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Project Cars Project Cars #19

Project Cars #19: amigos, roubadas e uma retífica antes do swap no Opala de Mauricio Faccina

Olá novamente, pessoal! Gostaria de começar esse post agradecendo a todos que votaram no meu Opala pra entrar no Project Cars, os amigos opaleiros, leitores do Flatout, do Facebook, do Opaleiros do Paraná e também ao meu pai e minha namorada por aturar, apoiar (na medida do possível) e ajudar o andamento do projeto.

Por falar em amigos, eles são uma das melhores coisas que o mundo dos carros “velhos” pode trazer. Eu nem tenho como enumerar a quantidade de pessoas que eu conheci e que se tornaram grandes amigos, muitos desses sem ao menos conhecer pessoalmente. E isso independe do tipo de carro, marca ou modelo específico, apesar das piadas recorrentes entre os aficionados pelos seus modelos, sempre se tem muito assunto pra conversas animadas e dicas diversas.

“-Mas porque desse sentimentalismo logo na abertura do post??”

Porque esses amigos são aqueles que vão te salvar nas horas que seu carro te deixar na mão, quando surgir aquela dúvida na hora de montar alguma coisa que você desmontou, quando você conseguiu montar e sobraram peças e quando você precisar de algum serviço especializado, vão saber indicar aqueles profissionais que vão fazer o que você precisa, sem te levar a falência, ou lograr com má fé e/ou serviços mal feitos.

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E também, porque eu não tenho nenhuma foto dessa época. Foram todas perdidas com um notebook roubado, então as fotos são de épocas aleatórias, com amigos e carros. Uma pena que não tenho espaço e nem fotos de todos pra postar aqui.

 

Mas agora, voltemos à história do Opala. Se não em falha a memória, era uma quinta-feira quando comprei o carro, mas foi só no sábado que eu realmente fui fazer a lista de tudo o que precisava ser feito para poder rodar com ele. Além da elétrica ele tinha problemas nos freios, pneus carecas e com bolhas, rodas tortas, cintos de segurança inoperantes, suspensão detonada e problemas no motor, carburador, linha de combustível, óleos, fluidos e filtros do carro (óleo do motor, da caixa, do diferencial, água do radiador e o fluido de freio). Pequena a lista não?

CApa

Na segunda-feira, levei o carro para o mecânico que faz a manutenção do “carro de trabalho” da família. Depois de uma boa conversa decidimos fazer o serviço em duas partes por causa do tempo que o carro ia ter que ficar parado e também do custo dos serviços e peças. Primeiro faria motor e mecânica, depois a suspensão.

Uma semana de serviço — e eu ajudando (ou atrapalhando?) — e ele recebeu regulagem das válvulas, limpeza do carburador, troca de todos os óleos, pastilhas, lonas e fluido de freio, limpeza do radiador. Arrumei um par de cintos de segurança em um desmanche, troquei algumas lâmpadas queimadas e pronto! O carro estava nas mínimas condições de andar pela cidade… Mas só durante o dia e com tempo limpo, pois os faróis ainda não funcionavam, nem os limpadores do pára-brisa.

Esperei algum tempo para levantar mais um pouco de dinheiro e resolvi fazer a elétrica do carro para conseguir sair de noite sem ter que ligar o alerta toda a vez que fosse frear ou dobrar em alguma esquina. Aqui entra o primeiro serviço porco e superfaturado da história do Genão.

Na época, sem conhecer ninguém pra me indicar um bom profissional na área, busquei duas ou três opções e escolhi o que me pareceu o melhor custo beneficio. Três dias depois o carro estava pronto. Luzes, limpadores de pára-brisa, o vidro elétrico do motorista e até a abertura automática do porta-malas funcionavam agora. Já o vidro do carona e a iluminação interna estavam irrecuperáveis, de acordo com o profissional. R$ 800 de cara.

R$ 800 reais que em cerca de dois ou três meses se transformariam em mais de R$ 1.200, pois não demorou muito e as lâmpadas das sinaleiras traseiras começaram a queimar numa freqüência absurda. Os faróis tinham o péssimo habito de desligar sozinhos e o vidro do motorista só funcionava quando queria. Numa tentativa de resolver o problema, o “profissa” que fez o serviço me disse que não dava garantia de serviço em carro velho com a fiação toda remendada.

