fred Martos

Outro ponto positivo para ao funileiro escolhido para o projeto era o cuidado e precisão no alinhamento da lataria (mais uma vez demonstrando preocupação em não utilizar massa poliéster de maneira indevida no carro) para meu alívio e segurança!

Nesse vídeo o mestre Magal explica um pouquinho de como deve ser realizado o alinhamento da lataria:

 

Registro eterno do FlatOut

Eu me sinto muito honrado pela oportunidade de poder compartilhar um pouco da minha paixão nesse importante canal automobilístico. Logo, eu não poderia deixar o “FlatOut” fora do registro oficial desta história.

Então tive a ideia de criar um “selo” do meu Project e deixá-lo a vista ao longo de todo o processo de restauração. Com isso, a participação no ProjectCars ficará registrada para sempre no acervo fotográfico da restauração dos meus carros. Já pensaram que legal eu explicando para meus netinhos (daqui algumas décadas!) o porquê desta marca no carro?

Mas e como o Robert vai se tornar um carro único? Isso será matéria da próxima postagem! Um grande abraço para todos e até breve!

Por Fred Martos, Project Cars #151

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