Depois de conhecer alguns amigos apaixonados por carros antigos, pedi ajuda a eles consegui encontrar um ótimo profissional pra arrumar as gambiarras da elétrica. Mais dois dias de serviço e “tudo” funcionava: os dois vidros elétricos, a iluminação do painel e até o injetor de gasolina da partida a frio. As lâmpadas pararam de queimar e eu podia rodar tranqüilo com o carro.

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Então, com o carro andando, começam as historias engraçadas, ou não. Uma bela sexta à noite, estava todo felizão que o Opala estava andando bem, e chamei minha namorada pra dar uma volta. Menos de 10 minutos depois de ela entrar no carro, o trânsito parou no semáforo, pisei no freio e… CADÊ O FREIO?? Lá estava eu bombeando freneticamente o pedal do freio e puxando o freio de mão pra tentar parar o carro. Acabei subindo em uma calçada e “escorando” o carro em uma placa de sinalização para conseguir parar o carro. O causador? Um flexível de freio estourado.

Passado algum tempo, um amigo veio passar uns dias aqui, entre uma conversa e outra, tiramos os abafadores do escape e fomos para um bar. Se algum Opaleiro já fez isso, sabe o quão irritante, estridente e estalado fica o ronco do motor com o coletor de escape original e o cano de escape acabando antes do diferencial.

Na hora de sair fui pegar o carro enquanto ele pagava a conta. Um frio do castralho e eu mantendo o motor a álcool acelerado até esquentar enquanto manobrava pra sair da vaga. O resultado: metade do bar estava na rua pra ver quem estava fazendo aquela barulheira infernal. Quando passei na frente do bar pra pegar meu amigo, ele simplesmente se jogou para dentro pelas janelas abertas. Imaginem a cena.

No outro dia, depois de colocar o escapamento de volta no seu devido lugar, saímos pra dar uma volta. Nessa época descobri uma das maiores características do motor deste carro: um motor a álcool que não pegava quando estava quente! Depois de alguns tempo andando, o carro morreu parado em um semáforo. Acabei com a bateria e “afoguei” o motor de tanto tentar fazer o carro pegar. Empurramos o Opala para uma rua lateral e tentamos fazer pegar no tranco algumas vezes. Nada. Desistimos e fomos tomar uma cerveja em um posto próximo. Meia hora mais tarde, voltamos e com um leve empurrãozinho o carro pegou e fomos embora.

Já imaginando o que me esperava, novamente com a ajuda dos amigos, fui atrás de um mecânico que mexesse com Opala pra diagnosticar o problema do motor e saná-lo. Depois de algumas conversas e uma rápida olhada no motor o veredicto: retífica completa.

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Mais alguns dias de conversa e com o orçamento inicial em mãos, o mecânico me disse que não valia a pena fazer, que o dinheiro que eu iria gastar pra retificar o 2.5 eu conseguiria comprar um 4.1 e fazer o swap. Mas eu, teimoso como sempre, estava decidido em manter o quatro-cilindros e a originalidade do carro. Então, quase um ano depois de comprar o carro, finalmente o motor ficou bom e confiável!

A titulo de curiosidade, a medida dos pistões passou pra 0,40 mm e o virabrequim foi pra 0,2 mm, já foi aproveitado e feito o balanceamento do virabrequim, alivio do volante do motor, a bomba de óleo foi retrabalhada pra aumentar o fluxo, tuchos hidráulicos trocados por mecânicos, o carburador original(um h34) foi trocado por uma 446, e a ignição foi trocada por um  “kit” MSD e o cabeçote foi mantido como estava,  no limite do rebaixamento (salvo engano, a GM estipulava como medida mínima 77 mm de altura do cabeçote, o meu estava com 75 mm) elevando a taxa do motor a quase 12:1.

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A dança dos carburadores, as epopéias da reforma do carro, preparação, “morte” e swap do motor ficam pra próxima. Até lá, pessoal.

Por Maurício Faccina, Project Cars #19

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